Brasil amplia oferta do tratamento para HIV/Aids com medicamento inovador


O Ministério da Saúde vai ampliar a oferta do antirretroviral Dolutegravir no tratamento de todos os pacientes com HIV no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). A expansão foi anunciada hoje pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, durante o 11º Congresso de HIV/Aids e 4º Congresso de Hepatites Virais, em Curitiba.

Segundo o Ministério da Saúde, atualmente o Dolutegravir é usado por 100 mil pessoas, mas até o final de 2018 mais de 300 mil pessoas vivendo com HIV terão acesso ao medicamento. A troca de terapia será gradual para quem utiliza o Efavirenz.

De acordo com o ministério, o antirretroviral é considerado um dos melhores tratamentos para a Aids no mundo. Ele apresenta alta potência e um nível muito baixo de efeitos colaterais, aspecto considerado bastante importante para a adesão e o sucesso do tratamento contra o HIV. O custo para a incorporação do Dolutegravir é de R$ 1,1 bilhão e, segundo a pasta, não altera o orçamento atual do Ministério da Saúde.

Desde o começo da epidemia, o Brasil registrou 842.710 casos de Aids, no período de 1980 a junho de 2016. O país tem registrado, anualmente, uma média de 41,1 mil casos de Aids nos últimos cinco anos.

Em relação à mortalidade, de 1980 até dezembro de 2014 foram identificados 303.353 óbitos cuja causa básica foi a Aids. Houve uma redução de 5% nos últimos anos, passando de 5,9 óbitos por ano por 100 mil habitantes em 2006 para 5,6 óbitos em 2015.

Brasília - O ministro da Saúde, Ricardo Barros, concede sua primeira entrevista coletiva à imprensa sobre assuntos relacionados à pasta (Wilson Dias/Agência Brasil)
Ministro da Saúde, Ricardo Barros, Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Transmissão vertical

Durante o evento, o ministro Ricardo Barros recebeu o processo de solicitação da Certificação da Eliminação da Transmissão Vertical (TV) do HIV do município de Curitiba. A capital do Paraná é um dos primeiros municípios a aderir à certificação de eliminação desse tipo de transmissão do HIV, quando é feita de mãe para filho, durante a gestação ou o parto.

A iniciativa foi lançada em novembro do ano passado, numa tentativa de incentivar o engajamento de municípios na eliminação da transmissão vertical. A certificação será emitida por um Comitê Nacional, em parceria com estados, que fará a verificação local dos parâmetros.

O documento será concedido a municípios com mais de 100 mil habitantes que atendam a dois critérios. O primeiro é registrar taxas de detecção iguais ou inferiores a 0,3 para cada mil crianças nascidas vivas. O segundo é ter proporção menor ou igual a 2% de crianças com até 18 meses expostas ao HIV que foram identificadas como infectadas e estão em acompanhamento na rede pública.

Profilaxia Pré-Exposição

Segundo o Ministério da Saúde, outro destaque do congresso foi o lançamento do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de risco à infecção pelo HIV. A medida de prevenção reduz o risco da infecção pelo HIV antes da exposição, por meio da utilização de medicamentos antirretrovirais (tenofovir associado à entricitabina) em pessoas não infectadas e que mantêm relações de risco com maior frequência.

Entre o público-alvo da medida estão homens que fazem sexo com homens, gays, travestis, transexuais, profissionais do sexo e casais soro diferentes. Entretanto, o fato de fazer parte desses grupos não é suficiente para caracterizar indivíduos com exposição frequente ao HIV.

O documento traz as orientações para utilização dessa nova estratégia de prevenção dentro do SUS, mas a incorporação da PrEP não desestimula o uso do preservativo. Ou seja, a profilaxia não previne outras infecções sexualmente transmissíveis.

De acordo com o ministério, o Brasil é o primeiro país da América Latina a oferecer a PrEP no sistema público de saúde. A implantação ocorrerá de forma gradual, a partir de dezembro deste ano, em 22 cidades de todo o país: Manaus (AM), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Juiz de Fora (MG), Uberaba (MG), Passos (MG), Recife (PE), Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ), Niterói (RJ), Duque de Caxias (RJ), Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), São Paulo(SP), São Bernardo do Campo(SP), Ribeirão Preto (SP), São Jose Rio Preto (SP), Campinas (SP), Santos (SP), Piracicaba (SP).

