Saque para contas inativas pode ser estendido


O prazo para saque das contas inativas do FGTS termina no dia 31 deste mês. Porém, os trabalhadores que não conseguirem tirar o dinheiro por problemas que dependam exclusivamente da Caixa Econômica Federal poderão receber após a data limite. Segundo o banco, não haverá ampliação da data para situações alheias à instituição, como empregadores que não depositaram o valor do prazo.

Mas os beneficiários, por exemplo, que não encontraram o dinheiro todo que deveria estar depositado ou que tiveram problemas cadastrais ou surpreendidos por fraudes terão mais tempo para receber. dinheirojpg_853x480

Para que o dinheiro das contas inativas seja liberado, o trabalhador deve ir a uma agência da Caixa até o fim do mês. O beneficiário que solicitar o saque do saldo até o prazo será atendido normalmente.

Há duas situações em que o trabalhador pode encontrar dificuldade para receber, sendo necessário extrapolar o prazo.  A primeira em casos de acerto cadastral e inclusão da data de afastamento. O trabalhador terá que apresentar toda a documentação necessária até o dia 31 no banco, que fará a inclusão manual dos dados. O recebimento acontecerá em até cinco dias.

Por último, quem solicitar o saque no exterior até o fim do prazo, em razão de procedimento legal, o trâmite da documentação leva alguns dias, portanto receberá os recursos posteriormente.

Aproximadamente 1,2% das contas do FGTS detém 50% do saldo inativo


Quem possui uma ou mais contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviços (FGTS) aguarda atentamente a determinação do Governo Federal para sacar esse valor. O banco Santander elaborou estudo, com base em dados do FGTS e outros indicadores econômicos. Segundo essa pesquisa, apenas 1,2% das contas inativas do FGTS – cerca de 100 mil cotistas – têm saldo superior a R$ 17,6 mil que, somados, respondem pela grande parcela de R$ 20 bilhões depositados. O montante é praticamente a metade de todo o saldo inativo do Fundo, que soma R$ 41,4 bilhões.

Ao mesmo tempo, outros 94% dos cotistas têm saldo entre zero e R$ 3,5 mil. Somado, esse grupo majoritário em número de trabalhadores responde pela parcela minoritária de 17% dos depósitos. Essa grande concentração de recursos na mão de poucos trabalhadores limita o impacto da liberação dos recursos sobre a demanda e o pagamento de dívidas, diz o banco espanhol: “Essa distribuição é ainda mais heterogênea que a observada na renda real. Em 2015, 1% do topo recebeu cerca de 10% do rendimento total do trabalho, Previdência e transferências sociais.”.

Para o Santander, o grupo de trabalhadores mais rico que possui metade do fundo não deve usar o dinheiro majoritariamente no consumo. “Eles parecem menos inclinados a usar os recursos seja para consumo ou redução da dívida. Ao invés disso, parece mais provável que simplesmente direcionem esses recursos para opções mais vantajosas de investimento”, dizem os analistas do banco.

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Dívidas

O uso do dinheiro das contas inativas do FGTS para pagar dívidas deverá ter efeito “desprezível” sobre o comprometimento da renda e inadimplência. A previsão é do banco Santander. Mesmo na hipótese altamente improvável de que todos os recursos sejam destinados ao pagamento de dívidas, o impacto seria “limitado”. Um das razões é a concentração do saldo das contas na mão de poucos trabalhadores: 1% tem praticamente 50% do que será liberado. A concentração limita o impacto sobre demanda e endividamento, cita o banco.

Além de avaliar o impacto sobre o consumo, a equipe de economistas do Santander também projeto o impacto da liberação de R$ 41,4 bilhões das contas inativas do FGTS sobre o endividamento das famílias.

No caso extremo e improvável em que trabalhadores usassem todo o dinheiro inativo para quitar dívidas, o comprometimento da renda das famílias cairia até 0,60 ponto porcentual e a inadimplência diminuiria até 0,15 ponto.

“Dado que o efeito máximo é tão limitado, o impacto efetivo seria bem pequeno e definitivamente não mudaria o cenário”, dizem os analistas do Santander liderados pela economista Adriana Dupita. Para o banco espanhol, o possível impacto do uso do FGTS para quitar dívidas é “desprezível”. “Mesmo com a premissa extrema, o efeito máximo ficaria longe de ser considerado significativo”, dizem os analistas.

Nesse cenário improvável, o comprometimento da renda das famílias com dívidas cairia de 22,2% em novembro para algo próximo de 21,6%. Já a inadimplência cairia do patamar de 4,1% para 3,95%.

Fonte: O Estado de S. Paulo.