Flávio Campello


Ele é o atual campeão do Carnaval Paulista, pela Acadêmicos do Tatuapé. Em março, último, mudou-se para a Acadêmicos do Tucuruvi. Flávio foi reverenciado com o prêmio do troféu nota 10 do ‘Diário de SP’ como o melhor carnavalesco do ano. Ele possui vasta experiência em carnavais das cidades do Rio de Janeiro, Vitória, Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo. Para 2018, o carnavalesco prepara o enredo “Uma noite no museu” e garante “o enredo é uma aposta, um sonho de uns 5 anos, e a Tucuruvi me deu a chance de transformar em realidade”. Flávio recebeu gentilmente a reportagem do Blog Carvalho News e falou sobre carnaval, a profissão de carnavalesco, seu dia a dia e muito mais! Que tal conhecer melhor esse grande vencedor?

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Flávio Campello Fotos: divulgação
Blog Carvalho News – Como iniciou a sua relação com o carnaval?
Flávio Campello – Tudo começou ainda na infância, quando eu acompanhava meus pais na quadra e barracão da Imperatriz, pois ambos sempre foram fascinados pelo carnaval e pelo desfile das escolas de samba, e eram envolvidos no carnaval. Eram foliões natos… verdadeiros apaixonados pelo carnaval.
Blog Carvalho News – Há alguma diferença entre o carnaval do Rio de Janeiro e o de São Paulo?
Flávio Campello – Hoje não consigo enxergar uma diferença… ambos apresentam belíssimos espetáculos…
CN – Qual a sua formação acadêmica?
Flávio Campelo – Sou formado em artes cênicas, e história. Duas paixões realizadas.
CN – O que é necessário para se tornar um carnavalesco de sucesso?
Flávio Campelo – Sem dúvidas, ser um apaixonado pelo carnaval, viver o carnaval o ano inteiro, sempre buscando inspirações em todas as manifestações de arte. Precisa amar o que faz…
CN – Qual a sua inspiração para a criação de um enredo?
Flávio Campelo – As inspirações surgem assistindo um filme, documentário, lendo algum livro, revistas, jornais, às vezes até ouvindo uma música. Tudo em nossa vida pode ser carnavalizado…
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CN – Qual a função de um carnavalesco numa escola de samba?
Flávio Campelo – Hoje a maior função de um carnavalesco é a de um diretor e produtor de espetáculo. Precisamos ter noção do roteiro, criação, execução e produção e coordenação de equipes que fazem parte da produção desse espetáculo… Considero o carnavalesco um diretor geral e produtor dessa maior festa popular do mundo…
CN – O que mudou em sua vida, após a conquista do Carnaval de São Paulo de 2017?
Flávio Campelo – O título é a maior de todas as realizações. Pois todos nós trabalhamos o ano inteiro em busca do resultado, da perfeição… o titulo coroa o nosso trabalho e nos inspira a continuar.
CN – Como é o dia a dia de um carnavalesco?
Flávio Campelo – Acordar e dormir pensando no projeto, no barracão, no atelier… pois essa é a missão! Vivemos 24 horas por dia em prol desse sonho, e buscando maneiras de realizarmos esse sonho…
CN – Quais os profissionais que influenciaram seu trabalho ao longo dos anos?
Flávio Campelo – Sem dúvidas, a professora Rosa Magalhães. Lembro do desfile do Salgueiro, de 1990, e achei aquele desfile lindo. E a partir desse desfile eu passei a acompanhar o trabalho da Rosa, e ficava torcendo para um dia vê-la na Imperatriz, e não demorou muito, em 1992, aconteceu. Desde então, passei a me inspirar no trabalho da mestra. Além da Rosa, temos tantas outras referências… Renato Lage, Max Lopes, Joaozinho 30, Ney Ayan, Fernando Pinto, Viriato Ferreira… na atualidade, Alex de Souza, Paulo Menezes, Paulo Barros, Alexandre Louzada…Todos profissionais que merecem o nosso respeito!
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CNPode adiantar algo sobre a Acadêmicos do Tucuruvi em 2018?
Flávio Campelo -Pra começar, a realização de um sonho… o enredo é uma aposta, um sonho de uns 5 anos, e a Tucuruvi me deu a chance de transformar em realidade.
Já estamos a todo vapor no barracão das alegorias e no atelier das fantasias… tudo está fluindo de uma forma feliz e natural. Acredito num desfile imponente, pois é um enredo muito rico em possibilidades. E isso me fascina! Estou numa fase muito feliz…
CN – O que costuma fazer nos períodos de folga?
Flávio Campelo – Gosto muito de ir ao cinema, teatro, museus… nas férias, uma boa viagem para renovar as energias e voltar 100%….

Educador e escritor Hamilton Werneck


Tão necessária para a formação do cidadão quanto para a construção de uma nação forte e competitiva, a educação é uma das grandes vulnerabilidades do Brasil. Algumas das queixas de educadores e demais especialistas do setor são que faltam investimentos e uma dose de boa vontade por parte dos governantes para solucionar os problemas relacionados a esta. Mas, o que pode ser feito para mudar o panorama atual? O Blog Carvalho News decidiu ouvir o pedagogo e escritor Hamilton Werneck, autor dos livros “Se você finge que ensina, eu finjo que aprendo”, “Professor, acredite em si mesmo”, entre outros, que falou sobre os desafios que a educação brasileira precisa enfrentar o mais rápido possível, para que possamos evoluir. Boa leitura!

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Blog Carvalho News – Como você avalia a educação atual brasileira?

Hamilton Werneck – Nossa educação vive num estado de contradição. Ela avança e retrocede. Seguia para um lado de criatividade, mas com a Reforma do Ensino Médio a impressão que houve um retrocesso. A educação está voltando para uma visão tecnicista e ainda por cima com uma série de projetos que não tem sentido dentro do país. Como, por exemplo, o Projeto Escola Sem Partido. As pessoas parecem que não querem que a formação seja cidadã e faça o indivíduo pensar. Então não pode discutir, tem que aprender conteúdos como se não fossem absolutamente neutros… Não se pode discutir nada. Então isso aí é uma meta que forma um idiota, que não sirva para nada. Ele vai ser, quando muito se aprender, um monstrinho treinado.

CN – Qual sua opinião sobre as políticas públicas em educação na atualidade brasileira?

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Professor Hamilton Werneck Foto: Érica Castro

Werneck – Como a situação está no momento, elas atendem o mínimo necessário, mas não atende ao investimento mínimo necessário que é exigido para que o país atinja um nível de desenvolvimento. Nenhuma nação do mundo conseguiu um nível muito alto de desenvolvimento sem educação. O que faz a pessoa não jogar papel na rua, manter o lixo protegido, não manter recipientes com água que podem fazer proliferar mosquitos que transmitam doenças é uma questão de educação. O Brasil está adotando uma educação voltada para o quadro da repetição. E isso é simplesmente definir que nós estamos estagnando a população num nível de subdesenvolvimento.

CN – Quais os pontos positivos e os negativos nas avaliações massivas (Ideb, Prova Brasil, Enem e Enade)?

Werneck – Há um crescimento gradativo muito lento, mas há um crescimento da Educação Básica. Onde cresce mais e onde cresce menos? Cresce mais onde há dedicação, onde o município trabalha a formação de seus professores; onde o município procura dentro das suas circunstâncias fazer o melhor. Inclusive, desenvolvendo a capacidade do aluno pensar. Funciona pior onde não há condições de trabalho, o salário do profissional está atrasado, onde não há dedicação, onde o município não coloca a educação como um elemento básico e fundamental. A situação está pior no Ensino Médio, que acabou se tornando enciclopédico, com uma quantidade de assuntos muito grande e pouca possibilidade de escolha por parte da pessoa. Aí entra a reforma aprovada, que permite escolhas mas diminui em várias áreas do saber disciplinas básicas que ajudam a pensar, tentando escapar de ideologismos. São o caso de Sociologia, Filosofia e Artes que foram reduzidas no currículo.