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Aplicativos

Também foram lançados hoje aplicativos para ajudar profissionais de saúde e população na atenção à saúde das pessoas vivendo com HIV e Aids. Eles estarão disponíveis a partir de amanhã.

O aplicativo Viva Bem funcionará como um diário para o cidadão que vive com HIV/aids. Nele, é possível inserir lembretes de medicamentos, acompanhar exames, tirar dúvidas sobre esquemas dos medicamentos e monitorar CD4 e carga viral.

Serão quatro aplicativos para profissionais de saúde, para consulta e atendimento em locais remotos – sem conexão com internet. Os aplicativos permitem o acesso simples e rápido aos protocolos clínicos na forma de guia de bolso.

 

Intervenção militar no Brasil: sim ou não


O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), abriu uma consulta pública inusitada em sua conta no Twitter. “Vc é o juiz: o Brasil deve sofrer intervenção militar?” Responderam à pesquisa do magistrado 37.077 internautas. Desse universo, 49% disseram “Sim” a uma intervenção. E 51% rechaçaram a volta dos tanques às ruas. Og é ministro do STJ desde 2008. Ele é graduado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco e em jornalismo pela Universidade Católica em 1974.

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Intervenção militar: solução ou perdição? Foto:divulgação

Entre 1973 e 1981 – era o auge da repressão militar no País, governos dos generais Emílio Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo – ele foi repórter do jornal Diário de Pernambuco. Em 1975 foi professor auxiliar de história no Colégio Militar do Recife.

Exerceu a advocacia na área criminal de 1977 a 1981. Foi assessor de gabinete da Secretaria da Justiça de Pernambuco em 1978 e assessor jurídico do sistema penitenciário do Estado.

Ingressou na magistratura em 1981. Em 1997 foi promovido a desembargador do Tribunal de Justiça de Pernambuco, Corte que presidiu em 2008 – naquele ano foi nomeado ministro do STJ.

Pontífice quer mais rigor contra padres acusados de abuso sexual


O papa Francisco anunciou, nesta quinta-feira, que um religioso efetivamente condenado por abuso sexual contra um menor de idade não poderá apresentar recurso e jamais terá a graça concedida. O pontífice fez este anúncio ao receber os membros da Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores, organismo criado por ele há quatro anos para trabalhar pela educação e prevenção de abusos dentro Igreja Católica.

Francisco, que tinha um discurso escrito, deixou o protocolo de lado para falar de improviso sobre algumas das preocupações e acusações de atraso que surgiram sobre como a Igreja está enfrentando o problema e reconheceu que existe lentidão na hora de analisar os muitos casos que chegam.

Segundo o papa, os atrasos se devem a dois fatores: falta de pessoal e os vários pedidos de recurso. “Os advogados trabalham para tentar diminuir a pena, porque é disso que os advogados vivem”, explicou o pontífice, lembrando que então todos os aspectos legais são analisados novamente, provocando mais atraso.

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Papa Francisco: mais rigor contra abusos sexual envolvendo sacerdotes Foto: divulgação

Diante disso, Francisco anunciou que está trabalhando para que quando um abuso for provado, isso será suficiente para não admitir recurso.”Se há provas, ponto. (A sentença) é definitiva”, declarou.

Para Francisco, uma pessoa que comete um abuso é “doente” e não pode ser perdoada porque pode voltar a cometer o mesmo crime dentro de pouco tempo. “Temos que botar na cabeça que é uma doença”, afirmou ele, reiterando a “tolerância zero contra os abusos”.

Durante o seu discurso, o papa citou o árduo trabalho da Comissão e disse que a Igreja demorou a “tomar consciência” sobre este problema. Entre as pessoas que ouviram as palavras de Francisco estavam o inglês Peter Saunders e a irlandesa Marie Collins, que sofreram abusos sexuais de padres durante a infância.

