Oi pode ser vendida para bilionário egípcio


Depois de meses de suposições, a Oi deve receber no fim da tarde a primeira proposta formal de aporte de recursos. O empresário egípcio Naguib Sawiris e o grupo de credores internacionais (os chamados bondholders) vão apresentar à tele carioca um plano alternativo de recuperação judicial. De acordo com uma fonte, o egípcio deve apresentar um proposta para aportar entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,5 bilhão. Em reais, o valor pode chegar perto de R$ 5 bilhões, dependendo da taxa de câmbio.

Segundo essa fonte, a proposta tem dezenas de páginas. No plano alternativo de recuperação, o grupo, que é assessorado pela Moelis & Company, deve apresentar uma proposta apontando a necessidade de investimentos de cerca de US$ 10 bilhões por seis anos. Além disso, a proposta prevê que parte da dívida dos bondholders seja convertida em ações. Segundo essa fonte, será um percentual elevado e “que retrata a realidade”.

— A proposta é que a dívida de R$ 65,4 bilhões da Oi seja reduzida a um terço. E, para essa redução na dívida, haverá a conversão em ações da companhia — diz essa fonte, que prevê uma geração de caixa de cerca de R$ 6 bilhões por ano.

Egyptian entrepreneur Naguib O. Sawiris, Chairman and Chief Executive Officer of Orascom Telecom Holding, participates in a plenary session about the Challenges of going Global at the World Economic Forum (WEF) on the Middle East held in the resort town of Sharm el-Sheikh in Egypt 22 May 2006. The World Economic Forum-Middle East enters its third and final day, with some 1,200 business and political leaders expected to discuss regional issues. AFP PHOTO/MAHMUD TURKIA
Naguib Sawiris possível comprador da Oi      Foto: divulgação

CONVERSÃO DE DÍVIDAS

Segundo outra fonte, a conversão da dívida em ações deve ser o ponto mais polêmico entre credores e acionistas da Oi. Há quem diga que eles pretendem ter 90% das ações da Oi, mas o número ainda estava sendo discutido ontem. A tele havia proposto descontar a dívida em 70% e pagar em três anos. A conversão só iria ocorrer se a empresa não honrasse com o pagamento.

Entre alguns acionistas da tele, o bilionário egípcio é visto com “reservas”. Segundo uma fonte, Sawiris não virá ao Brasil, mas enviará representantes. O encontro deve ocorrer no fim da tarde na Oi com o presidente da companhia, Marcos Schroeder. A ideia do plano apresentado pela Moelis é fazer com que a tele consiga investir e cumprir com suas obrigações sem afetar sua geração de caixa operacional.

— Está se prevendo um investimento anual da ordem de R$ 6 bilhões. A Oi terá que investir mais que seus concorrentes para voltar a crescer no mercado. Por isso, é preciso um forte apoio dos bancos de fomento dos países que são fornecedores de equipamentos de infraestrutura. Sem isso, não tem como a Oi investir e modernizar sua rede — afirma essa fonte.

Essa fonte citou bancos de países como França, Finlândia, Coreia do Sul, Alemanha e China:

— Os bancos desses países estão dispostos a apoiar a companhia com crédito para fazer maiores investimentos em infraestrutura.

Para montar essa estratégia, a Moelis conta com o apoio da KPMG, Pinheiro Neto Advogados, além de ex-executivos da Oi, que ajudaram a fornecer dados da tele carioca.

CERBERUS ESTUDA PROPOSTA

Segundo uma fonte na tele, o grupo liderado por Sawiris vai fazer uma proposta sem nunca ter se reunido com a Oi.

— Eles não fizeram diligência na Oi. Acho que estão seguindo um fluxo que não é normal. Os fundos Elliot e Cerberus assinaram um acordo de confidencialidade com a Oi para ter acesso aos números da companhia — conta essa fonte.

O Elliot chegou a propor, de maneira informal, um aporte de R$ 9,2 bilhões para ter 60% das ações da concessionária, em uma oferta desenhada com o Boston Consulting Group e a gestora francesa Lazard. Já o fundo Cerberus, que tem o apoio de Ricardo K, ex-presidente da Brasil Telecom, conta com Deloitte e a consultoria Oliver Wyman para fazer uma proposta. Mas o grupo ainda está trabalhando nos detalhes, destacou uma fonte. Procuradas, as empresas não quiseram comentar o assunto.