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Hamilton-Werneck- Foto: divulgação

CN – Falando sobre indicadores de uma Educação Básica de qualidade, quais as utopias e quais as realidades?

Werneck – Uma das utopias é procurarmos ter um ensino integral, para isso precisamos ter um espaço maior, professorado preparado para esse fim e disponibilidade de verba para sustentar essa despesa. É uma utopia que estava prevista com uma quantidade de percentual do PIB, a ser aplicado até 2024, quando o Plano Nacional de Educação completaria dez anos. Porém, com a reforma econômica que tivemos e as últimas Pecs aprovadas, tudo foi eliminado. Ou seja, a utopia fica mais na prática ela não conseguira ser efetivada. A outra questão, é que para ter um trabalho bom de educação, tem de haver um professor com capacidade de trabalhar bem com os alunos. Só que com uma certa idade o professor não aguenta mais trabalhar. E com a nossa perspectiva de aposentadoria e tempo de contribuição, sem considerar a educação como algo especial, nós teremos professores que depois de um determinado tempo não conseguirão ter bom desempenho diante de turmas grandes e isso é muito ruim para educação. Acho que quando pensaram na aposentadoria geral no Brasil, não lembraram que determinados trabalhos exigem muito esforço físico muito grande e que não consegue ser executado por uma pessoa depois de uma certa idade.

CN – Os órgãos de controle social em educação desempenham bem suas atribuições?

Werneck – Não. Eles não controlam a ponta do sistema. Não controlam a sala de aula, não sabem o que o professor esta fazendo em sala de aula. Se a aula é dada de modo que o aluno compreenda o assunto ou não. Há uma falha nas coordenações pedagógicas e nas supervisões. Supervisionam demais questões legais e de menos questões táticas didáticas e pedagógicas.

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CN – Quais as suas perspectivas em relação ao futuro da educação, para os próximos dez anos?

Werneck – Se manter o panorama atual, vejo uma dificuldade para termos tempo integral. Não vamos conseguir atender a emenda 20 da Constituição Federal de 1988, pois não haverá verba para isso. Significa que nós podemos perder uma geração que não terá tempo integral. Que ficará um tempo na escola e outro na rua, servindo a outras coisas escusas, que podem ser a prostituição infantil, drogas. Com o está o quadro, não vejo como aumentar de maneira significativa o salario do professor e suas condições de trabalho, tornando a carreira do magistério atraente. Não teremos professores capazes de ensinar e os alunos aprenderem. Vamos ter gente cansada, despreparada e desanimada.

CN – O que pode ser feito para mudar esse panorama?

Werneck – A mudança da visão política educacional que está altamente atrasada. Não se está pensando na formação do professor e na melhoria das condições do trabalho. Educação não é algo prioritário. Um país para se tornar uma potência precisa de cinco condições. O Brasil tem três, que são extensão territorial, água suficiente e matéria prima. Nos faltando uma boa saúde e boa educação. Se essa duas foram bem cuidadas podemos progredir. Qual o capitalismo queremos?  Caminhar na direção que irá nos tornar um país subdesenvolvido ou capitalismo semelhante ao da Austrália? Não temos que ter uma mão de obra barata por que não estuda. Temos que possuir uma mão de obra cara por ser bem preparada, que promova um grande ganho permitindo uma melhor distribuição de renda.

http://www.hamiltonwerneck.com.br/principal.html

O dublador Márcio Dondi


A voz dele é conhecida por muitos de vocês que apreciam os documentários dos canais Discovery, Nat Geo, Fox Life e TV Escola. Há também que o reconheça pelas dublagem dos personagens “Ultron, em Os Vingadores – A Era de Ultron”; Teobaldo da Novela do SBT “Coração Indomável”; O imperador  Zarkon em “Voltron – O Defensor do Universo”, “Contratempo em Ben 10”, entre outros. Márcio é graduado em Publicidade e Propaganda e apaixonado pelo que faz. “A dublagem é uma especialidade do ator, somos “atores em dublagem”, declara. Márcio recebeu gentilmente a reportagem do Blog Carvalho News para falar sobre a dublagem e também sua carreira. Boa leitura!
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Márcio Dondi Fotos: divulgação
 
Blog Carvalho News – Por que decidiu se tornar um dublador?
Márcio Dondi – Sempre tive um registro de voz grave, por isso ouvi durante todo início de minha vida, de pessoas de meu círculo de amigos e família, que devia tentar trabalhar com a voz e então minha fascinação pela dublagem veio crescendo e aos 24 anos dei início a minha carreira.
CN – Como foi o início de sua carreira?
 Márcio Dondi – Comecei estudando locução em 1994 e como sempre tive facilidade pra leitura (estudava quando criança, lendo de frente para o espelho como se estivesse de frente para uma platéia), comecei como locutor publicitário em RD/TV.
Em 1999 estudei dublagem pela primeira vez com o ator e dublador já falecido Hamilton Ricardo, depois disso meu amor pela profissão só cresceu, eu ainda não era ator mas fiquei encantado com aquele trabalho, e percebi que era exatamente aquilo que queria de meu futuro, de minha vida, daí não parei mais, tudo que fiz foi direcionado a minha carreira e felizmente tive um bom retorno.
CN – Chegou a fazer algum curso de aprimoramento ou especialização ligado a área de dublagem?
Márcio Dondi – Sim. Não poderia ser diferente.Em primeiro lugar cursei artes cênicas, a dublagem é uma especialidade do ator, somos “atores em dublagem”.Minha profissão de locutor me ajudou muito no teatro, é claro, além de participar também como auxiliar de produção, aprendiz para ser mais claro, também fiz gravações de áudio para várias produções, e só conclui o teatro em 2005.A partir daí comecei  efetivamente meu caminho na dublagem, quando conheci um dos Papas da comunicação, o locutor, narrador e dublador Marcio Seixas.Com Marcio passei dois anos me especializando não só em dublagem, mas também em locução.Marcio Seixas foi o diferencial em minha vida profissional, grande parte do pouco que sei, aprendi com esse sujeito e tenho uma gratidão de vida eterna com ele. Depois disso, já atuando, estudei mais um ano de dublagem com outra doce e competente amiga, a atriz e dubladora Fernanda Crispim, uma das vozes mais doces e gostosas de se ouvir, com quem também aprendi mais um pouquinho e tenho também outra dívida de gratidão.
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CN – Para quais personagens já emprestou sua voz?
Márcio Dondi – Tenho um carinho especial por todos os meus personagens, sempre me dedico a dar o meu melhor para cada um deles, seja no cinema ou na TV, em longas, séries ou novelas, mas alguns sempre marcam mais e ficam na lembrança como por exemplo o vilão ULTRON em “VINGADORES – A ERA DE ULTRON” onde dublei James Spader. O divertido JULIUS na série da FOX “SURVIVOR’S REMORSE” onde dublei o hilário Mike Epps.O correto DEPUTADO AGUSTIM MORALES em “A DITADURA PERFEITA”, um longa da Netflix onde dublei Joaquim Cosío e o sensível TEOBALDO na novela do SBT  “CORAÇÃO INDOMÁVEL” onde dublei Manuel Landeta.
CN – A dublagem brasileira é mesmo uma das melhores do mundo?
Márcio Dondi -Difícil afirmar isso, acho até que seria deselegante com colegas de outros países, e a verdade é que ultimamente temos sido surpreendidos com alguns trabalhos fora do eixo Rio/São Paulo que tem deixado muito a desejar.
CN – Em relação à remuneração: qual é o salário de um dublador iniciante?
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Márcio Dondi – Isso varia de profissional para profissional, dependendo da qualidade do trabalho.
CN – Como você avalia o mercado de dublagem brasileiro, nos dias atuais?
Márcio Dondi – Acho que o otimismo faz parte de minha vida, acredito sempre que estamos e estaremos bem, mas alguns colegas estão muito desapontados com esses “trabalhos” sem qualidade vindos de praças sem nenhum histórico de dublagens, inclusive de fora do país também como Buenos Aires e Miami, o que tem contribuído para algumas críticas bem negativas.
Precisamos que o público se manifeste mais, que reclame, que deixe de assistir a determinada emissora que não se preocupa com a qualidade do serviço oferecido (vendido) aos telespectadores. O manifesto e a opinião pública são fundamentais!
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Imperador Zarkon – Voltron: O Defensor do Universo
CN – Quais os aspectos positivos de atuar como dublador?
Márcio Dondi -Sou suspeito para responder essa questão, porque sou um apaixonado pela minha profissão e estou sempre pronto a dar minha colaboração para condições melhores.
CN – Existe algum aspecto negativo?
Márcio Dondi -Sim. Justamente essa concorrência desleal que mencionei nas respostas anteriores, de trabalhos vindo de praças que não valorizam a qualidade do trabalho artístico, pensam somente na questão financeira e não se preocupam em se gabaritar para oferecer um trabalho digno, que respeite o telespectador. Por tudo isso, pesquisas e entrevistas como a sua, são fundamentais para que o grande público entenda um pouquinho mais de nossa arte, de nossa grande paixão! Muito obrigado a todos, fiquem bem e na paz!

