Luiz Caldas


Ele nasceu em Feira de Santana (BA), participa de shows desde os 10 anos e é considerado um dos grandes divulgadores da música baiana. Estamos falando de Luiz Caldas, cantor e compositor, que atravessa décadas sempre apresentando músicas que agitam multidões. O “Pai do Axé”, como é carinhosamente reconhecido, falou com a reportagem do Carvalho News sobre carreira, vida pessoal e outros temas interessantes. Quer saber mais? Então não perca tempo e leia a entrevista abaixo.

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Fotos: Divulgação

 

Carvalho News – Nas últimas décadas, temos observado o surgimento de muitos cantores (as) e bandas, mas também notamos o desaparecimento de muitos desses artistas. Por que isso ocorre?

Luiz Caldas – É o fenômeno da indústria cultural, que tem que lançar novidades para se movimentar. Isso é uma questão histórica

CN – O povo do Sudeste sentiu muito a sua falta durante algum tempo. O que houve?

Luiz Caldas – Eu me recolhi para reconstruir a minha produção musical e hoje me orgulho de lançar um disco por mês, e já são mais de três anos lançando canções inéditas. A prova está no meu site www.luizcaldas.com.br  Nesse período eu continuei trabalhando em outras regiões do Brasil, que é um país continental.

CN – Em 2010, você lançou o álbum “Tupi – Nheengara Recé Taba. Qual o seu vínculo com a nação indígena brasileira?

Luiz Caldas – Os índios são os verdadeiros descobridores do Brasil. Este disco em tupi é para dizer que aqui já existia um Brasil, bem antes da chegada dos portugueses. O meu vínculo com os índios é de reconhecimento e de gratidão por tudo que eles semearam, como as palavras que estão presentes na nossa língua corrente.

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CN – Você é um artista antenado com o cenário musical brasileiro. Qual sua avaliação do nosso atual momento, em relação às possibilidades de surgirem novas estrelas e astros da nossa música?

Luiz Caldas – Um Brasil é um país aberto às novas possibilidades porque somos musicais desde sempre. A avaliação é das mais positivas, porque temos as ferramentas tecnológicas para desaguar as novíssimas produções, por conta da Internet e das redes sociais, por exemplo. Além do mais, o público espera pelo novo e o novo existe em cada um de nós.

CN – O que significa para você ser o “Pai do Axé”?

Luiz Caldas – Reconhecimento por tudo que fiz para a música gerada na Bahia.

CN – Você é de origem pobre e teve que se esforçar muito para chegar onde está. Qual a melhor lembrança que guarda de sua infância?

Luiz Caldas – Brincar com a imaginação, transformando objetos em instrumentos musicais, como latas e cabo de vassoura.

CN – Quais os momentos mais marcantes da sua carreira?

Luiz Caldas – Todos os momentos valem para sempre, mas as apresentações no programa do Chacrinha, por exemplo, continuam presentes, pois Chacrinha além de acolher a minha musicalidade me disse, no camarim, que eu estava reinventando a música baiana. Ele estava fazendo uma premunição que terminou acontecendo.

CN – O que é sucesso para você?

Luiz Caldas – Sucesso é estar feliz com o que se faz. Eu faço um disco por mês e em estilo diferente e já são mais de 15 milhões de downloads desses discos. O sucesso, para mim, é isso, e passa pela minha felicidade.

CN – Fale-nos um pouco sobre o seu projeto atual: Malê no Mali.

Luiz Caldas – Malê no Mali é um disco de Axé Music que mostra que a alegria da Axé Music reina dentro de mim, desde sempre. Esta canção que batiza o disco é uma parceria com o poeta e escritor César Rasec, que também faz as capas dos meus discos mensais. Malê no Mali é um caminho para mostrar que a música não tem fronteiras e que a Bahia e a África estão unidas desde sempre.

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CN – O Luiz Caldas é politizado? O que tem achado das descobertas feitas pela Polícia Federal em relação à Operação Lava Jato, por exemplo?

Luiz Caldas – Sou totalmente politizado, mas deixo essa politização silenciosa dentro de mim.

CN -Como você tem encarado todo esse movimento de “moralização” do Brasil, que vem ocorrendo nos últimos anos?

Luiz Caldas – São etapas da democracia. São avanços que se consumam gradualmente.

CN – Quais seus projetos futuros?

Luiz Caldas – Manter a produção de um disco por mês, e não tenho prazo para dar um ponto final neste projeto musical, que é um projeto de vida. Creio que, no mundo, não tenha um artista com tantos lançamentos de canções inéditas como eu e em estilos diferentes. A cada dia, é fato, este projeto atinge outras pessoas e mais outras pessoas e o mundo saberá que um brasileiro se doou à música por amar a música e por ser música. O tempo está se encarregando de tudo. Vem agora em março um disco experimental com canções sensoriais ligadas aos elementos da natureza. Eu fico me reinventando a cada mês e agradeço a Deus por me dar essa capacidade de reinvenção.