Bolsonaro entrega mais de 300 cargos ao Centrão


De acordo com reportagem publicada pelo jornal O Globo, desde julho do ano passado, parlamentares já pediram a nomeação para mais de 700 cargos federais — em 325 deles, ou 45% dos casos, o pleito foi atendido. Cerca de 200 foram rejeitados pelo governo, e o restante ainda aguarda aprovação.

O movimento do governo de entregar ao centrão cargos de postos-chave do Executivo expôs a gestão de Jair Bolsonaro a duplo desgaste. Além da fragilidade no discurso pela composição com o grupo político atacado no passado pelo presidente e seus aliados mais próximos, o Planalto agora tem de se submeter a avaliar indicações de políticos envolvidos na Lava-Jato e no mensalão — um dos principais articuladores dessa aproximação, o deputado Arthur Lira (PP-AL) foi denunciado ontem à Justiça por corrupção passiva.

As nomeações no ano passado costumavam ocorrer para cargos menores. Mais recentemente, o governo ampliou a aproximação com o centrão, permitindo que entrassem nas negociações postos que cuidam de orçamentos mais robustos. No recorte dos últimos dois meses, o governo recebeu 88 pedidos de nomeações de parlamentares, dos quais só 11 deles foram atendidos após análise do Palácio do Planalto.

Algumas delas são emblemáticas. O Banco do Nordeste (BNB), com um presidente que durou um dia nesta semana, é um símbolo dessa relação conflituosa. O PL tentou emplacar três nomes no banco desde o início do governo. Um deles era o analista do Banco Central Flávio Cals Dolabella, acusado por um delator da Odebrecht de receber propina para vazar documentos sigilosos.

Algumas delas são emblemáticas. O Banco do Nordeste (BNB), com um presidente que durou um dia nesta semana, é um símbolo dessa relação conflituosa. O PL tentou emplacar três nomes no banco desde o início do governo. Um deles era o analista do Banco Central Flávio Cals Dolabella, acusado por um delator da Odebrecht de receber propina para vazar documentos sigilosos.

O governo acabou nomeando Alexandre Borges Cabral, indicado do PTB. Houve reclamação do ex-deputado Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão, que controla o PL. O “Estado de S. Paulo” revelou em seguida que o Tribunal de Contas da União (TCU) investiga suspeitas de irregularidades em contratações quando Cabral presidiu a Casa da Moeda. O governo, então, decidiu pela exoneração um dia após a nomeação.

Segundo aliados, o governo estabeleceu um método para aprovar indicações. A primeira fase da análise prévia é do currículo do apadrinhado e de checagem da existência de vagas nos órgãos. Nesta etapa, que tem como base dados abertos, a equipe do governo responsável pelo filtro já encontrou incongruências, como pessoas com mais de um CPF válido.

Após este passo feito pela Secretaria de Governo (Segov), os nomes são levados aos ministérios para que sejam inseridos no sistema de checagem. Cada pasta é responsável por inserir os dados. Muitas vezes, nessa etapa, há um atraso de vários dias. Depois, os nomes passam por uma triagem da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Protestos na Nicarágua já tem saldo de 27 mortos


Um órgão de Direitos Humanos da Nicarágua informou, neste domingo, que pelo menos 27 pessoas morreram durante os violentos protestos contra a reforma da Previdência do país nesta semana. Segundo o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh) o número de vítimas ainda é incerto, mas já teriam sido confirmadas pelo menos 20 mortes.

A Nicarágua completou, neste domingo, o quinto dia de violentos protestos contra a reforma do sistema de segurança social, na crise mais profunda desde que Daniel Ortega voltou ao poder.

Supermercados da capital Managua foram saqueados neste domingo. De acordo com a agência de notícia Reuters, a Cruz Vermelha confirma sete mortes nas regiões em que estava presente. Até sexta-feira à noite o governo confirmou quase uma dúzia de mortes.

No sábado, a imprensa local informou que um jornalista de televisão foi morto a tiros enquanto fazia uma transmissão ao vivo sobre os protestos de Bluefields, uma cidade na costa caribenha afetada pelos tumultos.

Diante do crescente descontentamento com a reforma, que elevará a contribuição de trabalhadores e empregadores e reduzirá as aposentadorias futuras, Ortega prometeu revisar a reforma no sábado. No entanto, a repressão pela polícia contra os manifestantes e barreiras para alguns meios de comunicação nos últimos dias têm alimentado mais críticas ao presidente, que tem reforçado gradualmente seu controle sobre as instituições do país desde que voltou à presidência em janeiro 2007.

protestos nicaragua
Protestos com a reforma da previdência na Nicarágua já duram quatro dias Fotos: divulgação

A Nicarágua tem sido um dos países mais estáveis da América Central, evitando em grande parte a turbulência política ou a violência do narcotráfico que atingiu Honduras, El Salvador e Guatemala nos últimos anos.

Ortega presidiu a um período de crescimento estável com uma mistura de políticas socialistas e capitalismo. Mas os críticos acusam Ortega e sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo, de tentar estabelecer uma ditadura familiar.

Como líder da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), Ortega esteve à frente da última revolução armada na América Latina, em 1979. Eleito presidente em 1985, quando os sandinistas enfrentavam os “contras”, reação armada patrocinada pelos Estados Unidos, ele acabou derrotado quando tentava se reeleger, em 1990. Há 11 anos, Ortega voltou ao poder em aliança com setores da direita e hoje cumpre seu terceiro mandato consecutivo.

Nos últimos dias, seu governo endureceu a repressão contra as centenas de manifestantes que se opõem às mudanças no regime de pensões e aposentadorias. Com as novas medidas, a contribuição dos trabalhadores passa de 6,25% para 7% do salário, enquanto os empregadores pagarão 22,5% (antes contribuíam com 19%). Os aposentados terão que contribuir para o INSS com 5% do valor que recebem.

O setor empresarial rejeitou os decretos de Ortega, que afirma que o objetivo é sanar as finanças do INSS. O presidente atende a uma recomendação do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Fonte: Jornal O Globo