Justiça dá 72 horas para Planalto explicar sigilo no cartão de vacina do Bolsonaro


A AGU argumenta que informações dizem respeito a vida privada, intimidade, honra e imagem

André Lucas

Em resposta a ação movida pela Deputada Federal e Presidente do PT (Partido dos trabalhadores), Gleisi Hoffman, a 20° vara federal de Brasília protocolou hoje a decisão que obriga o Planalto a prestar esclarecimento  sobre o motivo do cartão de vacinação do Presidente da República, Jair Bolsonaro, tem sigilo de até 100 anos, o governo tem 72 horas para explicar o caso.

Em ação popular, Gleisi pede a suspensão da medida que garante o sigilo, e pede para o Gabinete de Segurança da instituição e para a Advocacia Geral da União apresentarem o aval para aplicar o sigilo. 

No pedido Hoffman afirma que o sigilo é ilegal, uma vez que as informações referentes ao presidente se encontram divididas entre aquilo que é de sua vida privada e aquilo que é público. Em meio a pandemia do Covid 19 informações sobre a vacina são de interesse público, e devem ser divulgadas de forma correta como previsto em lei. 

A presidente do PT, deputada federal Gleisi Hoffman. Foto: divulgação.

A deputada Gleisi Hoffman falou sobre o caso, e disse, “Justamente pela controvérsia social instaurada, em que o senhor presidente da República fez questão de expor suas opiniões, é indubitável o interesse público na informação acerca do histórico de Jair Bolsonaro quanto à sua saúde e imunização, dado não se estar a tratar de um cidadão qualquer, mas do chefe de Estado e de governo da nação brasileira”, escreveu a parlamentar no último domingo. 

O sigilo foi decretado após pedido de acesso ao cartão de vacinação do presidente feito por meio da Lei de Acesso à Informação pela coluna do jornalista Guilherme Amado, da revista Época.

Segundo a Presidência, o decreto foi feito porque os dados “dizem respeito à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem” do presidente. 

Bolsonaro tem questionado a eficácia e a segurança dos imunizantes contra a Covid-19 e dito que não vai vacinar. “Não vou tomar a vacina e ponto final. Se alguém acha que a minha vida está em risco, o problema é meu e ponto final”, afirmou ele em 15 de dezembro. 

Dias depois, ele questionou os efeitos colaterais no imunizante. “Lá na Pfizer, tá bem claro lá no contrato: ‘nós não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral’. Se você virar um chi… virar um jacaré, é problema de você, pô. Não vou falar outro bicho, porque vão pensar que eu vou falar besteira aqui, né? Se você virar super-homem, se nascer barba em alguma mulher aí ou algum homem começar a falar fino, eles não têm nada a ver com isso. Ou, o que é pior, mexer no sistema imunológico das pessoas”, disse.  

Em nota, a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) afirmou que o sigilo atendeu aos critérios da LAI e citou o artigo 31 da norma, pelo qual “o tratamento das informações pessoais deve ser feito de forma transparente e com respeito à intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas, bem como às liberdades e garantias individuais, as informações pessoais, a que se refere este artigo, relativas à intimidade, vida privada, honra e imagem: terão seu acesso restrito, independentemente de classificação de sigilo e pelo prazo máximo de 100 (cem) anos a contar da sua data de produção, a agentes públicos legalmente autorizados e à pessoa a que elas se referirem”.

Secretário da Saúde da Bahia diz que atual comportamento da pandemia impede realização do Enem


Posicionamento foi compartilhado através das redes sociais

Thais Paim

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) está se aproximando e a pressão para que a prova seja adiada novamente aumenta. O motivo? O agravamento da pandemia do novo coronavírus em diversos estados do Brasil, com o crescimento do número de casos e óbitos pela doença. Nesta terça-feira (12), foi a vez do secretário da Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, se posicionar e apoiar o movimento que pede um novo adiamento das provas. 

O Enem, marcado para os próximos dois domingos (17 e 24) acontecerá presencialmente, apesar de entidades médicas, políticos, associações científicas e estudantes cobrarem uma nova mudança na data das provas. O exame estava inicialmente previsto para novembro de 2020. 

Em sua rede social, o titular da Sesab fez uma publicação em que argumenta que o comportamento da pandemia em todo o Brasil impede que o exame seja realizado.  

