Mitos e verdades sobre a amamentação


Muitos ainda desconhecem os benefícios do aleitamento materno

Isabelle Carvalho

O Dia das Mães vem chegando e o que não falta na internet, televisão e nas ruas são propagandas exaltando as mulheres que são mães. Mostra-se uma maternidade quase glamourizada, no entanto, poucos são os conteúdos que exibem a realidade. Quais os mitos que envolvem o ato de gerar, dar à luz e criar uma criança? Um dos principais tabus acerca do assunto é a amamentação. 

Existe muito senso comum sobre o tema, o que pode dificultar o acesso a informações reais e relevantes. Não se pode esquecer que, mesmo com tantos avanços sociais em relação ao preconceito de gênero, ainda temos muito o que evoluir. Vivemos em uma sociedade patriarcal marcada por uma opressão em diversos setores contra mulheres. Mais ainda contra essas figuras que sustentam o Brasil: as mães

Benefícios surpreendentes

Amamentar é um ato de promoção à saúde, porque diminui as chances de desnutrição e obesidade, além de fortalecer o sistema imunológico. O leite materno é rico em proteínas e nutrientes feitos sob medida para cada fase de vida da criança. Os benefícios são muitos: evita a diarréia, reduz cólicas, previne anemias e alergias, facilita a digestão, desenvolve o sistema nervoso,  entre outros.

 Poucos devem estar cientes, mas o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde orientam que não sejam oferecidas mamadeiras e chupetas porque atrapalham a amamentação e podem causar doenças e problemas na dentição e na fala do bebê. Infelizmente, ainda há muitas influências que sugestionam o abandono da amamentação pela mãe. Todos os dias, essas mulheres são bombardeadas de propagandas sobre chupetas, mamadeiras e fórmulas como se a aquisição desses produtos pudesse melhorar suas performances como mães. O que é extremamente cruel. 

Amamentar previne diversas doenças e é um ato de amor. Foto: divulgação.

Amamentação e saneamento básico

Existe hoje a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras e pode ser apontada como um avanço na proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno. Ainda há um caminho longo a percorrer. Muitas famílias são aconselhadas todos os dias, por diferentes fontes, a iniciar a alimentação com fórmula. Mas quem são as famílias que realmente podem pagar por isso? Outra questão importante, que água será utilizada na mistura quando uma grande parte da população nem tem acesso a saneamento básico?

Muitas podem ser as armadilhas que uma mãe pode cair que a faça desistir da amamentação. Indicação precoce de fórmula, falta de estímulo, palpites da família, choro do bebê, desmame para retorno ao mercado de trabalho, entre muitas outras. Esta última em especial levanta outras questões pertinentes sobre os direitos das mulheres que são mães. A própria licença maternidade varia de quatro a seis meses. Isso para não falar da licença paternidade. Como essa mãe pode amamentar seu filho em livre demanda, por exemplo? Ou seja, quando e quanto a criança quiser. Prática que é extremamente saudável e favorável tanto à mãe quanto o bebê. 

Quando o assunto é maternidade, direito à amamentação, inclusão da mãe na sociedade, precisamos falar sobre políticas públicas. Quais lugares você, leitor, frequenta que não somente permite crianças em seus espaços, mas garante à mãe e à criança conforto e liberdade? Esse debate precisa ser politizado. As eleições vêm aí e todos, mesmo quem não é mãe, precisam atentar às propostas de seus candidatos sobre maternidade. A mãe e seu filho não podem existir apenas dentro de casa, então há muito o que se conquistar em espaços públicos.

Isabelle Carvalho é carioca, tem 27 anos, sendo graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Também é graduada em Cinema. Além de possuir especialização em Jornalismo Cultural, é apaixonada por cultura, cinema, ciência e atualidades.