 

Museu é acusado de pedofilia após interação de criança com homem nu em exposição


A participação de uma criança em uma performance protagonizada por um homem nu deu início a nova polêmica sobre a liberdade artística nas redes sociais, desde a noite desta quinta-feira. Fotos e vídeos registrados no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) mostram uma menina, que aparenta ter em torno de cinco anos, tocando os pés de um artista nu que estava imóvel e deitado sobre o chão.

Em nota divulgada no Facebook, o MAM ressalta que a criança estava acompanhada da mãe e que a sala onde ocorria a performance estava “devidamente sinalizada sobre o teor da apresentação, incluindo a nudez artística”. O museu também garante que o trabalho, entitulado “La Bête”, não tem qualquer conteúdo erótico.

A apresentação ocorreu na abertura da “Mostra Panorama da Arte Brasileira”, realizada na última terça-feira. Trata-se de uma leitura interpretativa da obra “Bicho”, de Lygia Clark, segundo o MAM. O coreógrafo Wagner Schwartz se posiciona nu sobre um tatame, manipulando um origami de papel, de forma a sugerir a interação. Em fotos de divulgação, participantes o abraçam, o mudam de posição e grande parte o filma.

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Homem nu em exposição causa polêmica               Foto: divulgação

Já as imagens da interação da menina com a apresentação foram divulgadas por fontes desconhecidas na internet. A criança parece mostrar curiosidade enquanto engatinha pelo tatame, vendo uma mulher adulta tocar os pés do artista. A mulher a incentiva a participar, a menina ri, toca rapidamente os dedos dos pés dele, e volta à plateia diante de sorrisos do público.

Críticas

As críticas, que se multiplicaram em publicações durante a madrugada, acusam o museu de “incentivo à pedofilia”. O teor dos comentários é o mesmo daqueles que levaram o Santander Cultural a encerrar a exposição “Queermuseu”, alvo de protesto ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL) em Porto Alegre. O MAM não mostra qualquer intenção de cancelar a mostra ou a performance. “As referências à inadequação da situação são fora de contexto”, diz a nota do museu.

 

Projeto de lei (RJ) pode obrigar clientes a se identificar com nome e CPF em motéis


Um projeto de lei que visa coibir a exploração sexual deve impor a identificação com nome e CPF para clientes de motéis no Rio. Encaminhado para Comissões municipais, o PL nº 427/2017, do vereador Jones Moura (PSD), cria a Política Pública de Combate ao Turismo Sexual e ao Abuso e à Exploração Sexual que prevê multa de R$ 500 mil e cassação de alvará para os estabelecimentos que descumprirem a obrigação de identificação.

De acordo com o PL, além dos motéis, todos os estabelecimentos hoteleiros passam a ser obrigados a identificar seus hóspedes e, ainda, armazenar os dados pelo prazo de cinco anos. Outro ponto será a obrigação de que os locais também apresentem os dados a fiscais ou autoridades policiais que o requiram. Os estabelecimentos que descumprirem essas determinações estarão sujeitos a multa de R$ 15 mil por ocorrência.

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A proposta é que, a partir da aprovação, a Prefeitura do Rio passe a adotar uma série de medidas de combate ao turismo e exploração sexuais. Também estão previstas ações de apoio às vítimas, como levantamento quantitativo dos casos, com registro em um banco de dados, e realização de visitas domiciliares, para identificar e intervir na situação de pessoas submetidas à exploração sexual.

SPREV promove palestra sobre suicídio


Com o tema “Suicídio: Como abordar e prevenir?”, a Superintendência de Prevenção à Violência (SPREV), por meio do Núcleo de Estudos e Atenção ao Uso de Drogas (Nead), promoveu, na manhã desta quarta-feira (27), no auditório do Ministério Público, em Nazaré, um ciclo de palestras sobre como conciliar a atividade de segurança pública com qualidade de vida, foco na prevenção e atendimento nos casos de tentativas de suicídio.

As palestras foram ministradas pelos majores Flailton Batista, da Superintendência de Telecomunicações (Stelecom), especialista em programação neolinguística, e Ramón Dieggo, comandante do 3º Grupamento de Bombeiros Militares, e pelo psicólogo do Nead, Gessé Silva.

