Itabuna: DVE inicia visitas domiciliares para elaborar LIRAa


Marcelo Carvalho

 A Prefeitura de Itabuna, por meio da Divisão de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde tem início nesta quinta-feira, dia 15, nos bairros e centro da cidade a visitação domiciliar para a execução do Levantamento Rápido de Índices de Infestação Predial do Aedes aegypti (LIRAa). Há um ano, a coleta de larvas que permite a análise amostral estava suspensa em decorrência da pandemia do novo coronavírus.

Nesta semana, pelo menos 100 Agentes de Combate às Endemias visitarão os domicílios para o trabalho, cujo resultado amostral deverá ser divulgado na próxima segunda-feira, dia 19. Com base nas conclusões, as autoridades sanitárias da cidade vão preparar ações mais efetivas para a eliminação de focos do mosquito causador de arboviroses como dengue, chinkungunya e zika.

Segundo o gerente da Divisão de Vigilância Epidemiolólica, Emerson Oliveira, os profissionais da saúde seguirão todos os protocolos de segurança contra o convid-19 determinados pelo Ministério da Saúde, a exemplo do uso de máscara e de álcool em gel. Por isso, ele orienta os moradores a fazerem o mesmo, mas mantendo uma distância de pelo menos dois metros de cada agente no momento da visitação.

Emerson pede a compreensão das famílias para que recebam os profissionais de saúde em suas casas, pela importância do trabalho que realizam em beneficio da coletividade. Segundo informou, o último LIRAa foi feito em fevereiro do ano passado, tendo registrado 6,8% de infestação predial, número considerado alto e muito acima do recomendado pelo Ministério da Saúde que é de 1%.

Émerson diz que as famílias podem colaborar com o trabalho da Prefeitura contra a proliferação do inseto. Par isso, tanques ou caixas d`água devem ser cobertos e água parada em qualquer vasilhame por menor que seja, eliminada. “Precisamos que os criadouros sejam eliminados para evitar que os ovos sejam depositados pela fêmea do mosquito e se transformem em larvas. Porque, se isso acontece, se dará origem a um novo ciclo das arboviroses”.

Verão: crescimento de doenças ligadas ao Aedes aegypti causam alerta


Professor de epidemiologia fala sobre medidas de prevenção

A chegada do verão no Brasil traz consigo uma grande preocupação de saúde pública. A ocorrência de chuva em diversas regiões nessa época, cria uma alerta para o crescimento da circulação do mosquito Aedes aegypti e das doenças associadas a ele (chamadas de arboviroses urbanas), como dengue, zika e chikungunya.

O Ministério da Saúde divulgou um boletim epidemiológico sobre o tema, em dezembro, e revelou que entre janeiro e novembro foram registrados 971.136 casos prováveis de dengue no Brasil, com 528 mortes. 

Ainda segundo as informações, as maiores incidências aconteceram nas regiões Centro-Oeste (1.187,4 por 100 mil habitantes), Sul (931,3/100 mil) e Nordeste (258,6/100 mil).  Avaliando o mesmo período, as autoridades de saúde notificaram 78.808 mil casos de chikungunya, com 25 óbitos e 19 casos em investigação. 

O maior número de casos foi registrado no Nordeste (99,4 por 100 mil habitantes) e Sudeste (22,7/100 mil). Já os casos de zika, até o início de novembro, totalizaram 7.006, com incidência mais forte no Nordeste (9/100 mil) e Centro-Oeste (3,6/100 mil).

De acordo com o professor de epidemiologia da Universidade de Brasília, Walter Ramalho, é preciso debater sobre o problema do Aedes aegypti e quais medidas são necessárias para impedir sua proliferação. 

“Todos esses materiais, que podem durar muito tempo na natureza, podem ser criadouros do mosquito. A gente tem que olhar constantemente o domicílio, não somente na terra como nas calhas. Este é um momento do começo da chuva. Se não fizermos esse trabalho e se a densidade do mosquito for elevada, não temos o que fazer”, explica Ramalho.

Os dados apontam que o Aedes está no Brasil há mais de 100 anos, mas em alguns momentos já chegou a ser erradicado. Nos últimos 30 anos o inseto vem permanecendo e, segundo o professor Ramalho, se adaptando muito bem ao cenário de urbanização do país.

Ele lembra que não se trata apenas de um cuidado com a própria pessoa e sua casa, mas com o conjunto da localidade, uma vez que domicílios com foco de criação acabam trazendo risco para toda a vizinhança.

O professor da UnB acrescenta que o cuidado no combate aos focos não pode ser uma tarefa somente do Poder Público. Uma vez que qualquer residência, terreno ou imóvel pode concentrar focos, é muito difícil que as equipes responsáveis pela fiscalização deem conta de cobrir todo o território.

“A zika causou microcefalia no Nordeste e em algumas cidades de outras regiões. E precisamos nos preocupar com a chikungunya. Ela causa sintomatologia de muitas dores articulares. Muitas pessoas passam dois, três anos sentindo muitas dores. Isso causa desconforto na vida durante todo esse período”, explica ele. 

Campanha e prevenção

No mês passado, o Governo Federal lançou uma campanha contra a proliferação do Aedes com o lema “Combater o mosquito é com você, comigo, com todo mundo”.  A iniciativa visa conscientizar os cidadãos sobre a importância de limpar frequentemente estruturas onde possa haver focos e evitar a água parada diariamente. 

Itabuna: Índice de Infestação Predial pelo Aedes Aegypti cai para 7.5%


O Índice de Infestação Predial (IIP) pelo Aedes Aegypti continua caindo em Itabuna. De acordo com o mais recente levantamento realizado pela Coordenação do Programa Municipal de Combate às Endemias, neste mês de outubro foi registrado um índice de 7.5%. “Itabuna sempre foi conhecida nacionalmente como a cidade mais infestada pelo Aedes Aegypti, mas nos últimos anos a Prefeitura de Itabuna tem investido no trabalho de combate às endemias e os resultados estão aparecendo”, comentou o coordenador José Roberto Pereira Góes.