“O comportamento assimétrico e de franca expansão da pandemia no Brasil impede a realização do ENEM na data de 17 de janeiro de 2021. Em praticamente todos os Estados do Brasil diversas regiões de saúde apresentam alto risco de transmissão da COVID-19”, afirmou Vilas-Boas no Twitter. 

Ele seguiu afirmando que “diante do iminente início do processo de vacinação da população brasileira, entendemos ser oportuno e necessário prorrogar a realização do exame”. Além disso, a hashtag #adiaenem também foi usada por ele. 

Além do secretário da Saúde da Bahia, senadores e deputados baianos têm se manifestado a favor do adiamento da prova. 

Por sua vez, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao Ministério da Educação e responsável pelas provas, não pretende mudar as datas.

Saiba mais sobre o calendário de pagamento do IPVA em 2021


Pagamento do imposto é obrigatório

Thais Paim

O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) é uma cobrança realizada anualmente, que possui calendários distintos, com diferentes vencimentos para cada estado do país. Este ano a previsão é de que haja uma redução de 4,6% do valor cobrado. 

O pagamento do IPVA é obrigatório e a alíquota apresenta variação conforme o modelo e o ano de fabricação do veículo, sendo que o estado em que o contribuinte mora também afeta o valor final. 

Em alguns estados, o IPVA pode ser pago com desconto, por quem optar pela chamada cota única. Quem não optar pela parcela única, pode pagar o imposto em parcelas que variam de estado para estado.

Confira abaixo o calendário para o pagamento do imposto em cada um dos estados e no Distrito Federal.

Região Norte

Acre

Amapá

Amazonas

Pará

Rondônia

Roraima

Tocantins

Região Nordeste

Alagoas

Bahia

Ceará

Maranhão

Paraíba

Pernambuco

Piauí

Rio Grande do Norte

Sergipe

Região Centro-Oeste

Distrito Federal

Goiás

Mato Grosso

Mato Grosso do Sul

Região Sudeste

Espírito Santo

Minas gerais

Rio de Janeiro

São Paulo

Região Sul

Paraná

Rio Grande do Sul

Santa Catarina

WhatsApp se defende após polêmicas sobre compartilhamento de dados com o Facebook


Aplicativo anunciou novos termos de uso e tem provocado insatisfação dos usuários

Thais Paim

Após as diversas polêmicas envolvendo os novos termos de uso do WhatsApp, o mensageiro foi ao Twitter para se defender. A plataforma decidiu publicar um posicionamento a respeito dos novos termos de uso e compartilhamento de dados do aplicativo. 

A publicação contém um infográfico feito para indicar o que o WhatsApp pode e não pode fazer, além de apontar os poderes do usuário. Entre essas possibilidades apresentadas, está a opção de baixar os dados quando quiser e colocar uma “data de validade” em mensagens consideradas importantes, mas que devem sumir até mesmo do seu dispositivo.

Em trecho da publicação, o aplicativo de mensagem instantânea afirma: 

“Nós gostaríamos de abordar alguns rumores e ser 100% claros, nós continuamos a proteger as suas mensagens privadas com criptografia ponta-a-ponta. (…) Nossa atualização nas políticas de privacidade não afeta a privacidade das suas mensagens com amigos ou família”.  

Na rede social, o público está dividido nos comentários, especialmente após notícias de que concordar com os novos termos seria obrigatório. Até mesmo um órgão brasileiro de defesa do consumidor pode intervir.

Análise sobre o posicionamento da plataforma 

O site Android Authority avaliou as mensagens e, ao comparar com as atuais políticas do WhatsApp, encontrou algumas incompatibilidades. Apesar de negar a troca de conteúdos de chats com o Facebook, o FAQ atualizado da plataforma lista uma série de informações paralelas que acabam nas mãos da companhia de Mark Zuckerberg — incluindo o vago “informações sobre como você interage com outras pessoas”.

Além disso, alguns trechos do tweet foram considerados contraditórios. A questão sobre coleta de dados de localização, por exemplo, está bem sinalizada nos termos de uso e indica que o mensageiro de fato se apropria de algumas dessas informações.

Como consequência da atual crise, rivais como o Signal ou o Telegram, que não pertencem a uma gigante da tecnologia, dispararam em downloads e agora aproveitam a fama que pode ou não ser momentânea.