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SPREV promove palestra sobre suicídio Foto: SSPBA

“Sempre estamos fazendo eventos como esse, que visam a melhoria dos nossos servidores, que sempre estão enfrentando situações de muita tensão,”, afirmou o superintendente da SPREV, coronel Lázaro Monteiro, lembrando que policiais e bombeiros possuem muitas responsabilidades diante da sociedade.

Além de autoridades civis e militares, o evento contou ainda com a participação da coordenadora do programa de valorização do servidor, delegada Marjorie Veiga. A temática abordada integra o ciclo anual de palestras e debates promovidos pelo Nead e está diretamente vinculada a política de valorização do servidor da Secretaria da Segurança Pública (SSP), através do programa + Valor.

PM apreende 60 kg de maconha no Ferry Boat (BA)


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Tiago Carvajal foto: SSPBA

Equipes da Operação Apolo da Polícia Militar e da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos (DRFRV) da Polícia Civil, junto com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) flagraram, na manhã desta quinta-feira (28), Tiago Tadeu Santana Fazzio Carvajal transportando 60 quilos de maconha, na saída do Ferry Boat, em Água de Meninos.

Apreensão aconteceu durante abordagens que fazem parte do treinamento da PRF, onde estão participando policiais da DRFRV e da Apolo. A capacitação teve início na segunda-feira com aulas teóricas sobre possíveis fraudes no sistema de identificação de veículos.

Segundo o comandante da Operação Apolo, major PM André Pereira Borges, hoje foi iniciada a primeira aula prática. “Durante o procedimento, onde as equipes estavam conhecendo melhor sobre identificação de veículos adulterados, ocorreu o flagrante”, afirmou. O delgado titular da DRFRV, Marcelo Tânus, informou ainda que as ações continuarão durante a tarde em diversos pontos da cidade.

Tiago Tadeu Santana Fazzio e o material apreendido foram encaminhados para a DRFRV, localizada na região do Shopping da Bahia. O criminoso foi atuado por tráfico de drogas.

Governo promete R$ 200 milhões para o Rio e a criação de calendário turístico


Três medidas. Foi o que anunciou o secretário geral da Presidência da República, Moreira Franco, na manhã do dia 24/09, durante a coletiva de lançamento do programa “Rio de Janeiro a Janeiro”, que terá início no Réveillon 2017/2018, com um investimento de R$ 200 milhões. Entre as novidades está a criação de um calendário de eventos da cidade.

“ O Rio de Janeiro é um local amado, querido, ambicionado por todos os brasileiros. Por isso, o Rio é a porta de entrada, sobretudo, por sua capacidade de conviver com uma comunidade plural. Por isso, o Governo Federal mobilizou todo o esforço para ter, a partir de agora, um movimento que visa cumprir alguns objetivos. O primeiro deles é restabelecer um ambiente de segurança e de confiança. Começar a passar para todos que aqui vão encontrar um ambiente pacífico – disse o Franco, que complementou:

“ Vamos dar a virada nessa situação constrangedora que o cidadão vive. Ontem tivemos felizmente uma manifestação clara que não há disposição do governo federal, municipal e estadual de conviver com esse tipo de afronta. Vamos buscar uma intervenção. Definição de segurança para mudar as coisas como estão. Não queremos uma invasão imediata. Queremos construir uma base de segurança no rio. Ela não vai durar um governo. Não tem um prazo. O prazo é necessário para que essa integração cumpra o seu objetivo que é reduzir o crime organizado e sua prepotência e estabelecer controle de armas letais que penetraram no estado”.

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Governo promete R$200 milhões para o Rio de Janeiro Fotos: Verônica Rainer

Sérgio Etchegoyen, ministro-chefe do Gabinete da Segurança institucional da Presidência da República, disse que o esforço da segurança no Rio vai até o fim do ano que vem.

— Estamos no segundo mês (da atuação das Forças Armadas no Rio). É um esforço que vai até o final do ano que vem. É até quando o atual governo pode planejar. Sigo com firmeza nesse esforço. Há solução para o Rio de Janeiro. A solução começa aqui.