Escritora Cláudia Stocker


Os especialistas são praticamente unânimes ao afirmar que a leitura traz inúmeros benefícios à saúde dos seres humanos. Entre eles podemos destacar a ativação da memória e o alívio do estresse. Ler também nos possibilita adquirir novos conhecimentos. Na contra mão de tudo isso nos chega a informação de que uma parcela significativa de brasileiros não sabe ler. Por que em pleno século XXI isso ainda ocorre? O que pode ser feito para reverter esse panorama? A reportagem do Blog Carvalho News decidiu ouvir a escritora Cláudia Teresinha Stocker, autora do livro “O Incentivo à Leitura – Através da Arte de Contar Histórias”, que falou sobre a importância da figura dos responsáveis para despertar o interesse pela leitura nas crianças e adolescentes, bem como, sobre o Projeto #Eu Leio. Cláudia é formada em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade Tiradentes em Aracaju/Se. Pós-graduada em Gestão da Informação pela Universidade Federal de Sergipe e em Educação, Artes, Estética e Museus pela Faculdade Pio Décimo – Aracaju/Se. A escritora é Vice-Presidente da Associação Profissional dos Bibliotecários e Documentalistas de Sergipe – APBDSE. E, atualmente, está na direção da Biblioteca Pública Infantil em Aracaju onde desenvolve atividades de incentivo a leitura junto a comunidade.Ficou curioso (a)? Então aceite o nosso convite e leia essa entrevista.

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Cláudia Stocker Foto: divulgação

Blog Carvalho News – Por que o brasileiro não gosta de ler?

Cláudia Stocker – A Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil em sua 4.ª edição (2015) apontou que 44% da população brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro. Se em 2011 os leitores representavam 50% da população, em 2015 eles passaram a 56%, o que ainda é pouco. O índice de leitura indica que o brasileiro lê apenas 4,96 livros por ano. Portanto, a questão de gostar ou não de ler depende de muitos fatores. As pessoas não leem por falta de interesse, falta de tempo para se dedicar a leitura, alto preço dos livros no Brasil, falta de incentivo, seja em casa ou na escola, e até mesmo pelo não acesso ao livro.

CN – Qual importância das HQs na criação do hábito da leitura nas crianças?

Cláudia Stocker – Incentivar a leitura no público infantil tem sido um desafio diante de tantas opções de lazer e entretenimento nos dias atuais. Os HQ´s sempre atraíram a atenção de leitores e são usados como estratégia para incentivar a leitura em qualquer idade. Não há quem não se divirta ao ler quadrinhos. Os Famosos Tio Patinhas, Pato Donald e demais personagens da Disney, encantaram diversas gerações de leitores de Gibis. Depois veio a Turma da Monica, super-heróis e hoje em dia os Mangás japoneses. Incluir o Gibi como fonte literária para as crianças é muito importante por ser uma literatura de fácil entendimento e divertida e desta forma, a criança pode despertar o gosto pelos demais gêneros literários.

CN – O que a motivou a escrever O Incentivo à Leitura – Através da Arte de Contar Histórias?

Cláudia Stocker – O que me motivou a escrever foi a vivência com a temática, pois como eu estava trabalhando projetos de incentivo à leitura, sempre me deparava com questionamentos a respeito. O Incentivo a Leitura através da arte de contar histórias foi tema de meu TCC de Pós-graduação. O trabalho ficou muito bom e resolvi transformá-lo em livro para compartilhar com as pessoas a minha experiência, já que cito na obra os projetos desenvolvidos e bem-sucedidos no segmento da biblioteca infantil. A contação de histórias tem feito parte do meu fazer profissional a mais de 10 anos, por isto a motivação em escrever sobre o assunto.

 

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CN – Como pais e responsáveis podem despertar em jovens e crianças o gosto pela leitura?

Cláudia Stocker – É importantíssimo que a criança já tenha contato com a leitura desde o ventre materno, ou seja, contar histórias ou ler para o bebê ainda na barriga, já é um bom início. E como querer ter filhos leitores se em casa não se tem pais leitores? A criança tem nos pais um espelho e exemplo, portanto ver os pais lendo um livro, um jornal ou revista, já incentiva a criança a fazer o mesmo. Assim como ler em família, ter um momento para sentar com a criança e ler para ele, contar uma história, se divertir com a literatura.

CN – Como os professores e demais profissionais de educação podem auxiliar os estudantes a despertarem o gosto pela leitura?

Cláudia Stocker – A iniciação se dá em casa, em família, mas continua na escola. Só que a leitura na escola deve ser prazerosa e não obrigatória e imposta. Sou contra esta palavra de “Leitura Obrigatória”, os livros que a escola escolhe para serem lidos no decorrer do ano. Nada que seja obrigado é prazeroso, portanto, a leitura deve ser de livre escolha para que se crie o hábito e o gosto. Ou se não, estaremos afastando os estudantes da leitura. Eles já precisam ler os livros didáticos para aprender as matérias. Se impormos os livros literários também…o que esperar? Cada pessoa tem seu gosto e estilo literário e isso deveria ser respeitado nas escolas.

CN – Existe alguma forma de tornar o ambiente de uma biblioteca mais convidativo?

Cláudia Stocker – A biblioteca de hoje não é vista mais como um lugar de extremo silêncio onde só se estuda e pesquisa. A Biblioteca hoje é um espaço multicultural que dialoga com as diversas linguagens: música, dança, artes, teatro, etc… Deve ser um espaço atrativo e dinâmico onde as pessoas se encontram e compartilham informações e conhecimentos. Portanto oferecer a comunidade diversos serviços e atrações que vão além da pesquisa e estudo (saraus, contações de histórias, oficinas temáticas, cursos, palestras, exposições, entre outros), pode atrair mais usuários.

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Projeto #Eu Leio Foto: divulgação

CN – Fale-nos sobre o Projeto #Eu Leio.

