Atritos com Índia e China atrapalham importação da vacina.


MRE e diplomatas estão trabalhando para resolver os impasses

André Lucas

Um grande esforço está sendo feito no Itamaraty para “resolver” os atritos criados pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, com os líderes da China e Índia, em relação à vacina e aos insumos. 

Embaixadores que acompanham de perto as negociações dizem que o Brasil errou demais na comunicação. A análise no MRE ( Ministério das Relações Exteriores) concluiu que o governo brasileiro fez muito anúncio sem estar com o produto. 

 Apesar de o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, ser considerado da chamada ala ideológica do governo, ele tenta estabelecer uma parceria entre os países para que a vacina possa chegar ao Brasil nos “ próximos dias”. 

Apesar do esforço de Araújo, os dois embaixadores de cada um dos países estão sendo considerados os principais representantes do país nas conversas sobre o impasse. 

Vacina indiana

No caso da Índia, o diplomata André Aranha Corrêa do Lago tem chegado a um entendimento e afirmou às autoridades brasileiras que acredita no fim do impasse, ou seja na entrega das duas milhões de doses das vacinas já adquiridas pelo Brasil. A instrução do diplomata é não anunciar nada enquanto não estiver com a vacina para não repetir o mesmo erro. 

Na China o problema é mais complexo, além dos esforços internos e comerciais, ainda existe um trabalho para melhorar a relação entre o governo de Pequim e o governo de Jair Bolsonaro.  

Diplomacia brasileira entra em ação

O embaixador do Brasil em Pequim, Paulo Estivallet de Mesquita, conversa com os líderes chineses para quebrar o bloqueio das importações dos IFAs (Ingrediente Farmacêutico ativo) que serão usados para a fabricação das vacinas contra o Covid 19. 

Diplomatas dizem que as turbulência são por causa do Bolsonaro e sua conduta ofensiva contra os chineses, e também por seus apoiadores, principalmente da área ideológica que já acusaram a China de ser culpada pelo covid 19, e também insinuou que a China faria uma vacina insegura propositalmente. 

O que os diplomatas fazem é tentar separar a postura do Governo Federal e as relações entre Diplomatas que atuam na negociação. Evitando assim que o Governo de Pequim direcione ofensivas aos representantes brasileiros por frases erradas do Presidente. 

Nesta terça-feira, dia 19 de Janeiro, a OMC (Organização Mundial do Comércio, o representante da Índia foi claro e disse que estamos todos vivendo um grande pesadelo, o mundo estar em um impasse, Não tem vacina suficiente para todo mundo. 

O Brasil comprou sua vacina da Oxford/AstraZeneca. Mas o produto é fabricado na Índia. O problema é que, com um governo nacionalista, Nova Déli dificultou a exportação dos imunizantes para permitir que sua campanha de vacinação fosse iniciada. 

Além disso, os Indianos anunciaram que vão distribuir a Vacina Primeiramente para seus aliados e vizinhos na região, uma jogada geopolítica muito bem planejada. 

Nova Déli ainda colocou dúvidas sobre a capacidade do mecanismo da OMS (Organização Mundial da Saúde) de distribuir vacinas para poder ser uma solução.  

O projeto de democratizar vacinas conta com uma forte rejeição por parte dos países ricos, detentores das patentes. 

O Brasil, desde o começo do projeto, foi o único país em desenvolvimento a declarar abertamente que era contra a proposta, abandonando anos de liderança internacional para garantir o acesso a remédios aos países mais pobres. 

Há 20 anos, foi a ação internacional do Brasil que levou a OMC a estabelecer regras para permitir um maior acesso a remédios. Naquele momento, a luta era para enfrentar a aids.