Militares aliados a Bolsonaro elaboram projeto que prevê mudanças radicais em setores do governo


O projeto é coordenado pelo general Luiz Eduardo Rocha Paiva, ex-presidente do grupo Terrorismo Nunca Mais e por um grupo de militares reformados e da reserva.

Por William Gama

Representantes dos Institutos Villas Bôas, Sagres e Federalista, apresentaram o “Projeto de Nação, O Brasil em 2035”. A proposta está sendo coordenada pelo general Luiz Eduardo Rocha Paiva, ex-presidente do grupo Terrorismo Nunca Mais (Ternuma) e por um grupo de militares reformados e da reserva.

Neste evento de apresentação, participaram o vice-presidente Hamilton Mourão e demais membros da cúpula do governo e de representantes. A proposta do documento possui 93 páginas, nas quais são traçadas detalhadamente o plano de domínio e implementação do bolsonarismo no país até 2035. 

O documento prevê 37 temas estratégicos, que abordam sobre geopolítica, governo nacional, defesa, ciência, desenvolvimento, educação, tecnologia, saúde, segurança e demais pastas de interesses do governo.

Firmar o bolsonarismo no poder

Segundo Paiva, o estudo deste documento não tem vínculos partidários, por este motivo, podem serem implementados pelos próximos governantes. Com a aprovação deste projeto, o governo atual pretende firmar a permanência do bolsonarismo no poder, cujo objetivo é tentar fazer com que sejam executadas durante esses 13 anos que faltam, com novas ações do governo, caso o presidente Bolsonaro seja reeleito. 

Segundo os militares, o Brasil está sendo ameaçado pelo globalismo. E para manter o controle, é necessário que o país promova ações de controle nas relações internacionais, principalmente no que se refere a população. Neste aspecto, envolvem as intervenções e imposições do governo em regime autoritário e militar camuflados socialmente.

Desta forma, irá garantir e manter a ordem e a doutrinação do aparelhamento do estado democrático de direito. O documento afirma “O globalismo tem outra face, mais sofisticada, que pode ser caracterizada como o ativismo judicial político-partidário, onde parcela do Judiciário, do Ministério Público e da Defensoria Pública atuam sob um prisma exclusivamente ideológico, reinterpretando e agredindo o arcabouço legal vigente, a começar pela Constituição”, é frisado pelo documento. 

Outro ponto importante mencionado pelo projeto, é sobre a “doutrinação dos alunos nas escolas e universidades por parte dos professores”. Os militares demonstram querer limitar a interação e o debate acadêmico, tão inerente e essencial ao processo de ensino e aprendizagem educandos. Segundo eles, as salas de aulas são idealizadas por educadores esquerdistas.

Combate as “ideologias”

“Há tempos uma parcela de nossas crianças e adolescentes sofria com a ideologização do sistema educacional, com a doutrinação facciosa efetuada por professores militantes de correntes ideológicas utópicas e radicais”, mencionado no texto.

Para os representantes das forças armadas, a esquerda está doutrinando os discentes para que estes não se submetam aos governantes que não corroborem com suas linhas de filosofia e de pensamento. 

Um dos pontos polêmicos citados no “Projeto de Nação 2035”, é relacionado a gratuidade de serviços essenciais para a população, como os da saúde e educação. De forma contraditória, o projeto especula e defende que a classe média custei seus próprios gastos no atendimento através do Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de 2025. “Além disso, a partir de 2025, o Poder Público passa a cobrar indenizações pelos serviços prestados, exclusivamente das pessoas cuja renda familiar fosse maior do que três salários-mínimos”, é afirmado no documento.

Em relação a educação, o plano prevê que sejam cobradas mensalidades das universidades públicas. Para os autores do projeto, a cobrança de pagamentos vai contribuir para melhoria das instituições. “Um marco importante para a melhoria de desempenho das universidades públicas, mas que sofreu forte resistência para vingar, foi a decisão de cobrar mensalidades/anualidades”, evidencia o texto.

William Gama é formado em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) e Mestrando em História (UNICAP). Gosta de produzir matérias de diferentes nichos em Mídias e Redes Sociais. Instagram: williamgama.j