Senado instala CPI da Previdência para investigar rombo e casos de fraude


A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Previdência foi instalada hoje (26) no Senado e o senador Paulo Paim (PT-RS), autor do requerimento e criação da CPI, foi eleito o presidente dos trabalhos. O cargo de vice ficou com o senador Telmário Mota (PTB-RR) e a relatoria com o senador Hélio José (PMDB-DF).
A escolha dos nomes foi possível por acordo, uma vez que é praxe na Casa que o autor do requerimento de criação da CPI fique com um dos cargos da mesa. A comissão vai analisar os números da Previdência Social para identificar se há rombo e qual o seu tamanho, além de procurar identificar casos de fraudes e sonegações por parte de grandes empresas.
senaaado cpi
Para o relator, o principal objetivo será avaliar se há outras opções para resolver o problema da Previdência que possam amenizar a reforma em curso. “Direitos adquiridos são sagrados. Quem entrou em um jogo com uma regra espera que o jogo termine com a mesma regra com que iniciou. Qualquer mudança, para quem vai adentrar o jogo, é possível, permissível e normal. Então, nós estamos perplexos com algumas mudanças. Esperamos que consigamos chegar a uma situação boa, a um norte legal, quando nós tivermos, por meio desta CPI aqui, conseguido desvendar todas as questões que são faladas a respeito da situação”, disse Hélio José.
A oposição acredita que vai conseguir, por meio da CPI, comprovar que a reforma apresentada pelo governo não é necessária e que o problema da Previdência tem a ver com fraudes e sonegações. Já os governistas aprovam que a conclusão do inquérito vai corroborar para a aprovação da reforma no Senado.

Projeto que extingue foro privilegiado a autoridades é aprovado


Em uma reviravolta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, os parlamentares aprovaram de maneira expressa o projeto que extingue o foro privilegiado para todas as autoridades, com exceção dos chefes dos Três Poderes. O texto não estava na pauta desta quarta-feira, 26, mas foi incluído a pedido do relator, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e aprovado de maneira simbólica pelos integrantes do colegiado. A proposta seguirá para o plenário da Casa com calendário especial.
foro privilegiado
Os presidentes da República, Senado e Câmara continuam com foro privilegiado
Randolfe acatou uma emenda do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), que estabelece que os presidentes da República, da Câmara, do Senado e Supremo Tribunal Federal (STF) continuam sendo julgados pela Suprema Corte por infrações penais comuns.
Em casos de crime de responsabilidade, ministros de Estado, comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, membros dos Tribunais Superiores e do Tribunal de Contas da União e chefes de missão diplomática de caráter permanente também continuam com foro.

Guaiamuns: captura e comercialização liberadas


Previstas para serem encerradas no próximo domingo (30), a captura e venda do guaiamum foram liberadas por mais um ano. Esta nova medida adia a fiscalização proposta em 2016, que visa a proteção dos crustáceos vulneráveis a extinção. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o prazo estendido será fundamental para que especialistas estudem a gravidade de ameça dessas espécies no meio ambiente.
A decisão, publicada no Diário Oficial da União na última segunda-feira, indica que a medida terá veto adiado para o dia 1º de maio de 2018, proibindo a captura e comercialização do guaiamum. Até o dia 5 de maio de 2018, todas as empresas, entre elas bares e restaurantes, deverão declarar seu estoque, sendo permitindo o consumo até 30 de junho do mesmo ano.
mane-tatu-guaiamum
Guaiamuns Tela de Mane Tatú
De acordo com o coordenador de pesca e fiscalização do Ibama, Cláudio Pessoa, a medida – incluída na portaria 395 – engloba 15 espécies de animais aquáticos em situação vulnerável, mas não em completo risco de extinção, como o pargo, o cascudo e o bagre-branco. No caso dessas espécies dadas como ameaçadas ou em extinção, a venda já é proibida em todo o território nacional. Um exemplo é o caso da espécie de guaiamuns fêmeas, proibidas há oito anos.
Para intensificar as fiscalizações, caso o flagrante de guaiamuns seja realizado, a multa será aplicada no valor de R$ 5 mil por pessoa. Se comprovada a venda, o valor será de R$ 10 mil.