Cláudia Stocker – O Projeto #EuLeio! é um projeto iniciado em Sergipe em parceria com a Rede Ler e Compartilhar (Maceió), programa de circulação de acervos, formação de leitores e orientação para mediação literária por meio de ações colaborativas de circulação de acervos que pretende levar centenas de títulos infanto-juvenis para escolas públicas. Em Sergipe O projeto #EULEIO!, teve acervos doados pela Rede Ler e Compartilhar, e em abril iniciou sua circulação em 6 escolas públicas por meio de sacolas literárias (com 35 livros) que ficarão por 6 meses nas escolas para leitura dos alunos. Depois as sacolas serão trocadas e assim, os alunos terão uma grande variedade de títulos para lerem.

O projeto que tem a escritora Claudia Lins (Maceió) como coordenadora geral, aposta no poder dos livros e da mediação literária orientada como um potencial ilimitado para a transformação social e o acesso à cidadania, desta forma, acredita-se que é possível formar uma grande teia de incentivo à leitura em nosso imenso Brasil, unindo pessoas físicas e empresas em torno de um objetivo: criar ou dinamizar espaços e projetos de leitura beneficiando pessoas e instituições que desejem promover a cultura literária em suas comunidades. Aqui em Sergipe o projeto está sob minha coordenação através da Biblioteca Pública Infantil.

CN – Deseja acrescentar algo?

Cláudia Stocker – Finalizo com a seguinte frase: Leia um bom livro e seja feliz, delicie-se na imortalidade da literatura, viva de páginas, frases e esperanças. Leia mais, um mundo de imaginação espera por você!

 

Banda Pholhas


Eles são como o vinho: melhores a cada ano que passa. O Grupo Pholhas está a todo vapor e com planos de lançar seu novo cd em breve. “Temos a pretensão de realizá-lo e lançá-lo ainda em 2017”, garantem. Sobre o atual cenário musical, os músicos acreditam que não mudou muito: “o mais difícil é repetir o sucesso mais de uma vez, mas na verdade, sempre foi assim, realizar um novo hit é raro, e isso também depende de mídia adquirida e mais outros ‘n’ fatores”, avaliam. A banda recebeu a reportagem do Blog Carvalho News para falar sobre sucesso, projetos, fãs e muito mais. Quer saber das novidades deste talentoso grupo? Então, não perca tempo! Boa leitura!

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Banda Pholhas Fotos: divulgação

Blog Carvalho News – Quanto tempo a Banda Pholhas tem de estrada?

Banda Pholhas – Os Pholhas completaram 48 anos de atividade em fevereiro de 2017, sendo assim uma das mais longevas no cenário artístico musical brasileiro.

CN – Há alguma banda ou cantor que serve de inspiração para vocês?

Banda Pholhas – primeiras influências vêm da década de 1960, com Beatles, Rolling Stones, The Who, Steppen Wolf, Bloodrock, Grand Funk Railroad,  falando dos roqueiros e Bee Gees,  Classics IV, B.J.Thomaz, Johnny Rivers, dos baladeiros.

CN – Como vocês avaliam o nosso atual cenário musical?

Banda Pholhas – O cenário musical não só brasileiro, mas mundial, atualmente é muito dinâmico devido ao tipo de comunicação existente, absurdamente frenética, que conduz os artistas a uma produção desenfreada e em função de um filtro cada vez mais exigente produz sucessos fugazes, porém popularíssimos. O mais difícil é repetir o sucesso mais de uma vez, mas na verdade, sempre foi assim, realizar um novo hit é raro, e isso também depende de mídia adquirida e mais outros ‘n’ fatores.

CN -My Mistake e She Made Me Cry são alguns de seus hits. O que é necessário para que uma canção caia no gosto popular?

Banda Pholhas – Quando se consegue emplacar um primeiro sucesso, a mídia e o público se preparam para a próxima novidade, facilitando assim sua divulgação inicial, porém o produto tem que ser bom e de acordo com a expectativa. No caso dos Pholhas, assim ocorreu com os seguidos sucessos ‘She made me cry’ e ‘Forever’ – foram 3 discos de ouro na sequência, praticamente um a cada ano de 1973 a 1975.

CN – O que os membros do grupo costumam ouvir e apreciar?

Banda Pholhas – Cada um com seu gosto individual em função de suas experiências musicais, o Paulinho Fernandes(bateria) ouve muito Jazz Contemporâneo, Fusion(JazzRock) e algumas pérolas da MPB tais como Ivan Lins, Djavan, Dori Caimmy, Milton Nascimento e Elis Regina;   Bitão(guitarra) curte Rockn’Roll, MPB e World Music;  João Alberto(contrabaixo) ouve Jazz em todas suas nuances, e Elias Jó(teclados)curte também muito Jazz, MPB em suas variadas modalidades e Rockn’Roll.

CN – Sobre o repertório. Como é feito esse processo de composição e escolha das melodias?

Banda Pholhas – Os Pholhas em toda sua carreira sempre trabalharam juntos, e as principais canções foram assim compostas, normalmente durante os ensaios e trabalhos em estúdio com as contribuições individuais que ao final redundavam no ‘jeito’ ou ‘estilo’ Pholhas. Dessa forma foi feito o último produto, as 4 músicas do novo EP – Pholhas cantam as músicas do Rei Roberto Carlos – nova roupagem às canções originais dos anos 1960.

CN -“Pholhas 45”. O que esse cd representa para vocês?

Banda Pholhas – Pholhas 45 anos – possibilitou-nos, em algumas músicas, agregar detalhes tanto instrumentais como vocais que trouxeram uma sonoridade atualizada e, em outras, novos arranjos que satisfizeram nossos planos antes da gravação em si. Trouxe um envolvimento bom e genuíno entre os componentes, e também com os técnicos de gravação como há muito não se via na banda. A colaboração foi total e o resultado muito nos satisfez, motivando-nos a novos trabalhos.

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CN – Como anda os preparativos para o novo cd?

Banda Pholhas – Estamos na fase de pesquisa, composição e algumas decisões sobre o formato desse novo trabalho, e temos a pretensão de realizá-lo e lançá-lo ainda em 2017.

CN – O Pholhas já levou sua música para fora do país. Qual a melhor lembrança que vocês guardam dessas turnês?

Banda Pholhas – HOJAS – êsse é o nome do LP que a gravadora RCA lançou na Espanha e países de língua espanhola da América Latina. Para isso, os principais sucessos My mistake e She made me cry foram regravados em espanhol na época. Apesar de não ter sido lançado nos EUA, a comunidade hispânica tomou conhecimento do disco em vinil, o que nos possibilitou realizar um belo show em New Jersey em fevereiro de 1975.

CN – Quais os projetos da banda? Há alguma novidade que possa nos adiantar?

Banda Pholhas – Os projetos não param e a banda Pholhas investe em novidades frequentes para as apresentações ao vivo com um moderno audiovisual e as gravações com novas canções que devem ser realizadas ainda êste ano. Além disso, existe o trabalho junto ao seu grande número de fãs, utilizando as ferramentas da internet, imprescindíveis hoje para comunicação rápida e criativa.

CN – Vocês muitos fãs. Qual a mensagem que gostaria de deixar para eles?

Banda Pholhas – A mensagem que toda comunidade ‘Pholhas’ espera é “o show não pode parar” e novidades estarão por aí para muito breve.  Uma banda com todo êsse sucesso alcançado ao longo dessas décadas todas não tem como ser brecada pois já atingiu velocidade de cruzeiro. E assim continuará.

