Juíza assassinada no RJ já tinha registrado boletim de ocorrência contra o ex marido


Após registro do boletim a juíza estava com escolta pessoal para sua segurança, porém em novembro ela abriu mão da escolta

André Lucas

Um dos casos mais falados essa semana foi o assassinato da juíza no Rio de Janeiro. Viviane Vieira foi a quinta vítima de feminicídio em uma semana, a juíza de 45 anos foi esfaqueada pelo marido na frente das 3 filhas .

Viviane era juíza dês de 2005 quando começou a atuar na 24° vara criminal da capital. O assassino é seu próprio marido, Paulo José Arronenzi, engenheiro  e desempregado a 6 anos. O s dois se conheceram em 2009, e se casaram e tiveram 3 filhas, após 11 anos juntos, se separaram em agosto desse ano.

Antes do crime, no dia 14 de setembro desse ano, a juíza já tinha feito um boletim de ocorrência contra o marido, na ocasião ele empurrou ela e ameaçou de morte. A partir daí o engenheiro ficou proibido de se encontra com ele, e Viviane passou a ter uma escolta armada fazendo sua segurança.  Porém em novembro abriu mão da segurança pessoal.

Na quinta feira dia 24 de novembro, Viviane foi encontrar o marido cm as três filhas, o casal combinou que as filhas passariam o natal com o pai, então a mãe foi levar as crianças até a casa dele. Paulo José marcou um ponto de encontro em uma rua pacata da Tijuca, quando Viviane chegou ele se aproximou do veículo, quando ela saiu do carro ele já deu a primeira facada, depois ele continuou e no final foram 16 facadas segundo a perícia. 

Foram testemunhas que apontaram o engenheiro como assassino. O ex-marido da vítima foi levado para a Delegacia de Homicídios da capital, que também fica na Barra da Tijuca. Posteriormente, foi encaminhado para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, onde foi atendido para tratar um corte na mão, provavelmente se machucou durante o crime. Ele teve alta e foi encaminhado novamente para a delegacia. 

Após ser preso o engenheiro  não quis gravar entrevista, e disse a polícia que só vai falar em juízo. Ele vai responder por crime de feminicídio. Apesar do flagrante a juíza Monique Brandão converteu a prisão em preventiva, na sexta dia 25, em audiência de Custódia.

Uma amiga de Viviane, também juíza, Simone Nacif disse a uma entrevista ao jornal Globo, onde afirma não ter conhecimento de que a vítima precisava de escolta armada, e disse que amiga foi vitima de misoginia. 

 “Ela foi vítima de misoginia. O ex-marido deveria se sentir inferior a ela. Ela sempre foi inteligente, independente e dedicada à carreira e às filhas. Ela tinha um sorriso que a definia, além de ser engraçada e sensata. Logo que passou no concurso, comentou que se incomodava com os protocolos da magistratura, pois preferia que a chamassem de você. Mas entendia que eles eram necessários” afirma a amiga da vítima. 

Renata Gil, presidente da associação de magistrados brasileiros ( AMB) também comentou o caso. 

“A notícia foi devastadora porque já tínhamos uma campanha forte no combate à violência contra a mulher. Fomos pegos de surpresa e estamos absolutamente sem chão”

Após o crime autoridades jurídicas querem mais rigor contra feminicídio

O STF, CNJ, Defensoria publica e o tribunal de justiça do Rio se posicionaram sobre o caso, e exigiram providências contra o feminicídio no país. 

“Tal forma brutal de violência assola mulheres de todas as faixas etárias, níveis e classes sociais, uma triste realidade que precisa ser enfrentada”, disse o ministro Luiz Fux, presidente do STF e do CNJ, em nota assinada hoje em nome das duas entidades. 

Na nota o Ministro Fux ainda assumi o compromisso de buscar a melhor forma de erradicar a violência doméstica contra mulheres. 

“Deve ser redobrada, multiplicada e fortalecida a reflexão sobre quais medidas são necessárias para que essas tragédia não destrua outros lares, não nos envergonhe, não nos faça questionar sobre a efetividade da lei e das ações de enfrentamento à violência contra as mulheres”.