HQs continuam a encantar brasileiros


O tempo passa, mas algumas coisas não mudam. A paixão do brasileiro por histórias em quadrinhos, por exemplo, é uma delas.  Esse passatempo possui mais de 18,3 milhões de leitores ativos no Brasil. Quem revela é o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE). Mas, quem são esses mestres das HQs em nosso país? Saiba as razões lendo a reportagem abaixo.

O mundo dos quadrinhos é mesmo envolvente. Poucos de nós nunca embarcou numa viagem alucinante lendo as aventuras dos Vingadores, Liga da Justiça (Super Amigos para os maiores de 35 anos), Batman, Super Homem e X Men. Claro que tem os que preferem a Turma da Mônica, Tio Patinhas, Mickey Mouse, Mangás etc.

Neicy Velloso Foto: divulgação
Neicy Velloso Foto: divulgação

Os alunos da Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação (Esamc) de São Paulo realizaram um estudo bastante interessante sobre os leitores de brasileiros de histórias em quadrinhos (HQ). Segundo a pesquisa, 85% desse público é masculino, a maioria já completou o Ensino Médio (52%), outros 25% possuem formação universitária e 3,7% possuem ou fazem pós-graduação. Outro detalhe que chama atenção é, 61% dos leitores preocupam-se com o português das revistinhas. E, 8,1% começaram a ler os gibis como parte do processo de alfabetização, e 19,2% foram influenciados por desenhos animados e filmes. Estes dados foram colhidos e analisados pelos alunos Adriana Mesquita, Fernanda Segala, Francisco Lima, Maria Carolina Giacomelli e Rodolfo Scachetti, do curso de Comunicação Social.

A verdade é que os HQs agradam pessoas de idades variadas. A estudante Milene Kelly Avelar Santos admite que lê os gibis desde muito pequena. “Prefiro os da Turma da Mônica, pois vejo os desenhos desde pequena e acho muito engraçado”, justifica.

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José Wilson Magalhães   Fotos: divulgação

O personal Trainer, Neicy Velloso não esconde que é grande apreciador das HQ da Marvel e DC Comics. “Leio desde os seis anos de idade e sou fã do trabalho de Stan Lee, John Bucena e Jack Kirb”, derrete-se ele que também desenha nas horas vagas.

Às vezes não nos damos conta, mas o Brasil está muito bem servido de talentos no mercado dos quadrinhos.  O arte-finalista e professor de Arte Final, José Wilson Magalhães é um deles. Prestes a completar 29 anos de carreira, o profissional iniciou no estúdio Ely Barbosa.  “Comecei trabalhando numa fotocopiadora (máquina de xerox), e ali fui aprendendo como se produzia quadrinhos, aprendi letras, arte-final, cor, desenho, roteiro. Acabei optando por arte-final e me especializei, depois fui para a Editora Abril, redação Disney, onde até hoje faço trabalhos como freelancer”, conta ele, que fez arte-final de super-heróis para os Estados Unidos, ilustrações de livros didáticos para diversas editoras, livros infantis em parceria com o autor Luiz Carlos Sales, da Contos e Encantos Editora. Atualmente, Magalhães ensina desenho a nanquim em escolas de arte e centros culturais.

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Marcio Fiorito

O carioca Márcio Fiorito não iniciou sua carreira como desenhista.  “Para mim, tudo relacionado a quadrinhos era apenas um hobby, uma diversão, coisa de criança mesmo. Não era uma carreira viável”, acreditava. Ele se formou em Jornalismo e trabalhou com Publicidade e Marketing. Após  alguns anos, desiludido com o mercado e conhecendo mais sobre os bastidores dos quadrinhos, Fiorito resolveu trocar de carreira e realizar um sonho de infância. “Virei ilustrador de livros e passei alguns anos trabalhando apenas com isso, até decidir tentar a sorte nos quadrinhos. De lá pra cá (pelos idos de 2006) me tornei quadrinista “full-time” e sigo fazendo trabalhos para várias editoras estrangeiras”, conta com orgulho.

