Cinco séries nacionais que valem a pena assistir


Isabelle Carvalho

Não é de hoje que as séries vem tomando conta da indústria audiovisual. Há diversos títulos de variados temas e gêneros. São tantos conteúdos bons que quase precisamos de uma planilha para acompanhar tudo.

Entre as preferidas do público, com certeza estão nomes estrangeiros – norte-americanos, alemães, franceses, dinamarqueses, etc. -Porém, o que você tem assistido de obras nacionais?

Ao contrário do que muitos pensam, o mercado brasileiro de filmes e séries têm desenvolvido ótimos produtos que se destacam cada vez mais. Veja abaixo algumas sugestões de ótimas séries que alcançaram um bom público:

Ninguém Tá Olhando

Original da plataforma de streaming Netflix, Ninguém Tá Olhando foi cancelada depois de sua primeira temporada. Contudo, vale a pena assistir. A produção conquistou o Emmy de melhor série de comédia internacional em 2020 e muitos concordam que sua suspensão é injusta. 

A série conta a história de Uli (Victor Lamoglia), um angelus – que é uma espécie de “anjo da guarda”, que começa a questionar as regras do sistema em que foi criado. Os angelus trabalham em uma repartição pública e têm a função de proteger os seres humanos. Claro que, em meio a esses questionamentos sobre sua realidade, Uli acaba se metendo em várias confusões, o que dá o tom certo de comédia à série.

Drama e suspense sobrenatural em Desalma Foto: divulgação

Desalma

Esta é para quem curte uma vibe um pouco mais gótica e de terror. Original do Globoplay, a série acaba de retornar para sua segunda temporada. A trama acompanha a pequena cidade de Brígida, uma comunidade de descendentes ucranianos praticamente oculta em florestas do Sul do país. Uma noite, os moradores reúnem-se para comemorar a noite folclórica de Ivanà-Kupala quando uma presença sobrenatural começa a assombrar o local, o que traz à tona acontecimentos trágicos ocorridos 30 anos antes. 

De certo, a obra conta com muitos elementos característicos de produções estrangeiras, tanto nos cenários quanto nas narrativas. A série é bem-sucedida em mostrar esse isolamento, traço marcante para comunidades imigrantes com costumes diferentes, sobretudo no que tange à religião. 

Coisa Mais Linda

Também um original Netflix, esta pode ser uma das séries brasileiras que mais conquistou notoriedade dos últimos anos. Bastante comentada e elogiada, a produção ganhou duas temporadas (já finalizadas) e não há informações de uma terceira. Após se mudar para o Rio de Janeiro, Malu (Maria Casadevall) descobre que foi roubada e abandonada pelo marido. Sozinha em uma cidade desconhecida, a personagem decide dar a volta por cima e se junta à Adélia (Pathy Dejesus) para, juntas, inaugurarem um clube de bossa nova. Temas muito relevantes para a modernidade são tratados, como racismo e o empoderamento feminino. 

Sob Pressão

Produzida pela TV Globo em coprodução com a Conspiração Filmes, Sob Pressão também é uma das queridinhas do público brasileiro. A trama acompanha uma equipe médica que tenta superar os desafios que surgem em uma emergência do subúrbio carioca. A luta diária é para manter pacientes vivos em um hospital em que tudo falta. Estas angústias misturam-se aos conflitos pessoais de cada personagem. Já foram quatro temporadas e vem mais uma por aí.

 

Liniker é Cassandra, na série Manhãs de Setembro Foto: divulgação

Manhãs de Setembro

Original da plataforma Amazon Prime Video, Manhãs de Setembro também acumulou elogios desde seu lançamento no ano passado. Acompanhamos a história de Cassandra (interpretada pela cantora Liniker), uma mulher trans que trabalha como motogirl em São Paulo e encontra na música a força necessária para enfrentar as dificuldades diárias. Depois de anos de sofrimento, ela vive uma vida estável. Tudo se complica quando uma ex-namorada reaparece com um menino que diz ser seu filho. A obra é muito bem-sucedida ao tratar, principalmente, a questão trans no país, com toda a violência velada que existe, a transição e os afetos negados. Além disso, Cassandra é uma mulher negra, sendo assim parte de um dos grupos mais marginalizados da sociedade. 

Isabelle Carvalho é carioca, tem 27 anos, sendo graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Também é graduada em Cinema. Além de possuir especialização em Jornalismo Cultural, é apaixonada por cultura, cinema, ciência e atualidades.