Camaçari: funcionários fazem protesto contra fechamento de fábrica da Ford


Anúncio foi feito pela montadora na segunda-feira (11)

Thais Paim

Após a Ford ter anunciado que a produção de veículos no Brasil será encerrada, diversas inseguranças e incertezas surgiram. Por isso, os trabalhadores da fábrica em Camaçari, região metropolitana de Salvador, realizaram protesto na manhã desta terça-feira (12) contra o seu fechamento. 

Anúncio de fechamento e repercussão 

O motivo da decisão, segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Bahia, Júlio Bonfim, é a instabilidade econômica do país. Ele informou que a explicação foi dada durante uma reunião com o presidente da Ford na América do Sul.

“Ontem eu tive uma convocação por parte da Ford e nessa reunião, eu esperava que a tratativa era referente aos 460 trabalhadores da Ford que estavam suspensos por contrato em lay-off [suspensão temporária]. Mas fomos surpreendidos por um anúncio, por parte do presidente América do Sul, informando da instabilidade econômica do país e a incerteza econômica do país por parte do governo federal, isso dito pelo próprio presidente América do Sul da Ford. E também a questão do coronavírus impactou diretamente no encerramento das atividades da Ford”, revelou o presidente do sindicato.

O Ministério da Economia também se manifestou e afirmou que lamenta a decisão global e estratégica da Ford de encerrar a produção no país. Além disso, afirmou que a decisão da montadora destoa da forte recuperação observada na maioria dos setores da indústria no Brasil; que muitos registram resultados superiores ao período pré-crise. 

A previsão é de que sejam perdidos 12 mil empregos diretos com o encerramento. Com isso, a Ford também fechará as fábricas de Taubaté (SP) e Horizonte (CE), além de Camaçari. Apesar das informações do sindicato, a empresa alega que serão cinco mil empregos afetados.

“O que a Ford tá fazendo hoje é um atrocidade com mais de 12 mil trabalhadores. Por que eu falo isso? A Ford está mentindo quando ela fala que são, simplesmente, cinco mil trabalhadores que estão sendo desligados. Nós temos um acordo coletivo aqui, em que empresas parceiras de autopeças produzem nas mesmas condições como trabalhador direto Ford. Então só somando essas empresas são oito mil, mais quatro mil trabalhadores de empresas satélites que fornecem diretamente para a Ford”, disse.

Júlio Bonfim falou ainda sobre os empregos dos trabalhadores indiretos, de empresas que prestam serviço à montadora. Segundo ele, esses empregos indiretos somam 60 mil trabalhadores.

“São 12 mil trabalhadores diretos, e para cada um trabalhador direto demitido, são cinco trabalhadores indiretos. Estou falando de quase 60 mil trabalhadores indiretos que perdem seus empregos e 12 mil diretos. São 72 mil trabalhadores. Isso é uma camuflagem que a Ford está fazendo, para retirar a responsabilidade social dela, referente a essa atrocidade que ela está fazendo no país e na Bahia, impactando diretamente na economia do PIB baiano e na região metropolitana como um todo, nessa grande massa de trabalhadores que vão ser desligados”, pontuou.

Ao todo, a Ford possui 6.171 funcionários no Brasil e fechou 2020 como a quinta montadora que mais vendeu carros, com 7,14% do mercado nacional. Em comunicado divulgado para a imprensa, a fabricante diz que a decisão foi tomada “à medida em que a pandemia de Covid-19 amplia a persistente capacidade ociosa da indústria e a redução das vendas, resultando em anos de perdas significativas”.

Missão em Wuhan: China volta atrás e diz que foi tudo um “mal entendido”


Após impedir a entrada de uma equipe especializada da OMS, a China anunciou, sem nenhum detalhe, que a equipe vai ao país essa semana

André Lucas

Uma equipe especializada da organização mundial dos médicos, chegará em Wuhan com voo vindo de Cingapura nesta quinta-feira, segundo informações do governo chinês. 

O chefe da OMS, Tedros Adhanom, disse que quer trabalhar junto com a China na missão de entender a origem do vírus e como ele chegou ao corpo humano. 

Anteriormente, Tedros Adhanom disse estar “ desapontado” com a China, isso porque o governo proibiu a entrada dos agentes no país asiático. A declaração teve efeito e autoridades Chinesas voltaram atrás, e afirmaram que foi tudo um grande mal entendido. 

“De acordo com o plano atual, eles voarão de Cingapura a Wuhan em 14 de janeiro”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Zhao Lijian em uma entrevista coletiva regular em Pequim na terça-feira.   