 

 

Narciso Santiago o Cowboy Apaixonado


Ele é considerado a nova revelação do Arrocha Sertanejo. Narciso Santiago, o Cowboy Apaixonado, natural de Nova Canaã (BA) é um cantor que encanta pela simplicidade, talento. Seu hit “Joia Falsa”, sua atual música de trabalho vem cativando pessoas de norte a sul do Brasil. O artista recebeu a reportagem do Blog Carvalho News para falar de carreira, projetos, frustrações e muitos mais. Quer conhecer melhor esse Cowboy? Então não perca mais tempo e leia essa entrevista.

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Narciso Santiago, o Cowboy Apaixonado                Fotos: divulgação

Blog Carvalho News – De onde surgiu o nome Cowboy Apaixonado?

Narciso Santiago – Quando eu sai da Banda Love Sertanejo, para fazer carreira solo, precisava de uma identidade, ai lembrei do cantor que sou fã da nossa região que usa o nome de Netinho do Forró, o Vaqueiro Cantador, e, como sempre curti o estilo romântico, decidi em uma pesquisa que havia feito usar o nome de Narciso Santiago o cowboy apaixonado, que por sua vez foi bem aceito pelos meus fãs e amigos e pelo publico em geral.

CN – Quando você descobriu que possuía talento musical?

Narciso – Comecei ainda muito cedo, aos 11 anos. Iniciei fazendo participações especiais na igreja e em seguida, devido ao meu desempenho e técnicas vocais que estava adquirindo com certa facilidade, logo fui convidado a participar do coral masculino na igreja e logo após comecei a fazer parte do coral principal.

CN – Você foi vocalista da dupla sertaneja Santana & Santiago e integrante da Banda Love Sertanejo. De lá para cá, o que mudou em sua vida?

Narciso – Bom posso dizer que mudou tudo e radicalmente, pois sempre dividi o palco com outras pessoas, e de repente me vi fazendo carreira solo e tendo que encarar os palcos sozinho, então com isso aumentou a minha responsabilidade e vontade de cada vez mais dar o melhor de mim.

CN – Você é natural de Nova Canaã (BA). Qual sua relação com sua cidade e suas origens?

Narciso – Sim,  nasci e me criei em Nova Canaã e também minha família são todos de lá, e a relação minha e a cidade é de uma insatisfação muito grande da minha parte, pois a 12 anos cantando profissionalmente, nunca pude me apresentar em minha cidade, ou seja os gestores e administradores de Nova Canaã nunca me deram oportunidade e me contratou pra fazer um show para meu povo minha gente, posso dizer que no Brasil ou no mundo eu Narciso Santiago, sou o único artista cantor que nunca se apresentou na própria cidade de origem e nascimento (terra natal) a população me abraçou e está ansiosa para ver um show meu ao vivo. Mas, infelizmente ainda não aconteceu, e para amenizar um pouco cheguei a distribuir gratuitamente para a população mil CDs, através de amigos e da rádio Canaã FM. No meu entender e pelos acontecimentos, na cabeça de alguns não é viável valorizar os artistas da terra.

 

CN – Você parece ser muito apegado à família. O que ela significa para você?

Narciso – Família é a base de tudo, e comigo não é diferente, fui educado dessa forma valorizar sempre uma das obras primas de Deus que é a família.

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CN – O cenário musical mudou bastante nos últimos tempos. Você acredita que atualmente está mais complicado se tornar um artista de sucesso?

Narciso – Não acredito nisso não, sabemos que realmente é difícil porem quem insiste e persiste acaba conseguindo fazer sucesso com certeza. O incrível disso tudo é que chega uma hora que ninguém mais acredita em você e nos teus sonhos. E é ai que a pessoa não pode parar ou desistir. Eu penso assim tipo, (a verdadeira condição para um milagre, são as dificuldades, e a verdadeira condição para um super milagre, é a impossibilidade e é ai que Deus atua).

CN – Quem o Cowboy Apaixonado costuma ouvir?

Narciso – Eu ouço de tudo um pouco, sou bem eclético, porem curto bastante além do meu estilo que é o arrocha sertanejo, o sertanejo raiz e a musica gospel.

CN – Jóia Falsa é a sua atual música de trabalho. Ela possui alguma história?

Narciso – Verdade, essa musica conta a história de um homem que tinha a sua mulher e vivia dando umas puladinhas de cercas e entre uma pulada e outra, se iludiu com uma mulher que não tinha só ele como parceiro ou melhor, como homem. E ela vivia ficando com mais de uma pessoa nas noitadas, e ele se apaixonou e iria deixar a mulher com a qual já vivia há um tempo para ficar com a que estaria apaixonado. Foi ai que ele acordou e abriu os olhos, conseguindo enxergar na verdadeira mulher dele um amor que ele achava não mais existir e acabou ficando com a mulher que verdadeiramente o amava.

CN – Como você escolhe o seu repertório?

Narciso – Meu repertorio é escolhido sempre com muito carinho pois eu preso em dar o melhor pra meus fãs e amigos, devido a ser de uma família tradicional e de maioria evangélica, eu busco sempre musicas com letras que não fazem nem um tipo de apologias errôneas ou letras epicenas e que não tem nem um tipo de agressividade.

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CN – Quais as parcerias musicais que gostaria de formar?

Narciso – Tenho sonhos como todo mundo e dois deles é um dia poder dividir o palco com Leonardo e Chitãozinho e Xororó.

CN – Quais os seus projetos?

Narciso – Tenho alguns, por exemplo: continuar cantando sempre, e criar em minha cidade um (centro de recuperação de idoso, um lugar onde os idosos terão estímulos e cuidados necessários). E também um que é muito importante pra minha cidade, criar uma praçaoteca é uma espécie de biblioteca em todas as praças, para estimular a pratica de leituras para as crianças, adolescentes, jovens e adultos, dizem os sábios que quem ler mais, são mais inteligentes.

CN – Já passou por alguma situação engraçada envolvendo fãs?

Narciso – Já, engraçada não sei, talvez constrangedora, uma vez realizando um show teve um pequeno intervalo pra ir ao banheiro desci do palco e caminhei sentido ao banheiro e ao me aproximar me deparei com uma mulher que estava curtindo o show com o marido ou companheiro dela, deu pra ver que ela estava usando aliança e ai ela queria me agarrar e me beijar a força, perguntei mas você não esta acompanhada ela me disse que sim, mas falou com ele (companheiro) que também iria ao banheiro pra ele não levantar suspeita e que ela queria de qualquer forma me beijar porque ela disse que sentia atrações por homens de barba ai dei risadas e pedir logo ajudas a um dos produtores do evento, foi que o rapaz veio e me ajudou a me livrar daquela situação.

CN – Qual a mensagem que gostaria de deixar para seus fãs?

Narciso – Quero dizer a todos os meus amigos, fãs, simpatizantes do nosso trabalho em geral que: por mais difícil que seja o seu problema nunca desista de lutar, eu, você ou melhor nós somos uma das obras primas de Deus. Ele sendo Deus nunca desistiu de nós então não devemos desistir nunca dos nossos sonhos e objetivos. A melhor forma de conseguir vencer qualquer batalha e obstáculos, é dobrando e jogando os joelhos no chão, orar e conversar com Deus. Quero agradecer a todos que de alguma forma contribuíram para que tudo isso viessem acontecer, grato a Deus sempre.

 

Lívia Andrade


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Lívia Andrade Foto: divulgação

Ela é linda, espirituosa, alegre, franca e talentosa. Lívia Regina Sorgia de Andrade, ou Lívia Andrade é uma daquelas artistas que agrada de crianças a idosos. Ela também é sinônimo de carnaval talvez por sua longa passagem à frente da bateria da escola de Gaviões da Fiel de São Paulo. Lívia também é presença certa no quadro dominical “O Jogo dos Pontinhos”, no Programa Sílvio Santos (SBT), geralmente dando respostas muito engraçadas. Difícil imaginar que, quando jovem, a atriz era inibida. “Na época da escola eu era muito tímida”, revela. Entre um compromisso e outro, Lívia recebeu gentilmente a reportagem do Blog Carvalho News para falar da carreira, inveja no meio artístico, planos e muito mais. Quer saber mais? Então leia a entrevista a seguir.

