Doenças emocionais, elas merecem atenção especial


Isabelle Carvalho

Estamos sempre de olho em doenças físicas, fazendo exames de rotina, atentos a possíveis sinais que nosso corpo dá que possam impactar na nossa saúde. Mas e os distúrbios emocionais? Estes também podem atingir diretamente nosso bem-estar e, muitas vezes, manifestam-se através de sintomas físicos. É importante ficarmos atentos a possíveis enfermidades corporais, mas nunca negligenciar nosso sistema nervoso. 

Brasil lidera casos de ansiedade

A Organização Mundial da Saúde disponibilizou dados que apontam que o Brasil é o país mais ansioso do mundo, com 9,3% da população considerada ansiosa. Já em uma pesquisa da Universidade de São Paulo, em uma lista de 11 países, o Brasil lidera com mais casos de ansiedade.

O transtorno de ansiedade, estresse e depressão podem causar doenças de pele, problemas no estômago, desregulações intestinais, infecções na garganta, disfunção dos pulmões, dores de cabeça, musculares e nas articulações, alterações no coração e circulação, entre outras. 

O nosso sistema nervoso é o comandante do nosso corpo, por isso, algumas das variações que nosso corpo sofre podem ser influenciadas por algum transtorno mental como algum dos citados acima. Tais distúrbios podem ter origem em diversas situações e cenários.  Podem ser devido a episódios estressantes e de sobrecarga no trabalho, dificuldades financeiras, traumas de infância, problemas de relacionamento na família ou âmbito social, perda de uma pessoa querida, entre outras circunstâncias. 

Além disso, a contemporaneidade é um prato cheio para diagnósticos de ansiedade, estresse ou depressão. Afinal, vivemos uma era de imensa rapidez e imediaticidade que, às vezes, não conseguimos acompanhar.

Solidão e inveja

As redes sociais cada vez mais impondo padrões impossíveis de alcançar e as possibilidades de estarmos conectados no mundo virtual vinte e quatro horas por dia. Tudo isso aumenta e amplifica sentimentos de baixa auto estima, não pertencimento, solidão, inveja, etc. 

Não podemos esquecer também que estamos no que parece o final de uma pandemia mundial que matou milhões de pessoas. Enfrentamos emoções como medo, dúvidas, insegurança diante de uma doença agressiva.

A incerteza sobre o futuro, o isolamento, a impossibilidade de sair de casa, a falta de socialização. Estes foram aspectos que, com certeza, virão a definir os próximos anos, principalmente no quesito psicológico da humanidade. 

Falta de informação dificulta o tratamento

Infelizmente, falar de transtornos mentais ainda pode ser considerado um tabu em nossa sociedade. Diante disso, desencadeia-se uma forte falta de informação, principalmente na população mais pobre. Em meio a desigualdades sofridas diariamente, por que um indivíduo irá se preocupar com a saúde mental?

Pouco se é difundido acerca de doenças emocionais e o quanto podem impactar  nosso bem-estar físico. O atendimento público e gratuito é feito pelo SUS. Já o primeiro contato e acolhimento, pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) com serviços de acompanhamento nas Unidades Básicas de Saúde e em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). 

Por outro lado, também há uma enorme banalização do uso de remédios para distúrbios emocionais. Existe uma facilidade em receber um diagnóstico de “ansioso” ou até mesmo de se auto diagnosticar. Essa cultura da medicalização apenas gera mais ruído entre o conhecimento correto e a população.

O cenário que temos é, então, indivíduos que precisam ser tratados não são pois não sabem que precisam e outros que não precisam ser medicados, mas são. Em questão de políticas públicas, há muito o que se caminhar ainda até que as doenças emocionais sejam desmistificadas e, ao mesmo tempo, não tão normalizadas. 

Isabelle Carvalho é carioca, tem 27 anos, sendo graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Também é graduada em Cinema. Além de possuir especialização em Jornalismo Cultural, é apaixonada por cultura, cinema, ciência e atualidades.

O Instagram da Isabelle é o @isacond.e