O porta-voz se negou a responder se o a agentes ficaram de quarentena assim que chegasse, e não deu mais nenhuma informação de detalhes sobre a missão. 

O coronavírus foi detectado pela primeira vez na cidade central de Wuhan no final de 2019 e desde então se espalhou pelo mundo, infectando mais de 90.500.000 pessoas e matando quase 2 milhões até agora. 

Muito pouco se sabe sobre a origem, evolução e propagação do vírus, a China se mostra muito sensível sobre a suspeita de acobertar o vírus, e consequentemente facilitar a disseminação da Covid 19. 

Os primeiros casos de Covid-19 no mundo foram reportados pelas autoridades chinesas à OMS em 31 de dezembro de 2019. Esses registros vieram da cidade de Wuhan, a primeira a sofrer um surto do coronavírus. Todos os primeiros diagnósticos estavam relacionados, inicialmente, a um mercado que vende animais selvagens mortos para o consumo humano. 

No entanto, os cientistas ainda não conseguiram confirmar se realmente o coronavírus “saltou” de um animal para o homem nesse estabelecimento ou se o patógeno já circulava antes a partir de outra origem — o mercado, nessa hipótese, teria servido como um superdisseminador da Covid-19 pela aglomeração de pessoas. 

Após meses de impasse, Uma equipe de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) recebeu permissão para viajar à China nesta semana para realizar uma investigação sobre as origens do coronavírus Sars-Cov-2, o causador da covid-19. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (11/01) pela Comissão Nacional de Saúde Chinesa.  

A decisão veio após dias de negociações, entre a Organização Mundial da Saúde e o governo chinês, que primeiramente se frustrou com as proibições da China. 

Nos primeiros dias de janeiro os membros da comissão já tinha saído de seus Países em direção a China, porém foram atrasados porque segundo o chefe da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a China não entregou os documentos dando permissão a equipe para entrar no país. 

A missão, considerada como prioritária para a OMS, é formada por especialistas ligados à entidade e à Organização da ONU para Alimentação e Agricultura (FAO) e à Organização Mundial da Saúde Animal, com integrantes de Estados Unidos, Japão, Rússia, Reino Unido, Holanda, Dinamarca, Austrália, Vietnã, Alemanha e Catar. 

Polícia Civil encontra a CPU sumida da Riotur


O computador é peça fundamental para entender o QG da Propina

André Lucas

Policiais Civis encontraram uma CPU no prédio da Riotur na cidade nova na Barra. O computador estava escondido no forro do quinto andar da cidade. No quinto andar do prédio. Os policiais que o acharam fazem parte da coordenadoria  de investigação de agentes com fórum, e estão encarregados de investigar a denúncia de distribuição de propina na gestão do ex-prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella. 

Segundo as investigações, Rafael Alves, irmão do ex-presidente da Riotur, Marcelo Alves, usava salas da Cidade das Artes para negociar propinas em troca de contratos e outras irregularidades. A CPU, que tinha uma identificação de patrimônio da Prefeitura, estava vazia. 

O equipamento estava na antiga sala da Riotur, onde trabalhava o então vice-presidente da Riotur, Lucio Macedo. Depois da chegada do novo prefeito, houve uma mudança na organização, a Riotur foi para o quarto andar, enquanto o quinto andar foi cedido a Cidade das Artes. 

A CPU foi encontrada inicialmente por um grupo de manutenção que perceberam um vazamento no forro do teto, ao remover o gesso um dos técnicos viu o computador escondido. O serviço foi paralisado e só retornou nesta terça, depois de 4 dias de isolamento. 

O ex-vice-presidente de relações institucionais da Riotur, afirmou que saiu da prefeitura antes das denúncias de distribuição de propinas dentro da sala da Riotur. 

“Pelo que eu sei, após minha saída houve uma reforma no ambiente físico e várias pessoas ocuparam a sala. Meu trabalho na Riotur sempre foi técnico, com base na experiência que adquiri inclusive prestando consultoria no Sebrae e como professor convidado da FGV.” 

Fabrício Villa Flor De Carvalho, que presidiu a Riotur de março a dezembro de 2020, disse que nunca usou a sala e que não tem ideia de qual seja o motivo para ter uma CPU no forró. 

“Fiz a transição, deixei meu computador lá, sequer troquei a senha. A única observação que tenho é que, nas buscas que fizeram ano passado na Cidade das Artes, eles chegaram até a procurar objetos no forro.” 