Blog Carvalho News – Você iniciou sua carreira aos 13 anos, como modelo, realizando algumas campanhas publicitárias. Naquela época quais eram os seus planos?

Lívia Andrade – Naquela época eu só queria começar a trabalhar para ter minha independência financeira e começar a ser alguém na vida, o meio da moda e o meio artístico meio que entraram na minha, e como entrava uma grana legal, achei interessante, afinal eu queria ganhar meu dinheiro.

Blog Carvalho News – De que forma essa rotina de trabalho impactou sua vida?

Lívia Andrade – Mais jovem eu tinha muita disposição para trabalhar e não queria perder nada, porém dependia da ajuda da minha mãe ou tio pra me levar e acompanhar, é um meio perigoso cheio de gente querendo tirar proveito e eu já sabia que deveria tomar alguns cuidados como não ir sozinha pra lugar nenhum, acho que atrapalhei a vida deles um pouco (risos). Eu estudava nessa época e sempre fui boa aluna, nunca repeti ou fiquei de recuperação. A única coisa chata e que me atrapalhava as vezes eram os outros alunos, como eu aparecia na TV ou em alguma campanha ficava ouvindo gracinhas e provocações o tempo todo. Isso me dava preguiça e tinha dias que eu não queria ir pra escola para não ter que passar por isso, era muito tímida na época.

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Lívia: “A música sempre me perseguiu” Foto: divulgação

Blog Carvalho News – Você já gravou dois álbuns nos estilos Pop e Funk Carioca, além da música “Sou Corinthiana”. Quando percebeu que possuía talento musical? E por que não investiu nessa área?

Lívia Andrade – .A música sempre me perseguiu, fiz até umas aulas de canto porque cantar era uma maneira de ganhar dinheiro, ter o que vender no caso, no Programa Fantasia a gente já fazia shows pelo Brasil cantando e dançando, depois veio o grupo Mallandrinhas e a gente se apresentava cantando também. Na época eu não gostava de cantar, ficava bem nervosa e irritada dentro do estúdio pra colocar voz. Já quiseram investir nisso no passado, eu iria gravar o álbum no Japão e lançar aqui mas não quis ir… cantei em Carrossel, tem música minha em dois CDS e fiz muitos shows de Carrossel pelo Brasil todo. Cantei o tema de final de ano do SBT. Já fiz parceria com outros grupos e já tive músicas tocando em rádios pelo Brasil todo ficando entre as mais pedidas. Mas sempre vou pra onde a vida me leva, pra onde está rendendo mais (risos) não dou murro em ponta de faca, sou ansiosa e imediatista. Como artista acho que tenho que fazer um pouco de tudo e que mais me encanta são os shows, toda produção para uma apresentação e acho que meu talento musical é limitado perto de tantos talentos que temos por aí.

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Lívia e o apresentador Sílvio Santos. Reprodução do Instagran

Blog Carvalho News – “Você já atuou na peça “Aconteceu com Shirley Taylor”, no filme “Simplesmente Natasha”, bem como nas novelas “Corações Feridos” , “Carrossel” e “Vende-se Um Véu de Noiva” Como se preparou para interpretar esses personagens?

Lívia Andrade – Estudei teatro por um tempo, trabalhei com grandes talentos e aprendi muitas coisas na prática com grandes artistas dos quais tive o prazer de trabalhar, fiz parte do elenco da Praça é Nossa por uns anos e acho que tenho uma certa facilidade para me transformar. Sempre quis fazer parte do elenco de uma novela, fiz muitos testes até chegar a minha vez e conseguir um papel… comecei fazendo figuração, depois participações , até conseguir um papel. O primeiro foi Janaina em Corações Feridos, depois veio Suzana em Carrossel e Barbara em Chiquititas.

Blog Carvalho News – Suas características mais evidentes são a espontaneidade e a coragem para dizer o que pensa. O que dá medo em você?

Lívia Andrade – Aprendi a ter coragem pra enfrentar a vida de frente, não ter medo! O que me assusta são as pessoas cada vez mais superficiais, sem personalidade, sem voz ativa! Acabam perdendo a essência e a individualidade, vivem fazendo média e política, tentando se enquadrar ou seguindo padrões  Como não faço média e nem política perco muitas oportunidades, mas mesmo assim não tenho medo é preciso aceitar o sistema e ir até onde eu posso e suporto pois preciso ter paz para ser feliz. No dia que perder minha essência ou mudar meu jeito de ser perco a paz e aí pra mim não serve!

Blog Carvalho News – Quais as melhores lembranças que você guarda na memória?

Lívia Andrade – São muitas… muitos momentos de total felicidade, coisas estranhas que aconteceram também, momentos de risco e perigo dos quais passei e superei. Da pra escrever um livro (risos) memórias boas ou ruins todas foram importantes e fizeram de mim quem sou hoje.

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Lívia é presença marcante no carnaval Foto: Léo Franco Ag. News

Blog Carvalho News – Muitos afirmam que o ambiente televisivo é cruel, em virtude da grande concorrência, vaidade, fofoca e inveja. Como você se protege desses sentimentos e de pessoas negativas quando as identifica?

Lívia Andrade – Em todo lugar tem..  mas o meio artístico é realmente premiado (risos) além de ter muita fé, rezar bastante eu me afasto, evito contato e quando tenho que conviver trabalhando, quando  chego em casa tomo um belo banho de sal grosso ou ervas pra descarregar as energias negativas.

Blog Carvalho News – Ser uma pessoa pública tem um lado bom e outro ruim. Qual sua estratégia para manter sua vida pessoal preservada?

Lívia Andrade – Não usar coisas da vida pessoal ou pessoas para se promover… o que devemos divulgar é o nosso trabalho apenas. Se não tenho nada de interessante, fico quietinha na minha. A partir do momento que você abre sua vida pessoal vai ser cobrada para sempre. Não gosto de expor as pessoas e nunca precisei usar alguém ou um relacionamento para aparecer ou me promover, então nunca tive esse tipo de problema.

Blog Carvalho News – Quais são seus projetos?

Lívia Andrade – Não faço projetos. Não lido bem com as mudanças de planos do meio do caminho, prefiro me surpreender sempre do que me frustrar com algo que pode não dar certo! Deixo a vida me levar…

Blog Carvalho News – Qual a mensagem que gostaria de deixar para os leitores do blog?

Lívia Andrade – Estejam preparados para receber as oportunidades que a vida dá… nem sempre o que está reservado pra gente é o que queremos. Sonhem mas mantenham os pés no chão. O nosso destino e os planos de Deus com certeza são melhores e maiores do que a nossa vontade própria.

 

Youtuber Whindersson Nunes


Com mais de 20 milhões de inscritos em seu canal e vídeos com mais de 9 milhões visualizações, o comediante e youtuber Whindersson Nunes é um exemplo de sucesso. Aos 22 anos, esse piauiense de Palmeira do Piauí, também atua como ator em filmes como “Os Penetras 2”. Whindersson ainda encontra tempo para fazer Stand-Up por todo Brasil. Quer conhecer um pouco mais o Lampião do Piauí? Então leia a entrevista a seguir.

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Fotos: Beto Moraes

Blog Carvalho News – Você possui aproximadamente sete anos de Youtuber.  Como explica o sucesso do seu canal?