Homem espanca ex e a mata a facadas após prisão por Lei Maria da Penha


Preso na última terça-feira, 25, em Barra Bonita, no interior de São Paulo, o desempregado Carlos Alexandre Messias, de 24 anos, confessou ter matado a ex-mulher, Dayane Gianetty, de 27, porque ela o havia denunciado à polícia por agressões anteriores.Messias já havia agredido várias vezes a mulher e foi preso quando tentava matá-la, na Rodovia Raposo Tavares, em Ipauçu. As denúncias, com base na Lei Maria da Penha, fizeram com que ele ficasse quatro meses na prisão. Assim que foi libertado, Messias decidiu se vingar.

Messias já havia agredido várias vezes a mulher e foi preso quando tentava matá-la, na Rodovia Raposo Tavares, em Ipauçu. As denúncias, com base na Lei Maria da Penha, fizeram com que ele ficasse quatro meses na prisão. Assim que foi libertado, Messias decidiu se vingar.

No mesmo dia, ele foi atrás da mulher e a agrediu na frente dos dois filhos, mas parentes dela intervieram em defesa dela. A Justiça deu medida protetiva impedindo que o agressor se aproximasse a menos de 500 metros da ex-mulher.

Assassinato. Com medo das ameaças de morte, Dayane deixou o emprego de frentista e se mudou de casa com os dois filhos. De nada adiantou a medida protetiva dada pela Justiça. No dia 21 de março, Messias foi atrás da vítima e a localizou caminhando à margem do lago de um parque municipal.

foto da vitima
Dayane Gianette, reprodução do Facebook

Ele a obrigou a entrar no carro e dirigiu até um canavial, na rodovia que liga Ipauçu a Bernardino de Campos. Dayane foi espancada até desmaiar e depois foi morta a golpes de faca. Ele ainda passou com o carro sobre o corpo. Antes de fugir, o homem ligou para o pai, disse o que tinha feito e indicou onde estava o corpo da vítima.

A Justiça decretou a prisão temporária do suspeito – ele era procurado. Messias foi localizado pela Polícia Militar escondido na casa de uma tia. A Polícia Civil o autuou por feminicídio, crime praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino. O autor do crime foi levado para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru.

Museu do Amanhã, no Rio, tem inovações de 40 artistas brasileiros


Os caminhos, muitas vezes tortuosos, que levam brasileiros à inovação poderão ser percorridos a partir de hoje (25) no espaço do Rio de Janeiro dedicado à ciência e ao futuro. De forma lúdica e com linguagem audiovisual e interativa, Inovanças – Criações à Brasileira, a nova exposição temporária do Museu do Amanhã proporciona ao visitante uma viagem pelo mundo das criações nacionais, apresentando grandes feitos e, em alguns casos, talentos poucos reconhecidos.

A mostra é a primeira de caráter temporário integralmente concebida pela equipe do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), que administra o Museu do Amanhã, e tem como curadores Luiz Alberto Oliveira e Leonardo Menezes.

Inspirada no cenário do filme Dogville, do cineasta dinamarquês Lars von Trier, o espaço, de 600 m², foi idealizado sem paredes, numa alusão à fluidez do processo criativo.

De acordo com o curador Leonardo Menezes, a ideia é mostrar que não há limites, nem barreiras ao conhecimento e à inventividade, além de apoiar ações que promovam a sustentabilidade e contribuam para a popularização e difusão da ciência e da tecnologia.

“Os processos naturais são fonte de inovação que inspiram os humanos a buscarem soluções de forma criativa. Desvios representam oportunidades na busca por soluções inéditas. Por tentativa e acerto, brasileiros e brasileiras criaram soluções que inovaram o país e o mundo”, disse ele, também gerente de Conteúdo, de Exposições e do Observatório do Amanhã do museu.

O visitante é apresentado a cerca de 40 inovações – do high ao low tech, com destaque para as tecnologias sociais – que transformam e beneficiam indivíduos e grupos em todas as regiões do Brasil e do exterior. As invenções são mostradas em vídeos, com declarações de seus criadores, e presencialmente, com a exposição dos objetos.

museu_do_amanha-_foto-_raquel_cunha-6
Mostra fica até 22 de outubro Fotos: Raquel Cunha

As criações estão distribuídas por sete áreas, que remetem a diferentes conceitos que caracterizam a inovação brasileira. Essas áreas receberam os nomes de Pyahu-Açu (“novidade grande”, em tupi-guarani), Inspirais, Errâncias, Brasilianxs, Inexspectata (“inesperado, em latim) Impromptu (“improviso”, em latim) e Awani Jö (“estamos juntos”, em iorubá).