Idealizado por empresários do setor de entretenimento, o calendário “Rio de Janeiro a Janeiro”, que começa a partir do Revéillon 2017/2018, será formado por eventos estratégicos nos segmentos de cultura, esporte, turismo e negócios. com objetivo de impactar positivamente na atração de turistas e de investimentos na cidade, com um investimento de R$ 200 milhões. Moreira Franco falou ainda sobre a capacidade do carioca de superar suas dificuldades:

— Temos a capacidade se superar as nossas dificuldades. Não temos medo e temos energia para superar o que é desagradável. Precisamos de uma logística de recuperação dos jovens nas áreas carentes. Eles precisam de auto-estima para acreditar que podem construir um mundo melhor. Por isso, chamamos a FGV para fazer a avaliação dos eventos e vamos ver qual será a capacidade de atrair novos turistas e buscar patrocínios. Precisamos gerar emprego e renda.

Ele afirmou, no entanto, que está conversando com setores de turismo e da aviação para evitar a prática de cobranças abusivas por esses setores, uma vez que o objetivo é atrair turistas e mais investimentos para a cidade:

— Eu tenho certeza que tanto o setor hoteleiro, quanto as companhias aéreas, terão a inteligência para praticar os preços adequados e não cobrar diárias e passagens exorbitantes.

Ministro da Cultura, Sérgio Sá Foto: divulgação
Ministro da Cultura, Sérgio Sá Foto: divulgação

Já o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, destacou os cinco critérios que nortearam o estudo feito pela FGV para avaliar a agenda com cem qie serão realizados no Rio em 2018: o impacto na atrações turísticas, impacto na geração de renda e emprego, impacto em novos investimentos , impacto na inclusão social e a possibilidade de sustentabilidade e expansão deste eventos.

— Vamos abrir agora, entre 16 de novembro e 15 de dezembro, um processo de seleção para que outros eventos se juntem ao Rio de Janeiro a Janeiro e recebam a chancela do programa. Essa inscrição poderá ser feita pelo site do Ministério da Cultura. A FGV vai fazer esse mesmo estudo do potencial e teremos em janeiro o anúncio dessa nova leva de eventos que serão incorporados ao calendário — explicou o ministro, que completou:

— Esperamos que esse calendário continue em 2019 e nos anos seguintes.

Em um rápido discurso, o prefeito Marcelo Crivella iniciou a sua fala dizendo que havia comentado com o presidente do Rock In Rio que Deus havia os ajudado a fazer que o festival fosse um sucesso.

— Queria que tivesse uma olimpíada por mês na cidade. Porque os eventos do Brasil trazem mais segurança para a nossa cidade. Agora, esses eventos são nacionais. E a segurança passa a ser uma rendibilidade de todos – disse Crivella, que agradeceu ao ministro Moreira Franco por ter recebido o calendário formulado pelo grupo encabeçado pelo empresário Roberto Medina.

Trabalho para capacitar jovens carentes

O ministro de Desenvolvimento Social, Osmar Terra, afirmou que a pasta terá uma ação básica complementar na garantia da segurança, que é a inclusão social de milhares de jovens que vivem como reféns da violência. O objetivo, segundo ele, é capacitar esses jovens para que possam trabalhar na área hoteleira e de eventos.

— Hoje a juventude, em alguns lugares da cidade, está quase prisioneira, tem medo de sair de casa em detemrinadas favelas, de ser atacada pela facção. Os jovens quase não saem do lugar em que vivem, não tem outra inspiração, outra vida cultural. A ideia é buscar esse jovem com ações na área da educação, do esporte, da capacitação/qualificação profissional. Mostrar que tem todo um mundo possível para eles — disse.

PhD em Química por Harvard faz pesquisa com alunos no ensino médio


A fala doce, baixinha e de sotaque carregado já dá a pista. Aquela mulher de aparência frágil, de não muito mais do que um metro e meio, tem o dom de contornar obstáculos. De família pobre de Franca, no interior de São Paulo, a professora de Química Joana D’Arc Felix de Souza estudou em apostilas emprestadas e, muitas vezes, dormiu com fome quando morava em Campinas, onde fez graduação, doutorado e mestrado na Unicamp. De lá, bateu asas para os Estados Unidos, onde concluiu seu pós-doutorado na Universidade de Harvard, uma das mais prestigiadas do mundo. A vida lhe pregou uma peça, e ela precisou voltar ao Brasil, onde, desde 2004, faz pesquisa de ponta com alunos do ensino médio na Escola Agrícola de sua cidade natal. Acha que ela se lamentou? Tratou de inovar e já tem, em parceria com os estudantes, 15 patentes nacionais e internacionais registradas.

