ENEM 2021: maior abstenção da história


Coordenadores citam medo e falta de preparo para explicar o alto índice de faltas

André Lucas

O ENEM ( Exame Nacional do Ensino Médio) registrou a maior taxa de desistência da história, mas 50 % dos candidatos não foram fazer o exame esse ano. A principal justificativa é o medo do Covid 19, que fez com que muitos alunos evitassem fazer a prova esse ano para não se colocar em aglomeração. 

A taxa de desistência nessa primeira fase foi a maior da história, no ano passado por exemplo o registro foi de 27% de candidatos que optaram por não ir fazer a prova. 

Segundo o coordenador do curso Anglo, Madson Molina, a ausência dos candidatos inscritos pode ser explicada por basicamente três fatores: a insegurança provocada pelas mudanças impostas pela pandemia, o receio dos estudantes em contrair a covid-19 e o fato de que algumas instituições de ensino optaram por não utilizar a nota do Enem como entrada para seus vestibulares específicos. 

Efeitos da pandemia de covid-19

O coordenador explicou  que o fato dos estudantes principalmente do 3° ano no ensino médio terem sido muito impactados pela crise do covid 19 e consequentemente as aulas paralisadas durante a pandemia. Os alunos desistiram da prova por não se sentirem seguros e preparados para  o grande dia.  

Outro motivo é a insegurança em relação a uma possível exposição ao novo coronavírus. Além de os estudantes terem que ficar na mesma sala com outros candidatos durante várias horas, há ainda a questão do deslocamento, que também implica um risco.  

Madson esclarece que na prática o que muda é o aumento da chance na hora de concorrer as vagas. Através do vestibular o sistema usa as notas dos participantes para construir um Ranking e as maiores notas ficam no topo. 

Os primeiros colocados conseguem as vagas, e os últimos são de certa forma desclassificados (apesar de poder usar a nota para conseguir bolsas em faculdades privadas). 

Com poucas pessoas participando o Ranking fica menor e assim menos competitivos permitindo que alunos com notas mais baixas que a comum conquiste a tão sonhada vaga na faculdade. 

“Pode ocorrer, por exemplo, de alguma instituição não impor uma nota mínima para um determinado curso. Nesse caso, como a quantidade de vagas é fixa e tem-se uma população menor, é muito provável que a nota de corte abaixe”, afirma o pedagogo. 

A denúncia dos alunos que ficaram barrados no corredor

Alunos denunciaram as medidas de segurança que barravam alunos das salas por superlotação. Na internet são diversos os posts de alunos frustrados e revoltados por conta da situação. 

Para o pesquisador Fernando Cassio, houve um subdimensionamento das estruturas dos locais de prova pelo Inep e instituições aplicadoras como Cesgranrio e Fundação Getúlio Vargas. “Foi um erro gravíssimo.” 

Na análise de Fernando a Medida de segurança foi no mínimo amadora, e colocou em risco a lisura do exame,  “Eles mandaram gente pra casa e não têm registros formais para a ação, já que tudo foi feito no improviso. Qual a garantia de que eles conseguirão diferenciar quem de fato se ausentou, de quem se atrasou, ou de quem foi e voltou?