A inspiração na natureza, a história do Brasil contada a partir da inovação, o “jeitinho brasileiro” utilizado de forma positiva na busca de soluções com profundo rigor técnico e a criatividade compartilhada entre profissionais heterogêneos são algumas das várias temáticas das sete áreas expositivas.

A exposição Criações à Brasileira fica em cartaz até 22 de outubro e pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 10h às 18h. O ingresso para a mostra temporária está incluído no valor da entrada para o museu, que custa R$ 20, a inteira, e R$ 10, a meia. O Museu do Amanhã fica na Praça Mauá, 1, no centro do Rio.

Caminhar faz cérebro receber mais sangue


Um grupo de pesquisadores da Universidade Highlands do Novo México, EUA, encontrou mais um inusitado benefício que caminha traz á saúde. Segundo eles, o impacto dos pés no chão produz ondas de pressão nas artérias que alteram significativamente o suprimento de sangue para o cérebro, podendo ajudar a aumentá-lo.

Até pouco tempo atrás, achava-se que o fluxo de sangue para o cérebro era regulado de forma involuntária pelo corpo, sendo pouco afetado por mudanças na pressão causadas por exercícios. Recentemente, no entanto, cientistas da mesma universidade americana e de outras instituições descobriram que o impacto dos pés no chão durante a corrida geravam forças equivalentes a entre quatro e cinco vezes a da gravidade terrestre. Estas forças, por sua vez, produziam ondas de pressão nas artérias que se sincronizavam com a frequência cardíaca e o ritmo das passadas, regulando a circulação de sangue no cérebro de forma dinâmica.

Diante disso, os pesquisadores decidiram verificar se algo parecido acontecia nas caminhadas. Para tanto, eles usaram ultrassons para calcular o fluxo sanguíneo em ambos hemisférios cerebrais a partir de medidas tanto da velocidade destas ondas quanto do calibre das artérias carótidas de 12 jovens adultos saudáveis enquanto ficavam parados em pé ou andavam de forma constante num ritmo tranquilo, de cerca de 3,6 km/h. Eles então constataram que embora o impacto dos pés no chão durante uma caminhada seja muito menor do que numa corrida, andar calmamente ainda produzia ondas de pressão poderosas o bastante para elevar o fluxo de sangue para o cérebro.

coração e cerebro

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), andar diariamente por 2km/h a 4km/h, em um ritmo leve que faz a atividade durar em torno de 30 minutos, é suficiente para diminuir consideravelmente o risco de infarto, derrame ou desenvolver diabetes e hipertensão.

Para os iniciantes, vale começar a atividade com cinco minutos de caminhada leve, seguidos de dez minutos de passos mais acelerados e outros cinco minutos finais de caminhada suave novamente. Esses 20 minutos iniciais de treinamento devem ser aos poucos ampliados, conforme o indivíduo se sentir confortável e não ficar sem fôlego.

Antes de começar o exercício, é importante fazer um aquecimento, além de alongar braços e pernas. Utilize um tênis confortável e apto para a prática. Calçados inapropriados podem desenvolver problemas principalmente no tornozelo e nos joelhos.

Entidades defendem no STF mudança de registro civil para transexuais


Duas entidades que lutam pelos direitos dos transexuais defenderam hoje (20) no Supremo Tribunal Federal (STF) a possibilidade de alteração do nome no registro civil sem a realização de cirurgia de mudança de sexo. O plenário da Corte iniciou o julgamento de um recurso contra decisão da Justiça do Rio Grande do Sul, que negou autorização para que um cartório local aceitasse a inclusão do nome social como verdadeira identificação civil. Os magistrados entenderam que deve prevalecer o princípio da veracidade nos registros públicos.

Ao subirem à tribuna do STF, os advogados da Anis – Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero e da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) afirmaram que o requisito para alteração é inconstitucional.

De acordo com o advogado Leonardo Almeida Lage, representante da Anis, a alteração do registro é uma necessidade essencial para a vida dos transexuais e está de acordo com o princípio da proteção constitucional da dignidade humana.

transexuais
Foto: divulgação

“As consequências para a vida dessa pessoa são absolutamente nefastas, incluindo o isolamento social, o sentimento profundo de solidão, e, em decorrência disso, depressão, ansiedade e diversos outros fenômenos relatados na literatura sobre o assunto”, disse.

