Roberto Carlos, Ritchie e o lado sombrio da indústria musical


Andie Carolina

O Rei da Jovem Guarda. O Rei da Música Popular Brasileira. O Maior Vendedor de Discos na História do Brasil. Esses são só alguns dos títulos ostentados por Roberto Carlos, ao longo de seus mais de 50 anos de carreira. E ser considerado um dos maiores ícones da indústria musical poderia garantir ao Rei uma bela autoconfiança e segurança de que ninguém poderia ultrapassá-lo em termos de popularidade, certo?

Errado! Mesmo com todos os motivos para não se incomodar nenhum pouco com o sucesso alheio, parece que o artista não gostou nenhum pouco do enorme sucesso conquistado por Ritchie nos anos 80 e fez de tudo para atrapalhar a carreira do cantor inglês.

Início da narrativa

 Os primeiros boatos de um boicote de Roberto a Ritchie surgiram em 2015, quando o jornalista André Barcinksi divulgou trechos de seu livro “Pavões Misteriosos: A Explosão da Música Pop no Brasil”.

Na obra, é relatado como o álbum Voo de Coração lançado em 1983, fez de Ritchie a maior sensação musical daquele momento no Brasil, o que incomodou bastante o intérprete de Amada Amante. O livro de Barcinksi relata que foi Tim Maia, durante uma entrevista à revista Isto É quem relatou que RC trabalhou nos bastidores da gravadora CBS Records para que um novo sucesso como Garota Veneno não se repetisse na carreira de Ritchie.

Para isso, Roberto que também era contratado da CBS Records, ameaçou sair da gravadora caso Ritchie continuasse a fazer parte do casting da empresa. Para não perder o maior nome de seu elenco e sem poder romper o contrato com o jovem inglês, os executivos da gravadora teriam decidido, então, boicotar as divulgações dos próximos dois álbuns de Ritchie, fazendo com que seus singles fossem pouco tocados nas rádios, passando despercebidos pelo grande público, o que logicamente, impactaria nas vendas dos LP´s.

Roberto Carlos e o velho Guerreiro Chacrinha. Foto: divulgação

Queda de Ritchie

Dito e feito. Enquanto o álbum de estreia Voo de Coração 1,2 milhão de cópias e lançou o megassucesso Menina Veneno, o segundo trabalho “A Mulher Invisível” vendeu 100 mil cópias e o terceiro e último pela CBS, Circular vendeu apenas 60 mil, números considerados baixos para um astro em ascensão. Além da baixa nas vendas, Ritchie também teve que lidar com boicotes em programas de televisão, notas tendenciosas por parte da imprensa e uma de suas maiores decepções: ficar de fora do Rock In Rio.

Recentemente, essa história voltou à tona. Em março deste ano, o compositor Arnaldo Brandão foi entrevistado no podcast Clemente. Durante a conversa, ao ser questionado sobre o suposto boicote de Roberto a Ritchie, ele confirmou a história de que o presidente da CBS Records na época, Thomaz Munhoz estava desesperado com as ameaças do Rei de sair da gravadora caso eles lançassem mais um álbum de sucesso para Ritchie. E para não desagradar a voz de Esse Cara Sou Eu, a gravadora teria desembolsado altas quantias para as rádios não tocarem os singles dos álbuns de Ritchie.

Para colocar mais lenha nessa fogueira, também durante um podcast, mais precisamente o Corredor 5, no Youtube, o cantor Fagner se irritou ao ver o compositor Michael Sullivan defendendo Roberto das acusações de perseguir outros artistas. Incomodado, ele se retirou do estúdio e disse nos bastidores que negar à perseguição do Rei aos colegas de profissão só poderia ser “uma brincadeira”.

Vale lembrar, no entanto, que Roberto Carlos ou sua equipe nunca fizeram nenhum comentário sobre este assunto. E que o cantor Ritchie, por sua vez, negou qualquer problema com o artista, afirmando que essa história é apenas mais um “grande mito” na carreira dos dois. Será?

Andie Carolina é graduada em Publicidade e Propaganda. E, apaixonada por música, séries, televisão e cinema. Instagram: @AndieCarolinaP