Incêndio na Boate Kiss completa três anos


Palavras como tristeza,  aflição e desanimo podem descrever com perfeição o sentimento dos  parentes das vítimas do desastre na Boate Kiss, em Santa Maria (RS).  Nesta semana, mas especificamente no dia 27/01, a tragédia gaúcha faz aniversário: são três anos. A maior expectativa dos parentes das vítimas é em relação à Justiça. Entretanto, poucos imaginam que os processos judiciais resultarão em penas altas para os réus. A maioria critica  a ausência de autoridades entre os processados.

Nesse longo período, apenas dois episódios parecem ter dado a sensação de consolo e esperança de justiça aos parentes das vítimas:

  • Dois meses depois do acidente, quando a Polícia Civil responsabilizou 35 pessoas por falhas que levaram ao incêndio – do total, 16 delas por crimes comuns (incluindo homicídio), 10 por crimes previstos no Código Militar e o restante por omissões, que caracterizam improbidade administrativa.
  • Nos quatro meses seguintes à tragédia, quatro réus do processo criminal – Elisandro Spohr, o Kiko, Mauro Hoffmann (donos da boate), Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha de Leão (integrantes da banda Gurizada Fandangueira) – estiveram presos.
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Incêndio na Boate Kiss                                                                           Foto: divulgação

 

A partir daí, familiares dos mortos e feridos acumulam decepções. Na denúncia dos promotores de Justiça, foram incriminados os donos da boate, os músicos e alguns bombeiros. Funcionário municipal algum foi denunciado, nem o promotor que vistoriou a danceteria. A surpresa foi grande, já que o inquérito policial tinha atribuído culpa a muita gente: fiscais municipais, bombeiros, donos da boate, músicos e até para o MP, por falta de fiscalização do estabelecimento.

O Ministério Público (MP) reduziu o número de responsabilizados de 35 para apenas oito (quatro por homicídio doloso qualificado, dois por fraude processual e dois por falso testemunho). E ainda há processos tramitando lentamente ou parados. A lentidão nas punições é um dos grandes desânimos para os parentes das vítimas.  Mesmo com a agilidade da polícia em apontar responsabilidades de mais de três dezenas de pessoas dois meses após o incêndio, até agora apenas três – bombeiros – foram condenadas.