Whindersson Nunes – Eu acredito que é o comprometimento que tenho com cada um dos meus seguidores. Pretendo fazer todos os dias, todos os meus vídeos com o mesmo carinho de sempre.

CN -Como é o seu processo de criação?

Whindersson Nunes – Meu processo sou eu e minhas ideias. O que me chama atenção eu gravo, agora por exemplo, estou num hotel aqui em Nova Iorque e tem um serviço que me chamou atenção, provavelmente vai virar vídeo. risos.

CN – Você é muito jovem e já se tornou uma referência de sucesso. Como isso afeta o seu dia a dia?

Whindersson Nunes – Recebo tanto carinho dos meus fãs, que faço isso com o maior prazer. Amo ser reconhecido nas ruas.

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CN – Existe algum profissional que influenciou ou influencia o seu trabalho?

Whindersson Nunes – Eu tenho liberdade para falar o que eu quiser na hora que eu quiser. Eu venho agradando muita gente, risos.

CN – Atualmente, vivemos a era do politicamente correto. É comum encontrar artistas que se envolvem em sérias polêmicas seja por uma declaração infeliz ou simplesmente por causa de uma piada mal recebida por parte do público. Você já passou por isso? Tem esse tipo de preocupação ao elaborar o seus roteiros?

Whindersson Nunes – Procuro não me envolver com esses temas, não é meu objetivo como influenciador digital.

CN – Quais as novidades que esta reservando para o seu público?

Whindersson Nunes –  Ah, tem show novo batendo a porta, tem filme saindo do forno, tem participação em clipe do Luan Santana, muita coisa!!!

Banda Uns e Outros


“Cartas aos missionários” e “Dias vermelhos ” são dois dos sucessos de uma banda que talvez voce, que tem menos de 35 anos, não tenha tido a oportunidade de conhecer. Estamos falando da Uns e Outros. A boa notícia é que Marcelo Hayena, vocalista da banda, aceitou falar com a reportagem do Carvalho News sobre a politica, carreira, Rock nacional e, lógico, a Uns e Outros. Quer saber mais sobre esse grupo musical? Então não perca a entrevista a seguir!

Uns e Outros

Blog Carvalho News – Nos anos de 1980 era comum ouvirmos musicas cujas letras criticavam o momento político da época. Outras demonstravam indignação com questões sociais, tudo isso embalado por arranjos musicais coerentes que nos divertiam mais também nos levavam a uma reflexão. Por que isso quase não acontece nos dias atuais?

Marcelo Hayena: Sinceramente não sei…Os tempos são outros, né? Talvez não tenhamos mais problemas…Talvez tenhamos nos transformado na Suécia? Quem sabe? rsrsrsrsr. A verdade é como poesia, o problema é que a grande maioria das pessoas detesta poesia….rsrsrsrsrsrsrs

CN – Nos dias de hoje, uma banda de Rock alternativo consegue ter êxito em nosso país?

Marcelo Hayena: Hoje, no Brasil, qualquer um que não faça música sertaneja está fazendo música alternativa. O Rock nacional tem seu público e este público está ávido por coisas novas. Se você faz um trabalho honesto, acredita e aposta na proposta, a chance de conseguir alguma coisa, mesmo neste monopólio do mercado, é plausível. O conselho que dou é: Não pensem muito sobre essas questões de mercado. Peguem seus instrumentos e mandem ver!!!

CN – Como surgiu a Banda Uns e Outros? E qual era a proposta inicial dos músicos?

Marcelo Hayena: A banda surgiu em 1983. Eu e Gueu nos conhecemos desde garotos e montamos primeiro uma banda chamada Extrema Unção que nem chegou a se apresentar ao vivo e durou bem pouco. Logo depois, formamos o Uns e Outros. No início, nossa pretensão era tomar umas cervejas de graça e sair com as garotas que normalmente não nos dariam bola rsrsrsrsr. A coisa foi crescendo a partir do momento que fomos sendo chamados para fazer apresentações em shows maiores. O que começou como uma brincadeira de adolescentes, este ano completa 30 anos de carreira.

CN – A Banda teve um hiato entre 1991 e 2002. Por que houve essa parada? O que fizeram nesse período?

Marcelo Hayena: Na verdade nunca paramos. Tivemos sim um período em que não estávamos com contrato com nenhuma gravadora e não lançamos CD, mas nunca deixamos de ir para a estrada.

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Uns e Outros Fotos: divulgação

CN – Como vocês avaliam o nosso atual cenário musical?

Marcelo Hayena: Tudo está muito voltado para o entretenimento, para a diversão. Parece que há uma obrigação em ser feliz a qualquer preço e não ter de pensar nos problemas tão comuns à vida de qualquer cidadão. Ninguém é feliz o tempo todo!!! Música também não serve somente para diversão, também serve para reflexão, para questionar, para se colocar diante do mundo, mas parece que as pessoas preferem viver numa realidade distorcida. Como se não pensar nos problemas poderia fazê-los desaparecerem…Opa!!! Peraí!!! Não é assim que um viciado foge da sua infeliz realidade? Interessante não? Já dizia o grande Frejat: “…Rir é bom, mas rir de tudo é desespero…”

CN – Das bandas e cantores estrangeiros. Quais os que mais chamam atenção da Uns e Outros?

Marcelo Hayena: Nossa, são muitas!!! Desde as clássicas como: Beatles, Rolling Stones, The Doors, Beach Boys, The Kinks, The who, Led Zeppelin, Bowie, Iggy Pop, Deep Purple, Black Sabbath, Police, The Clash, The Cure, U2, The Smiths, Eccho And The Bunnyman, entre outros. Até as mais recentes como: Smashing Pumpkins, Pixies, Nirvana, Pearl Jam, Alice and Chains, Stone Temple Pilots, Soundgarden, Muse, Foo Fighters, Kaiser Chiefs, Keane, Red Fang, Coldplay, Artic Monkeys, Kings Of Lion,The Killers, The Cooks. E por mais que eu passe uma tarde inteira escrevendo, vou acabar me esquecendo de muitas, rsrsrsrsrsrsr.

CN – O que os membros da Uns e Outros costumam ouvir e apreciar?

Marcelo Hayena: Ultimamente, temos ouvido muita coisa de nossos vizinhos Sul Americanos como: Soda Stero, Fito Paez, Charly Garcia, NoTe Va a Gustar, Libido, Viniloversus, La Luz Mandarina, La de Roberto, La Máquina Camaleón, Guerreros de Cartón. Também Vetusta Morla (Espanha) e Ligabue, Negramaro, Modà e Subsonica (Itália)

CN – Vocês são muito felizes na escolha do repertório. Como é feito esse processo? Algum de vocês compõe?

Marcelo Hayena: Todos nós compomos, mas as composições mais frequentes são de autoria minha e do Nilo. Compomos especificamente para o trabalho da vez. Não compomos 40 canções e depois escolhemos as 12 ou quatorze que farão parte do CD. Vamos compondo a canção que achamos que o trabalho precisa tanto no que diz respeito a mensagem como em relação as melodias e arranjos.

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Marcelo Hayena

 

CN – “Uns e Outros Ao Vivo” é o cd mais atual. Qual foi o critério de seleção do repertório?

Marcelo Hayena: Nesse nosso primeiro trabalho Ao Vivo, queríamos mostrar a nossos fãs um pouco mais de quem somos e o que nos influenciou. Quais bandas e que tipo de som nos fizeram ser a banda que somos. Escolhemos as músicas mais significativas de nosso repertório autoral e, aqui e ali, fizemos releituras de bandas e canções que foram importantes para nossa formação musical.

CN – No imaginário popular, todo roqueiro é revolucionário e politizado. Isso é verdade?