Essa história surpreendente começou quando Joana tinha apenas 4 anos e acompanhava a mãe, empregada doméstica, no trabalho.

— Tive a oportunidade de começar a estudar bem cedo porque minha mãe era empregada doméstica — diz ela.

Se você procura alguma lógica nessa frase, esqueça. Poucas coisas na vida de Joana seguem o rumo “esperado”.

— Para eu ficar quietinha, minha mãe me ensinou a ler o jornal que chegava na casa. Sem estudo, minha mãe foi minha primeira professora. Ela só tinha até a 4ª série.

A patroa da mãe era diretora de escola do Sesi e surpreendeu-se quando viu que a menina, aos 4 anos, já lia. Com a ajuda dela, Joana começou o ensino fundamental naquela idade.

Ao concluir o ensino médio, decidiu que faria Química.

— Minha família morava numa casa no curtume em que meu pai trabalhava. O químico do curtume usava jaleco branco. Desde pequena, eu era apaixonada pelo jaleco e dizia: “Quero usar um desses”.

Estudando em apostilas emprestadas, passou nas três universidades estaduais de São Paulo: Unicamp, USP e Unesp.

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Joana Félix Foto: divulgação

‘Chegou a passar fome’, conta Joana

Joana escolheu estudar na Unicamp, em Campinas. Com a ajuda do pai e do patrão dele, foi morar num pensionato. O dinheiro era contado para o transporte e uma refeição ao dia no bandejão:

— Eu guardava o pãozinho para ser o meu jantar. Às sextas-feiras, pedia mais pães para o fim de semana. Era tudo.

Joana conta sobre essa fase de sua vida sem nenhum traço de amargura.

 

—Cheguei a passar fome, mas decidi vencer pelos estudos. Meu pai dizia: para atingir seus objetivos, tem que passar pelo sacrifício. Quem não nasce em berço de ouro tem que arregaçar as mangas. Se você desistir, nunca vai chegar lá.

E ela chegou. Ao terminar o doutorado na Unicamp, recebeu um convite para fazer pós-doutorado em Harvard. Seu orientador sugeriu que ela levasse um produto nacional para estudar. O pai deu a ideia de trabalhar com resíduos do curtume, um passivo ambiental importante para Franca, a Capital do Calçado. A indústria coureira local gera 218 toneladas de resíduos por dia.

Desde então, os resíduos de curtume são sua matéria-prima. A partir dessa lama, desenvolveu mais de 20 projetos.

Cientista tem 15 patentes registradas

As 15 patentes registradas por Joana, no entanto, não foram desenvolvidas nos laboratórios de Harvard, mas nas bancadas do curso técnico de curtimento da Escola Agrícola de Franca, do qual é coordenadora.

— Minha intenção era ficar nos Estados Unidos. Mas, com um ano e meio de curso, minha irmã morreu. Um mês depois, meu pai também teve um enfarte fulminante. Minha mãe, muito doente, ficou com meus quatro sobrinhos, então com 2 meses, 1, 3 e 4 anos. Terminei o curso e, em 1999, e voltei para ajudá-la — conta.

Joana fez concurso para professora na Escola Agrícola Técnica Professor Carmelino Corrêa Júnior, onde a maioria dos alunos é como ela, de origem humilde. Sua chegada revolucionou o colégio. Com bolsas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), implantou a iniciação científica no colégio.

A pedagoga Roberta Real Suaroz, de 33 anos, que foi uma das bolsistas de Joana, guarda na memória a paciência e a persistência da mestre:

— Nunca a vi perder a calma. O meu projeto não dava certo, e ela dizia: “Você tem que fazer dar certo e, se tiver que tentar mil vezes, faça mil vezes”. Ela não desiste nunca.

Os inventos

Pele artificial – Pele artificial para ser transplantada em casos de queimaduras. O projeto foi premiado na Genius Olympiad 2017, da Universidade do Estado de Nova York Oswego, onde foi apresentado pelos alunos.