Paulo Roberto Totti, represente da ABGLT, afirmou que condicionar mudança do registro à cirurgia fere a Constituição. O advogado destacou que há casos de transexuais que não desejam passar pelo procedimento.

“Condicionar o respeito, o direito à dignidade pessoal das pessoas trans – travestis, mulheres transexuais, homens trans – à cirurgia, inviabiliza o direito na prática. O STF tem que ter isso em mente”, afirmou.

Após as sustentações orais, o julgamento foi suspenso e não há data para ser retomado. Os ministros decidiram julgar em conjunto outra ação que está sob a relatoria do ministro Marco Aurélio e que trata do mesmo tema.

Recurso

Ao recorrer ao Supremo, a defesa do transexual requerente no processo alegou que a proibição de alteração do registro civil viola a Constituição, que garante a “promoção do bem de todos, sem preconceitos de sexo e quaisquer outras formas de discriminação”.

“Vislumbrar no transexual uma pessoa incapaz de decidir sobre a própria sexualidade somente porque não faz parte do grupo hegemônico de pessoas para as quais a genitália corresponde à exteriorização do gênero vai frontalmente contra o princípio de dignidade humana”, argumentou a defesa.

Nome social

Atualmente, transexuais podem adotar o nome social em identificações não oficiais, como crachás e formulários de inscrição no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A administração pública federal também autoriza o uso do nome social e o reconhecimento da identidade de gênero de travestis e transexuais desde abril do ano passado.

O nome social é escolhido por travestis e transexuais de acordo com o gênero com o qual se identificam, independentemente do nome que consta no registro de nascimento.

Coelho Branco e Baleia Rosa são ‘opções do bem’ contra Baleia Azul


Mesmo sem a confirmação de casos, começaram a surgir mobilizações para conter a disseminação do Baleia-Azul. Uma das estratégias adotadas é criar “contrajogos” que utilizem a mesma lógica, com regras divulgadas em redes sociais, mas que proponham desafios focados na promoção do bem-estar.

Nos próximos dias, a Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) deve lançar o Coelho Branco, que consiste em 15 tarefas elaboradas por estudantes do ensino médio técnico de Programação de Jogos Digitais, sob supervisão da professora Evelyn Cid.

Segundo o diretor Marcelo Krokoscz, a ideia partiu dos próprios adolescentes durante uma discussão em sala de aula. “Também conversamos com os pais para alertá-los, foi uma campanha ampla”, explica.

Com proposta parecida, dois publicitários e a psicóloga Tamara Moura Camargo, de 30 anos, lançaram o site Baleia Rosa. “Meus amigos resolveram responder ao jogo utilizando a linguagem da propaganda para promover algo benéfico e me convidaram por ter conhecimento na área”, conta Tamara.

Foto: Reprodução/Baleia Rosa

Em reação à Baleia Azul, publicitários criam lista de

Jogo é formado por 50 ‘tarefas do bem’

Segundo ela, o projeto cresceu mais no Facebook, no qual ultrapassou 157 mil seguidores em seis dias. Em menos de 24 horas, ela calcula ter recebido 2 mil mensagens pelo perfil na rede social, das quais ao menos 20% são de usuários com tendências suicidas.

“Alguns relatam ter pessoas próximas que passam por isso, enquanto outros dizem ter jogado o Baleia-Azul. Muitos também querem desabafar”, explica ela, que costuma fazer um acolhimento e, após conversas iniciais, indicar atendimento gratuito para essas pessoas. “Não tem como exercer uma psicoterapia pelo Facebook, então o meu trabalho é quase uma triagem, de dar uma palavra de conforto”, comenta.

De acordo com Tamara, a procura é tamanha que o Baleia Rosa cogita recrutar outros psicólogos para ajudarem, pois, por envolver uma situação delicada, a resposta precisa ser ágil. “Não era esse o objetivo inicial, mas tudo tomou uma proporção maior. Precisamos ajudar essas pessoas”, explica.

Uma moradora de Ribeirão Preto de 17 anos foi uma das que procurou a página. Ela afirma enfrentar problemas em casa, após o término de um namoro, além de sofrer bullying na escola e, por isso, se mutilaria há um ano. Ao saber do Baleia-Azul, inicialmente procurou o jogo, mas não aceitou participar dos desafios. Ela conta que, quando relata o que sente, ouve que é “frescura”. “Essas pessoas (aliciadores do jogo) também precisam de ajuda. Só querem nos ajudar a fazer a dor passar.”

