Formas diferentes de celebrar o Dia de Finados


É curioso como uma tradição ou celebração pode assumir contornos diferentes, dependendo de qual país ela ocorra. O Dia dos Mortos é um bom exemplo disso. Aqui em nosso país, a data é dedicada a homenagear aos que já partiram. Apesar do esforço de muitas religiões, que ressalta a importância de encarar esse momento mais como saudade do que tristeza. Esse segundo sentimento insiste em permanecer na maioria das vezes.

Entretanto, há locais onde o Dia de Finados ganha contornos bem diferentes. No México, eles demonstram respeito pelos que já partiram com festa. Lá, a data é conhecida como Dia de Mortos e tem festas nas ruas durante dias, com muitas cores, banquetes, estampas e máscaras de caveira.

No Japão, Finados é em julho Foto: divulgação
No Japão, Finados é em julho Fotos: divulgação

O Dia de Mortos acontece oficialmente entre 31 de outubro e 2 de novembro, embora as festividades iniciem antes e durem quase uma semana, a partir de 28 de outubro. Em cada dia são lembradas pessoas que morreram por causas ou circunstâncias diferentes, como por exemplo, como doenças, acidentes ou crianças que morreram pouco após o nascimento.

famílias fazem oferendas, com altares decorados e fartura de comida, a fim de que as almas sejam bem- recebidas, reencontrem os familiares em paz e possam regressar para o mundo dos mortos. É comum enfeitar os cemitérios, para acolher bem as almas, que então regressam para seus túmulos. Também se colocam pétalas e velas no caminho entre a casa e o cemitério, para “guiar” os mortos. São feitos desfiles com música nos quais muitas pessoas vão fantasiadas e pintadas. As máscaras e desenhos de caveira estão por toda parte, assim como indumentárias de origem indígena.

Existem singularidades sobre como a festa se manifesta nas diferentes partes do México, tanto de significado quanto de tradições, mas uma das crenças é que as almas das crianças voltam para casa no dia 1º de novembro, e as dos adultos, no dia 2.

Nas festas predomina uma visão da morte não como ausência ou dor, mas como memória dos que já se foram e dos laços afetivos que estão além do mundo material. Portanto faz sentido ser um dia de festa e não de luto.

Apesar da origem pré-colombiana da celebração, as datas coincidem com o calendário católico. No catolicismo, o primeiro dia de novembro é o Dia de Todos os Santos, seguido pelo Dia de Finados. Essa união de datas é resultado de uma mistura, durante o período colonial, entre as tradições indígenas do México e a tradição católica da Espanha. Vale lembrar que, a celebração mexicana do Dia de Mortos é considerada patrimônio imaterial da humanidade, desde 2008, pela Unesco (agência da ONU para a educação, ciência e cultura).

México homenageia os mortos com festa
México homenageia os mortos com festa

Os japoneses também celebram o Finados de forma bem peculiar. A data recebe o nome de Obon e ocorre por volta do dia 15 de julho. Nesta data, muitas famílias visitam os túmulos de parentes para orar pela felicidade das almas dos seus ancestrais. Esse costume origina-se do Urabonkyou, uma escritura budista que conta a história de Mokuren, um aprendiz de Shaka, o fundador do budismo. Conta a história que Mokuren, não aguentando ver o sofrimento da sua mãe que caiu no inferno, passa a orar, no dia 15 de julho, pela ascensão de sua mãe para o céu, seguindo o conselho de Shaka.

Na terra do sol nascente, no dia 13 de julho, as pessoas instalam um altar chamado de Seirei-tana e colocam velas, frutas e verduras, numa oferenda às almas dos ancestrais que retornam a seus lares. Quando chega a noite, acende-se uma fogueira chamada mukaebi na frente da casa para guiar as almas dos mortos para suas residências.

Entre os dias 14 e 15 de julho, os japoneses costumam visitar os túmulos e pedem ao monge para fazer uma oração. Ao visitar aos túmulos, as pessoas lavam lápide e tiram capim que nascem em volta dele.

Também existem os nipônicos que acreditam numa superstição de que não devem eliminar o musgo e a sujeira encontradas na lápide. Depois da limpeza, a família o decora com flores e dispõe um feixe de incenso. Além disso, durante esse festejo, as pessoas se divertem com Bon-Odori, um tipo de dança folclórica japonesa.