Apesar de Marcello Crivella não ser mais Prefeito, a investigação continua na coordenadoria de investigação de agentes com Fórum, porque a justiça ainda não transferiu a investigação do caso para a Polícia Civil comum.  

Com a prisão, Crivella se torna o primeiro prefeito a se juntar a uma longa lista de políticos do Rio de Janeiro presos, que incluem os ex-governadores Moreira Franco, Luiz Fernando Pezão, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho e Sérgio Cabral. 

Crivella foi preso no dia 22 de dezembro, junto com ele foram preso na mesma manhã,   o empresário Rafael Alves, apontado como operador do esquema; Fernando Moraes, delegado aposentado; Mauro Macedo, ex-tesoureiro da campanha de Crivella; além dos empresários Adenor Gonçalves dos Santos e Cristiano Stockler Campos. 

Foi o ministério público que denunciou todos eles por lavagem de dinheiro, corrupção ativa, corrupção passiva, e organização criminosa. Segundo o ministério público o valor arrecadado, com as propinas em troca de facilidades de contrato com empresas, chega a R$ 50 milhões.  

Saída da Ford do país


Especialistas discutem se a saída está relacionada ao ambiente econômico brasileiro ou a estratégia da própria montadora

André Lucas

A tanto tempo no Brasil, a Ford impressionou a todos ao anunciar a saída do Brasil. O fechamento das três fábricas da montadora pegou o mercado financeiro de surpresa, que não esperava uma decisão tão repentina. 

Apesar da queda das vendas  e consequentemente a queda dos empregos, que  são elementos de efeito direto da pandemia do corona vírus, especialistas apontam um começo de uma desindustrialização. 

O presidente da Ford na América do Sul, Lyle Watters, explicou que mesmo após reduzir todos os custos possíveis para equilibrar a balança, até mesmo parar de fabricar os caminhões tão tradicionais da marca, mesmo assim as condições econômicas não favorecem a atividade industrial. Segundo ele, seria necessário reduzir “muito mais” para transformar a operação sustentável e rentável. 

O economista Mauro Rochlin em entrevista ao jornal UOL explicou que é muito difícil saber ao certo o que motivou a decisão da empresa,  mas ele acredita ter muito mais relação com a estratégia global da multinacional, do que com o cenário atual brasileiro. 

“Causa estranheza, porque o Brasil ainda é um mercado consumidor muito importante. A perspectiva para 2021 é de venda de cerca de 2,5 milhões de veículos. Não é pouco. Não consigo enxergar, em termos macroeconômicos, o que poderia levar a empresa a se decidir pela saída.” 

O professor de economia, Emerson Marçal, da FGV explicou que não vê a saída da fábrica como um sinal da desindustrialização do país, apesar de perceber uma desconfiança do mercado internacional em relação ao mercado brasileiro. 

“É difícil falar em desindustrialização por causa da decisão de uma empresa, por mais importante que ela seja. Mas é uma decisão simbólica, importante. É uma empresa que está aqui há muito tempo”. Se realmente, e deve ser o caso, eles estão fechando porque essas fábricas [da Ford] não são as mais competitivas, as [montadoras] que ficaram aqui devem ter unidades mais competitivas, então elas vão ocupar esse espaço. O mercado não deixou de existir”, afirmou o professor. 

Emerson Marçal diz que o livre mercado pode ser um problema para a montadora, que perdeu a força de competitividade. Desde a criação do Mercosul a indústria automotiva ficou de fora das regras de livre comércio do bloco econômico. Porém, a partir de 2029 o Brasil e Argentina começaram a comercializar livremente peças e automóveis,  por causa do acordo feito em 2019 entre os dois países sul americanos. 

O professor de economia acredita que isso pode ser o motivo para a empresa fechar suas fábricas no Brasil e manter outras no Uruguai e na Argentina. 

Já Antônio Corrêa de Lacerda, diretor da FEA (Faculdade de Economia, Administração, Contábeis e Atuariais) da PUC-SP e presidente do Conselho Federal de Economia, A saída da empresa estar ligada diretamente ao ambiente frágil e quebrado da economia brasileira.  