Veja também: O mundo das HQs exige empenho e dedicação

O colorista Carlos Lopez afirma que sempre laborou com arte, “já trabalhei em gráficas e agencias de publicidade” declara. A oportunidade de colorir uma HQ surgiu por volta de 2005 e, desde então, o profissional tem atuado como colorista. Lopez atua no mercado americano de quadrinhos desde 2006. Ele já trabalhou em várias editoras desde as menores até as maiores, e desde 2014 trabalha com a Marvel Comics. “Já colori personagens como Hulk, Homem de Ferro, Capitão América entre outros”, revela.

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Carlos Lopez

Formado em Design (Programação Visual e Projeto de Produto), Rafael Oliveira sempre direcionou sua carreira para ilustração e quadrinhos. Segundo ele, desde quando era criança ficava copiando os desenhos das hqs e sonhava em trabalhar como quadrinista. Mas só em 2013, quando publicou suas  primeiras hqs que resolveu se dedicar fortemente ao universo dos quadrinhos. Oliveira trabalhou como designer gráfico no Jornal da Cidade, em Bauru, onde fazia peças gráficas para serem publicadas, algumas ilustrações e hqs para o caderno infantil. “Trabalhando no jornal tive que aprender a ser rápido para desenvolver as ilustrações e isso me ajuda até hoje”, avalia. Desde 2015, o design atua como ilustrador freelancer e quadrinista. Entre um job e outro, procuro desenvolver algum projeto autoral de quadrinhos. Tenho como meta pessoal publicar um novo trabalho autoral a cada ano.

Publicados em 2013, “O Pagamento” e “Esperança” são os primeiros quadrinhos autorais de Oliveira. Em 2014, foi a vez de “A Busca”, junto com o coletivo Red Door HQs, “Feira Livre” e “Red Door HQs – Vol. 1”. Também em 2014, em parceria com o amigo e roteirista Alex Mir, ocorreu a participação no hq “Clássicos Revisitados – Monstros Noir”, com a história Capelobo, lançado pela editora Quadrinhópole.  No ano de 2015,  “Momentos” e, novamente junto ao coletivo, publicamos “Red Door HQs – Vol. 2”. “Para esse ano, estou envolvido em alguns projetos e trabalhando no roteiro da minha próxima hq”, adianta Oliveira.

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Rafael Lopes

Apaixonado pelos Cavaleiros do Zodíaco, Elyan Lopes (nome artístico de Elenildo Lopes) é autor, ator, publicitário e quadrinista. Formado em Produção publicitária propaganda e marketing e atualmente cursando a Faculdade de Artes Cênicas na Casa de Artes Laranjeiras.  “Entrei no ramo das HQs em 2007 lançando o site Meu Herói (www.meuheroi.com.br), que após quatro anos se tornou selo editorial), declara.

Em 2012, Lopes lançou seu primeiro herói ‘o Capitão R.E.D – Distrito de Risco e Emergência’ nas bancas de jornais e lojas do RJ e vizinhanças. Em 2014, ele cria o projeto junto com vários autores chamado: A Ordem que reúne mais de 30 autores, com os maiores heróis e super-heróis brasileiros incluindo o Capitão R.E.D em sua superaventura.  A revista foi lançada no site de financiamento coletivo Catarse, entretanto, a meta estabelecida não foi atingida. Em 2015, o projeto foi reformulado conseguindo enfim seu objetivo.

“Em maio, lançaremos a revista, agora batizada de Protocolo: A Ordem, em um evento simultâneo no RJ e SP. Ela possui 100 páginas coloridas em papel de ótima qualidade em tamanho 16×25.”, revela Lopes e acrescenta “Esse ano ganhamos um prêmio da ABRAHQ – Academia Brasileira de Quadrinhos por Melhor Talento por esse projeto”, orgulha-se.