No dia 16, ao encerrar o festejo, acende-se uma outra fogueira conhecida como okuribi para as almas dos mortos retornarem ao céu com segurança. Normalmente, nessa fogueira é utilizado o caule do linho. No interior do país as pessoas costumam jogar as frutas e verduras no rio, oferecidas durante Obon. Essa cerimônia é conhecida como Seirei-nagashi.

Quando morre um dos membros de uma família, o primeiro Obon após a sua morte é chamado Niibon. A família dispõe uma lanterna chamada de bon-chouchin na casa e convida os amigos para jantar. Normalmente os convidados levam os artigos que serão oferecidos para as almas dos mortos e acendem um incenso.

O amor ao próximo é a “arma” contra a intolerância


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As denúncias de discriminação religiosa são recebidas através do Disque 100 (Disque Direitos Humanos). Segundo informações da Secretaria Especial de Direitos Humanos, órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Cidadania, o número de ocorrências desse tipo aumentou 3.706% nos últimos cinco anos. As religiões africanas são, em grande parte, os principais alvos.

A estudante e evangélica Juliany Fernandes, do Rio de Janeiro (RJ), lamenta que fatos assim ocorram. “Há pessoas que não sabem respeitar a maneira como cada um é. Se você sabe que alguém faz algo errado deve alertar, mas não perturbar com o assunto toda a hora”, ensina. Na opinião de Juliany, há pessoas que se utilizam da religião pra criticar o próximo e o correto não é isso.

Kathe
Katherine Rocha

Katherine acredita que esses atritos entre as religiões ocorram em parte pela competitividade no campo financeiro. “Nós brasileiros ainda pecamos por não saber respeitar a liberdade do outro”, lamenta. A professora pede mais rigor das autoridades nas punições aos infratores. “A Constituição Federal prevê a liberdade de culto religioso. Então, para que essas infrações não voltem a ocorrer, é importante punir de forma rigorosa esses infratores”, exige.

Moisés destaca que o Brasil é um país extremamente religioso e desde sua colonização católica foi sectário e avesso a outros tipos de crenças. Ele acredita que com a liberdade de culto conquistada nos dias atuais, essa realidade não se modificou. “Se deixa de enxergar o ser humano por trás da ideia ou fanatismo religioso que o motiva, para se atacar ou ser intolerante com sua crença. Na verdade, esquecemos que Jesus foi revolucionário nesse aspecto e trocou a intolerância pelo amor e a discussão de ideias religiosas vazias por exemplos éticos morais”, ressalta.

O católico Agostinho Bezerra, Guto, de Brasília (DF), não percebe conflitos religiosos no Brasil. “Se esses problemas existem, as lideranças devem tomar as rédeas e passar o entendimento do respeito”. Guto alerta que Deus é o centro, e as formas de reverenciá-lo devem ser respeitadas. “Desde que não firam os bons costumes”.

A dona de casa, Amanda Santos, do Rio de Janeiro (RJ), já teve problemas relacionados à intolerância. “Minha família toda é de evangélicos e não aceitam que eu tenha adotado o espiritismo”, conta. Amanda declara que já foi umbandista durante anos, mas atualmente aderiu ao Kardecismo. “Sou vista como a ovelha negra e filha do “capeta” por eles, que já tentaram até me exorcizar, para espantar os demônios do meu corpo. Nem ligo para isso. Faço o evangelho do lar e sigo com a prática da caridade e do amor ao próximo”, revela. Amanda conta que a escolha pelo espiritismo se deve ao fato do mesmo ter dado a ela as respostas que tanto procurava. “Faz alguns anos que passei por uma grande tragédia e só obtive o conforto de que precisava para atender e aceitar aquela situação através da doutrina” garante.

Guto
Guto Bezerra

Geovana acredita que as pessoas não estão respeitando o espaço e a opinião do outro. “Eles se utilizam de uma forma ignorante para expor essa não aceitação”, lamenta. Ela afirma que não vivencia problemas desse tipo. “Sempre tive muito respeito com as escolhas dos outros e exijo o mesmo em relação a mim”, alerta.

Jeová
Jeováh Souza

Jeováh aconselha que, mesmo não aceitando a religiosidade do outro, é necessário que haja respeito mutuo. “É necessário que as pessoas conheçam melhor a forma de adoração ou de cultuar de cada pessoa”, declara o baiano.

Respeito e tolerância são as palavras chaves para lidar com essa situação. Moises acredita que a aceitação das pessoas e as suas próprias verdades deve ser um bom principio cristão. “A minha própria verdade deve ser tão humilde e sensata expressão de um verdadeiro exemplo de vida que conquiste sem coerção”, finaliza.