“O Brasil vive há anos um processo agudo de desindustrialização, desnacionalização de empresas e desmobilização de cadeias industriais. Estamos “reprimarizando” nossa economia, cada vez mais dependente de commodities” 

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, aproveitou para criticar o governo de Jair Bolsonaro, em relação às pautas econômicas e soluções frustradas para combater a crise no país.  Ainda falou sobre a decisão de juntar pastas para a formação do ministério da economia. 

“Houve perda de interlocução com o setor privado e desempoeiramento de temas de extrema relevância, como política industrial, por exemplo”.

Aquaviário em Vitória


A obra  contará com quatro terminais ao longo da baía de Vitória

Júlia Vitória

Nesta terça-feira, dia 12, o governador do Espírito Santo por  meio da Semob (Secretaria de Mobilidade Urbana e Infraestrutura) divulgou o edital para contratação de empresas para a construção dos pontos de paradas do novo aquaviário de Vitória. A obra custará mais de 6 bilhões de reais segundo a publicação e prevê a construção de quatro terminais ao longo da baía de Vitória. A abertura da sessão da licitação começa dia 11 de fevereiro às 14 h. 

Nas redes sociais, o governador do estado Renato Casagrande falou que os terminais de passageiros estão previstos para serem construídos na Prainha localizada em  Vila Velha, na Praça do papa e no centro de Vitória também será construído em Porto de Santana no Município de Cariacica. Na postagem o governador destacou que esse é um passo importante para retomar um modelo de transporte. O novo aquaviário terá ar condicionado e sistema wi-fi, também terá  um local para as bicicletas, porém o valor será mais caro do que o ônibus transcol. 

As embarcações terão cerca de cem a cento e cinquenta lugares e os terminais contará com sala de espera que os passageiros irão esperar o embarque e para acessar os barcos terá uma ponte que será coberta como abrigo quando chover. A embarcação vai ter sistema interligado com o transcol, ainda não se sabe como irá funcionar, contudo já se sabe que o valor da passagem será mais caro devido o custo de manutenção ser maior que a dos ônibus. A previsão de entrega dos terminais é para novembro de dois mil e vinte e um.

As balsas do sistema começaram a ser utilizadas no estado em 1978, circulou no sistema mais de 400 mil pessoas no mês e tinha os terminais de embarque no centro da capital e em Paul e na Prainha que fica em Vila Velha, contudo por causa do alto custo de de manutenção em 1998, o sistema parou de funcionar e os terminais aquaviários foram desativados. 

Usar a voz para imaginar novos mundos


Julia Vitória

O movimento da literatura indígena vem aumentando desde os anos 90, contudo já existia antes, é um movimento que traz de exemplo a luta pela disseminação do conhecimento e movimento antirrracista. Neste projeto, escritores e pesquisadores usam as vozes para desenhar novos mundos possíveis, fazendo uma ponte de nossas lutas do dia a dia com o espaço para aprendermos novas coisas. 

Fernanda Vieira é uma lutadora de  origem indígena, mas se considera mestiça por ter raízes em Aracaju e subúrbio carioca. Pesquisadora e escritora, ela criou um site onde as literaturas e culturas indígenas que ela está pesquisando ganham espaço. Fazendo doutorado a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), levou as literaturas daqui para pesquisa e conhecimento das causas ativistas.

A pesquisadora faz parte de um movimento maior que está por toda a América, o nome é de origem do povo kuna, que teve origem na Colômbia Abya Yala. Abya Yala, mas para nós significa  “Terra em florescimento” e/ou “Terra madura”. Essa nomeação é utilizada por aliados e ativistas indígenas o nome é para se referir ao nosso continente que tem o nome de América dado pelos invasores segundo eles.

O movimento está ocupando telas, universidades e centros de culturas ocidentais, local onde reconstroem novos entendimentos do mundo e compartilham de saberes. Os perfis nas redes sociais de intelectuais, ativistas e artistas indígenas são diversos, para ajudar em suas lutas. O sistema de mundo hoje faz com que as vozes negras e indígenas fiquem à margem da sociedade, a tentativa de calar foi em vão. A literatura dá o espaço para pensar no cotidiano, reinventar a história, encarar os traumas e dá uma visão de mundo bem diferente. 

À luta antirracista é afro-indígena e a aldeia-quilombo se alarga quando ocupa um espaço na construção do saber. A ancestralidade é bem importante e ela alto, este é o tempos se buscar força e  seguir o caminho dos antepassados para tentar construir um mundo melhor tempo de aumentar as forças para transformar este mundo.