Cimento ósseo – Cimento ósseo que usa o colágeno do couro reciclado de resíduos das indústrias coureira e pesqueira.

Fertilizante – Fertilizante a partir de resíduos de calçados. O processo também recicla corantes, barateando seu custo de R$ 250 o quilo para R$ 2. Desenvolvido com o sobrinho mais velho, hoje cursando faculdade de Química, o invento ficou em segundo lugar na Genius Olympiad 2014.

Filtro de escamas – Sistema de filtragem com escamas de peixe.

Tecido para hospital – Entre os cerca de 20 projetos atuais, Joana começou a pesquisar, com uma aluna de 14 anos, um tecido antimicrobiano para lençóis e roupas de hospital. O objetivo é reduzir infecção hospitalar.

Fonte: Jornal Extra

Itabuna: novo pacto federativo para atenuar crise dos municípios


O Prefeito de Itabuna, Fernando Gomes, defendeu, ao participar na quinta-feira (21) de um encontro com os prefeitos associados à Amurc, na sede da entidade, para discutir a crise financeira que afeta aos municípios sulbaianos, a realização de uma reforma tributária visando evitar o empobrecimento das prefeituras em função da concentração da arrecadação que beneficia à União e aos estados. Na oportunidade, o consultor da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Eduardo Strans, apresentou informações e alternativas para o enfrentamento das dificuldades, além das opções para que os municípios atuem de modo a melhorar a captação de recursos próprios.

Segundo o prefeito Fernando Gomes, o atual critério de distribuição de recursos centralizado no governo federal, gera uma série de distorções, pois a União fica com a arrecadação de impostos dos municípios e repassa às prefeituras apenas parte dos valores arrecadados através do Fundo de Participação dos Municípios  (FPM), com isto, a capacidade de investimentos das prefeituras sofreu limitações. Para ele, “é importante que haja uma ampla  discussão do problema nesse momento, mas é preciso que o governo federal olhe para os municípios, uma vez que eles produzem, não são respeitados e não recebem a contrapartida para a realização de obras e ações de governo consideradas essenciais”.

Ciente do papel de liderança que Itabuna exerce perante os demais municípios da região, Fernando Gomes observou que, por ser um polo do sul da Bahia, a cidade é uma das que mais sofre com a carência de recursos: “Nós somos um polo regional de comércio e serviços inclusive na área da saúde, e temos o exemplo do Hospital de Base, que atende a demanda de mais de uma centena de municípios, mas sobrevive com os recursos da própria cidade”, comenta o prefeito que defende a união de esforços dos gestores em torno de propostas que possam mudar esse quadro de dificuldades.

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Crise econômica interfere na gestão dos municípios brasileiros Foto: Waldir Gomes

“Hoje, nenhum prefeito consegue ter exatidão do quanto seu município arrecada em impostos porque somos reféns do governo federal, que repassa o mínimo através do FPM”. Considera ainda, que por conta de débitos da prefeitura com a previdência, oriundos de gestões anteriores, o município vem recebendo menos recursos do FPM, que têm sido cortados ao longo dos últimos nove meses da sua gestão. Os débitos serão renegociados agora, com uma autorização do legislativo itabunense.

“Estamos buscando captar recursos a partir de parcerias com Governo do Estado, e trabalhando também para conseguir investimentos junto à iniciativa privada. Não mediremos esforços para amenizar esse momento de dificuldades econômicas para que a população não sofra os impactos negativos da crise nacional e que se reflete nos municípios empobrecidos”, complementou.

O presidente da Amurc e também Prefeito de Itacaré, Antônio Mário Damasceno, o Antônio de Anízio, explica que a reunião teve por objetivo discutir a questão da crise que afeta aos municípios e se agrava com a queda de arrecadação. Ele cita que os repasses do FPM tiveram uma queda de 32% e “está difícil para os municípios fazerem até o repasse das câmaras, por isto nós prefeitos precisamos compartilhar experiências e apresentar propostas para o Congresso Nacional, de modo que haja um novo pacto federativo, porque o governo federal concentrou toda a arrecadação e repassa as migalhas para os municípios.”

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