Fase. A psicóloga Karen Scavacini explica que a adolescência é uma fase delicada, por marcar o descolamento da família e a busca da independência, o que pode explicar o predomínio de menores de idade nesses jogos. “É uma fase de desafios, de inseguranças envolvendo escola, vestibular, carreira. Mesmo os mais fragilizados querem se sentir poderosos”, afirma a fundadora do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio, de São Paulo.

Especialista em psicologia escolar, Jéssica Vilela comenta também que grupos que promovem suicídio e automutilação podem ser um “gatilho”. “Esses adolescentes encontram alguém com quem falar sobre essa possibilidade e podem ser encorajados ao perceber que há mais pessoas pensando nisso”, alerta.

Brasil perde 63,6 mil vagas de emprego em março


A informação não é nada animadora. O Brasil voltou a perder postos de trabalho com carteira assinada em março, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No mês passado, o saldo líquido de contratações e demissões ficou negativo em 63.624 vagas. No primeiro trimestre, houve encerramento de 64.378 mil postos de trabalho.

O resultado frustou expectativas de analistas consultados pelo Broadcast, sistema de informações em tempo real do Grupo Estado. A pesquisa consultou 18 instituições, cujas previsões iam do fechamento de 37 mil vagas à abertura de 40 mil postos de trabalho. O número de março ficou abaixo da mediana das previsões, que indicava abertura de 9.954 postos no mês passado.

Em fevereiro, o emprego formal quebrou uma série negativa de 22 meses, com a geração de 35.612 postos de trabalho.

O comércio foi o setor da economia que mais fechou postos de trabalho em março. No mês passado, houve saldo líquido negativo de 33.909 empregos nesse setor. Em seguida, o segmento de serviços foi o segundo com a maior contribuição negativa: 17.086 postos em março.

Segundo o Ministério do Trabalho, a construção civil também contribuiu negativamente, com 9.059 postos fechados. Outros segmentos da economia que também tiveram fechamento de postos foram a indústria da transformação (-3.499 empregos) e agricultura (-3.471 postos).

Por outro lado, a administração pública terminou março com abertura líquida de 4.574 postos de trabalho.

00desemprego

Retomada. O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, nega que a queda do número de empregos formais no mês de março gera a sensação de frustração para o governo. “Não há frustração porque a comparação com 2016 mostra metade da perda de emprego. Vamos melhorando mês a mês e a perda de emprego vem reduzindo sistematicamente”, disse.

Nogueira explicou que a confiança continua no governo porque os números mostram que o ritmo de destruição de empregos é cada vez menor. “Em março de 2016, foram fechados 118,7 mil empregos. Agora, tivemos 64,6 mil empregos. O ritmo está menor. Não houve frustração e a expectativa positiva se mantém”, disse.

Questionado, Ronaldo Nogueira rechaçou a avaliação de que pode ter havido comemoração precipitada em fevereiro, quando o dado do emprego foi anunciado no Palácio do Planalto com a presença do presidente Michel Temer. “Não houve comemoração precipitada em fevereiro, quando houve criação de empregos”.

Para o ministro, os indicadores de confiança nas empresas, investidores e famílias indicam que a economia começa a reagir e, por isso, há confiança. “Vamos recuperar os dados positivos de empregos; estamos confiando no Brasil”.

O ministro do Trabalho ressaltou que não é possível que o emprego de alguns setores se recupere em períodos muito curtos. Na construção civil, por exemplo, Nogueira citou que a criação de empregos só deve ser vista em alguns meses e citou agosto como possível virada no emprego da construção. Mesmo assim, reafirmou a aposta de que abril poderá voltar a ter números positivos.

 

Baleia Azul: Polícia Civil segue rastros de quadrilha


Após instaurar inquérito para apurar o aliciamento de crianças e adolescentes para o jogo ‘Baleia Azul’ no Rio, a Polícia Civil começa a desvendar rastros da quadrilha que tenta convencer as vítimas a tirar a própria vida. Cruzamento de dados iniciado pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) em redes sociais já permitiu à especializada obter indícios preliminares sobre os criminosos que estão por trás da rede de incentivo ao suicídio.

