Pesquisadores na Amazônia mapeiam insumos encontrados na região para realização de estudos científicos


As linhas das pesquisas são variadas, onde através delas são usados os insumos para o combate aos vários tipos de câncer e para o uso no tratamento de diversas doenças infecciosas.

William Gama

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Pesquisas científicas na Amazônia realizadas entre os períodos de 2017 a 2021, mostraram que o açaí, o tucumã e o buriti, foram os insumos mais procurados para realização de estudos científicos por pesquisadores brasileiros de diferentes instituições do país.

O estudo tem por objetivo pesquisar matérias-primas da região, através desses insumos, que são facilmente encontradas nessa região. Esses dados foram mapeados e publicados na “Bioeconomia amazônica: uma navegação pelas fronteiras científicas e potenciais de inovação”, que foram divulgadas hoje. Esse levantamento foi coordenado pela Word-Transforming Technologies (WTT). 

A WTT também contou com a participação da Agência Bori, que juntos mapearam 1.070 artigos científicos. Esses estudos foram publicados nos últimos cinco anos na base internacional de periódicos da “Web of Science”. Plantas, ciências ambientais, ciência e tecnologia de alimentos, ecologia, bioquímica e biologia molecular, são as áreas de maior interesse dessas instituições. “A gente precisa dar visibilidade à ciência feita na Amazônia e sobre a Amazônia.

Tratamento e prevenção de doenças

Há muita pesquisa sobre os ativos da biodiversidade que têm o potencial de resolver problemas importantes da sociedade, como tratamento de câncer, tratamento para prevenção de infecção com mercúrio, biomateriais, bioplástico.

Há muita coisa interessante sendo pesquisada que pode, de fato, virar tecnologia, solução para problemas da sociedade”, afirmou o gerente e idealizador do estudo da WTT, afirmou André Wongtschowski à Agência Brasil, em entrevista.

Dos 1.070 artigos científicos que foram analisados, 621 seguem critérios de novos conhecimentos e inovações, a partir da socio biodiversidade amazônica. Foram encontrados 11 insumos importantes, a cada três pesquisas realizadas.

Entre eles estão o açaí, tucumã, buriti, piper, aniba, castanha do Brasil, andiroba, cupuaçu, lippia, guaraná e bacaba. As linhas das pesquisas são variadas, onde através delas são usados os insumos para o combate aos vários tipos de câncer e para o uso no tratamento de diversas doenças infecciosas. “Temos que dar visibilidade a essas pesquisas promissoras, para que elas saiam das prateleiras, saiam do papel e, de fato, se transformem em soluções para problemas importantes”, destacou Wongtschowski. 

De acordo com o pesquisador, ele defende uma política nacional de inovação que incentive resoluções dos problemas do país através da ciência. Essas demandas seriam engajadas pelas comunidades científicas, empresas e demais organizações do governo junto com a sociedade.

“É importante que esses desafios conversem com os desafios da sociedade, essas soluções precisam justamente olhar para os desafios que a gente tem como sociedade, sejam eles sociais ou ambientais. É preciso ter realmente a colaboração entre esses vários setores para que as soluções desenvolvidas fiquem de pé, para que configurem uma cadeia de valor de ponta a ponta, que entregue benefícios à população, que fomente a manutenção da floresta em pé, ou seja, que dê valor para os produtos da biodiversidade”, mencionou. 

O estudo ainda destaca que as especificidades e complexidades da Amazônia são consideradas fatores de inovação, pois a bioeconomia nesse lugar está ligada diretamente aos recursos nativos da fauna, flora e do bioma amazônico.

De acordo com os pesquisadores, deve-se incentivar a políticas de valorização e conservação das florestas, levando em consideração também que essa região possui sua comunidade local e que merecem a devida atenção, em prol do estudo científico. Os autores e pesquisadores da publicação destacam quatro princípios voltados para a sustentabilidade. “Conservação da biodiversidade; ciência e tecnologia sustentáveis ao uso da sociobiodiversidade; diminuição das desigualdades sociais e territoriais; e a expansão das áreas florestadas biodiversas e sustentáveis”. 

Fonte: Agência Brasil