Marcelo Hayena: No imaginário popular também nos enchemos de drogas, bebemos excessivamente e participamos de orgias diariamente, hahahahahah!!! Como todo cara que se preza, aos 20 anos eu tinha certeza que faríamos a revolução e mudaríamos o mundo, hoje, aos 50 anos, dou graças aos céus que ele não me mudou!!! Quanto à política, me posiciono como o atirador no alto do campanário. Tenho uma bela visão do terreno, armamento preciso, munição suficiente e licença para atirar em quem mereça ser abatido. E isso não exclui em nenhum dos lados do conflito!!! Hoje sinto o país dividido, mas, infelizmente, no Brasil escolher um dos lados é perder sempre. Mais dia menos dia, aquele cara a quem você confiou seu voto vai te trair, porque na verdade ele não sente estar a serviço da sociedade que o elegeu, e sim a serviço dele mesmo e de seus interesses pessoais e políticos.

CN – Em relação ao atual momento político brasileiro, com número recorde de denúncias de corrupção, desvios de verbas públicas, superfaturamentos em obras etc. Imaginavam que nossa situação chegaria a esse ponto?

Marcelo Hayena: Nunca duvidei do potencial dos nossos representantes!!! Sempre tem como piorar as coisas por aqui !!! rsrsrsrsrsr. Precisamos nos reinventar. Temos que repensar nosso papel. Nosso problema é de falta de ética ou de ética distorcida. O Prefeito, o Governador, o deputado, o Senador, o Presidente não vieram de Marte , Vênus ou de outra galáxia. Todos eles vieram do mesmo lugar de onde você e eu viemos: do seio da nossa sociedade!!! A “cervejinha” do guarda, a fila “furada” na padaria, o uso indevido da vaga do deficiente, o desrespeito com os idosos, a exploração de menores, o golpe no turista inocente, etc. Talvez sejam o começo de tudo isso que vai desembocar nesse teatro de horrores que assistimos hoje nos telejornais.

CN – Vocês possuem fãs extremamente fieis. Qual a mensagem que gostaria de deixar para eles?

Marcelo Hayena: Sim. Foi por eles que nunca pensamos em desistir da luta, mesmo nos momentos mais difíceis. Há tempos descobrimos que mais importante que estar num palco e tocar um instrumento, é tocar pessoas. E isso tem sido nossa bandeira. Esperamos estar mais próximos de vocês este ano. Aguardem amigos!!!

Cineasta Marcelo Paes de Carvalho


Com muitos projetos e planos de morar no continente europeu, o cineasta carioca Marcelo Paes de Carvalho faz um balanço do atual cenário cultural brasileiro. Conheça um melhor esse empreendedor, bem como seus posicionamentos nesta rica entrevista.

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Blog Carvalho News – Fale-nos do seu longa documentário “Incêndio no Circo – Das Trevas à Luz”.

Marcelo Paes de Carvalho – O filme, um longa documentário, conta a tragédia que ocorreu em 1951, com o incêndio do Gran Circus Norte Americano, em Niterói, onde morreram 317 pessoas e mais de 500 feridos. Mas o filme fala não só sobre a tragédia em si, mas sobre como várias pessoas se destacaram no processo de recuperação daqueles enfermos, como a população se engajou, etc.

CN – Como funciona o seu processo para escolha de elenco?

Marcelo – Meu processo, na maioria das vezes, tem várias etapas, primeiro buscando conhecer os trabalhos anteriores daquele ator/atriz. Se eu acho legal, chamo para um teste, para ver se o personagem encaixa com aquele artista, pois muitas vezes temos atores/atrizes muito bons mas que não encaixam no personagem, e isso é o mais importante, precisa passar verdade, precisa de identificação, precisa de sangue no olho. Outras vezes, embora raramente, um personagem já é escrito pensando um determinado ator ou atriz, nesse caso, o processo é basicamente um convite.

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Marcelo com o cacique Pataxó em Porto Seguro (BA)           Foto: arquivo pessoal

CN – O que provocou a estagnação do cinema nacional?

Marcelo – Eu acho que a estagnação já passou. Com a retomada, muita coisa legal vem acontecendo, e o cinema brasileiro vive uma efervescência criativa. Nosso problema é outro, gravíssimo: A falta de público interessado em assistir o filme brasileiro que não seja a comédia, os filmes que já tem bilheteria certa. E mais importante do que discutir problema, é debater solução, que nesse caso, passa pela formação de plateia, desde crianças, a formação na área audiovisual, para que mais pessoas produzam, etc.

CN – Como você avalia o atual momento do cinema em nosso país?

Marcelo – Eu acho o cinema brasileiro lindo. Mas para isso, para constatar minha afirmação, é preciso sair do óbvio, é ir atrás de títulos diferenciados, é buscar o cinema que está sendo feito e não está sendo assistido, é buscar os novos nomes, os curta-metragistas, a galera que está respirando audiovisual por amor à causa. Para essas pessoas é que precisamos de mais políticas públicas, e não para o cinema comercial que já inclusive, poderia sobreviver sem as leis de incentivo.

CN – O Brasil vive um período complicado tanto na economia, quanto na política. Como tudo isso vem afetando suas produções?

Marcelo – Nós somos afetados pelo mundo que nos cerca o tempo todo, então vemos com olhos bastante atentos o que está acontecendo no país, na política, nos bastidores, essa crise de representação e até mesmo de identidade pela qual estamos passando, é olhar um congresso e não se reconhecer ali, embora reconheça ali também uma parcela da sociedade, e isso tudo é muito inquietante, e acaba influenciando até mesmo na nossa criatividade. E antes que me esqueça #FORATEMER.

CN – Voce é o presidente do Instituto Incartaz de Cultura, Educação e Inclusão Social. Qual a proposta dessa entidade?

Marcelo – O Instituto InCartaz surgiu em 2008 para dar vazão as nossas propostas e projetos de capacitação, principalmente em audiovisual. São projetos sociais, cursos, workshops, etc., tudo buscando uma maior inclusão social e a capacitação profissional nas artes.

CN – Quais seus projetos a médio prazo?

Marcelo – Estou indo morar na Europa, olhar o Brasil um pouco de fora, então à partir de 2017, passarei sempre 6 meses lá, 6 aqui, já que não consigo imaginar viver sem minhas andanças por esse país que tanto amo. E a meta é, além de finalizar os projetos em andamento (filmes, séries, etc) é fortalecer cada vez mais o projeto FILMINBRASIL, que capacita pessoas para trabalhar na área audiovisual em todo o país, com vários parceiros, em vários estados.

CN – Qual a mensagem que gostaria de deixar para os leitores do blog?

Marcelo – O que eu quero para os leitores é que olhem a arte como algo não só belo, mas necessário. Nesse momento estranho que estamos vivendo, onde chegamos a ver pessoas afirmando que os artistas eram apenas vagabundos (sendo que eu trabalho em média 18h por dia), precisamos incentivar a produção cultural brasileira mais do que nunca. A arte é sempre algo visto como secundário, quando não é. A arte realmente salva vidas. Esqueça os livros, a teoria, o pensamento, achando que isso é algo apenas subjetivo, pois não é. Uso sempre um exemplo que vivi para isso: Um dia, eu estava entrevistando pessoas, usuários de um hospital psiquiátrico, e elas tinham através de um projeto lindo da ECOAR – Educando com Arte (outra entidade da qual faço parte da diretoria), acesso a oficinas de dança. Uma senhorazinha, quando entrevistada, me deu o seguinte depoimento: “Sabe, meu filho… Ontem à noite, eu estava pensando em me suicidar… Mas aí, lembrei que hoje tinha aula de dança… Então, deixei para amanhã.” Pensem nisso, com carinho.