A delegada responsável Fernanda Fernandes mantém as informações sobre os suspeitos em sigilo para não atrapalhar as investigações. Mas ela já sabe que o primeiro contato dos aliciadores com as vítimas — a maioria delas tem de 12 a 14 anos — ocorre como um convite inocente para um jogo desafiador, por meio de redes sociais, sobretudo o Facebook. Ludibriados pela promessa de experimentar uma simples aventura virtual, os menores não sabem que estão sendo caçados por uma associação criminosa.

Segundo a delegada, uma vez capturado, o jovem é submetido ao perigo de uma profunda pressão psicológica. A vítima é coagida a cometer atos de automutilação, como desenhar uma baleia com objeto cortante no braço, entre outros desafios muito perigosos. A tarefa final, seria atentar contra a própria vida.

“Há relatos de que há uma coação para as vítimas não desistirem do jogo. Os relatos são de pressão psicológica mesmo, de que se a vítima não se matar, ela vai ser morta de qualquer jeito, ou então eles ameaçam parentes próximos. Enfim, há toda uma coação para convencer a vítima a entrar e não sair”, explica a delegada.

baleia azul2

Dois casos suspeitos no Rio de Janeiro foram identificados pela DRCI e fazem parte do inquérito. A investigação foi aberta no estado após a mãe de um menino de 12 anos denunciar que o filho foi convidado a participar do jogo pelo Facebook. A delegada comprovou que o jovem não chegou a jogar.

Ela investiga agora uma informação que recebeu, e ainda não confirmou, de problemas com uma menina de 12 anos na semana passada. Fernanda Fernandes quer saber se a menina teria agido induzida pelo jogo.

Após aceitar participar pelo Facebook, menor é ‘orientado’ pelo WhatsApp

A delegada disse não ter informações sobre um aplicativo específico do jogo. As pistas levantadas até agora indicam que, após o convite para o “desafio”, os curadores (como se autointitulam os organizadores do esquema) passam as tarefas diariamente para as vítimas por meio das próprias redes sociais. “Se a pessoa aceita participar do jogo, sai do Facebook e vai para o WhatsApp. Durante essa conversa, o menor deve passar todos os dados que identifiquem e que o localizem, assim como dos familiares”.

No Facebook, há diversas comunidades sobre o ‘Baleia Azul’. Nelas, perfis com fotos de criança pedem orientações para participar. “Oi, como posso jogar?”, questionou um menino. Uma internauta alertou: “Se entrar no jogo, não pode mais sair”.

Em escolas e grupos de mães no Rio, o assunto já preocupa. “Estou horrorizada e conversei muito com minha filha. Fiz ela ler e expliquei. Meu Deus, o que estão fazendo com nossas crianças? Só muita conversa e acompanhar de perto o que fazem na internet”, disse Anie Kesseli, mãe de uma menina de 11 anos.

baleia azul

Pais devem aumentar diálogo e vigilância

Para o psiquiatra Jorge Jaber, da Associação Brasileira de Psiquiatria, os pais devem estabelecer diálogo aberto para entender o que se passa na vida do filho. “É importante que não tenham atitude persecutória. O jovem tende a rejeitar tom de briga”.

Mãe de uma menina de 10 anos, Kátia Monique de Oliveira, 37 anos, disse que já orientou a filha, que já compartilha informações do risco do jogo com colegas. “Estou com muito medo. Já ouvi falar de outros jogos perigosos para jovens”, disse.

Se há mudança comportamental, a recomendação é procurar um profissional de saúde. “Proibir o acesso às redes é muito difícil. Por isso, os pais precisam ficar atentos aos conteúdos que os filhos acessam”, recomenda a psicóloga Ana Café.

O Facebook diz que proíbe o cadastro de menores de 13 anos e, se os perfis forem denunciados, podem ser removidos. Desde junho, a rede social disponibiliza ferramenta que incentiva amigos a relatar publicações de caráter depressivo. O autor recebe notificação com orientações para procurar ajuda.

Quatro suicídios relacionados ao Baleia Azul são investigados no Brasil, em Mato Grosso, Goiás, Paraíba e Minas Gerais. Na Rússia, mais de 100 casos foram relatados desde 2015. A orientação da delegada aos pais é procurar a DRCI sem denunciar o perfil suspeito ao Facebook, para evitar que a página seja excluída, o que dificulta o rastreio da polícia.