Ele ressalta que ainda há muito trabalho a ser feito em conjunto com a Secretaria de Saúde, população e demais envolvidos, pois o Ministério Saúde preconiza o índice tolerável de 1%. E lembra que a atual gestão recebeu o município em janeiro de 2017 com 23.3% de infestação predial. “Em fevereiro de 2019 o índice estava em 8.3%, em maio 8.1%, em julho 7.9% e agora em outubro 7.5% de infestação predial”, comemora o coordenador do Programa de Combate às Endemias.

Os bairros com maiores índices de infestação são: Corbiniano Freire (20%), Ferradas (17.24%), Novo Horizonte (15.15%), Nova Califórnia (14.28%), Maria Matos/Rua de Palha (14.28%), São Pedro (14.02), Sarinha (13.55%), Conceição (13.23%), Fonseca (12.85%) e Antique (12.5%).

Ilhéus: prefeitura intensifica ações para controle da dengue


A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), através da equipe da Coordenação de Combate às Endemias reforça as ações estratégicas para o controle do mosquito transmissor da dengue. No intuito de sensibilizar a comunidade, a equipe de Endemias está recolhendo pneus em terrenos baldios e nas ruas da cidade. Moradores estão em estado de alerta para evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, pois entendem que a responsabilidade do lixo é de todos.

De acordo com coordenador de Endemias em Ilhéus, Roberto Reis, a retirada dos pneus espalhados nas vias públicas e terrenos baldios elimina os criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor das arboviroses (Dengue, Zika Vírus, Febre Chikungunya e Febre Amarela). Além do recolhimento, também é feito tratamento focal com o larvicida e tratamento perifocal com a equipe de Ultrabaixo Volume (UBV).

Os pneus são monitorados quinzenalmente pela equipe de Pontos Estratégicos (PE) e estão em um local coberto e protegido da chuva, no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). As equipes de combate às endemias também realizam bloqueios de casos notificados pela Vigilância Epidemiológica, conforme orientação e determinação da Divisão de Vigilância Epidemiológica da Bahia e do Ministério da Saúde.

O coordenador Roberto Reis orienta a população que em caso de descarte irregular dos pneus em vias públicas e terrenos baldios, entre em contato com o DISQUE DENGUE, através do número (73) 3234-2031. A equipe de Endemias de Ilhéus realiza o trabalho de segunda a sexta-feira, das 7h30min às 17h. Os terrenos baldios estão sendo fiscalizados e os proprietários notificados pela Prefeitura.

Atenção redobrada com crianças e idosos


Idosos e crianças costumam ser mais vulneráveis a determinadas moléstias, incluindo a dengue, zika e chikungunya, todas transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Com isso, a preocupação com estas duas parcelas da população deve ser redobrada, defendem especialistas. A causa se deve ao sistema imunológico que protege o organismo contra doenças, mais frágil nesses grupos.

Os sintomas das três doenças, como febre alta, dor de cabeça, dores nas articulações e manchas pelo corpo, são agravados, o que pode ser fatal para muitos idosos. É o que explica o cardiologista e clínico-geral Fábio Akio Nishijuka:

– A febre alta pode levar à desidratação e à insuficiência renal. E esses fatores, em um sistema fisiológico já enfraquecido, podem ser fatais – explica.

Nas crianças, o risco também é grande. Segundo José Henrique Pilotto, médico e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), os pequenos podem ter convulsão e hemorragia.

– Os idosos têm que ficar em estado de alerta. Desidratação, hemorragia, choque de pressão arterial e pneumonia, agravados pela transmissão do vírus pelo Aedes, têm grandes possibilidades de ocorrerem e levam à morte – constata Pilotto.

Como a maioria dos idosos já possui doenças pré-existentes, como cardiopatias, diabetes, hipertensão e artroses, é importante procurar um médico já nos primeiros sintomas.

As doenças cardiovasculares necessitam de medicamentos que deixam o sangue mais fino. E a dengue, zika e chikungunya podem agravar o quadro de sangramento. Para os pacientes com artrose, a chikungunya agrava os sintomas de dores nas articulações. A zika ainda tem ligação com a Síndrome de Guillain-Barré, uma doença neurológica grave, e causa microcefalia nos bebês ainda no período da gestação.

Foto: divulgação
Foto: divulgação

A demora no diagnóstico aumenta os riscos em idosos e crianças. Os sintomas, como a febre alta, podem se agravar.

– Pessoas com febre alta, por exemplo, que tomam pouco líquido, podem ter desidratação. As três doenças se confundem muito. É preciso um exame físico muito bem feito – ensina Pilotto.

A prevenção das três doenças é a mesma: evitar a picada do mosquito Aedes aegypti contaminado com os vírus. Ajudam muito a mantê-lo longe o uso de roupas escuras e compridas (roupas finas não impedem a picada) e a aplicação de repelentes continuamente (lembrando que somente bebês acima de 6 meses de vida podem usá-los e apenas os que tiverem a substância IR 3535). Outras medidas importantes são, sempre que possível, fechar as janelas, principalmente no início da manhã e no fim da tarde, período de maior atuação do mosquito, ou usar telas de proteção nelas, e se proteger na cama com mosquiteiros.

Mantenha o Aedes afastado com a limpeza de criadouros próximos da sua casa. O inseto usa a água parada para se reproduzir, sobretudo no verão, estação que concentra a maior quantidade de chuva e de umidade..

Plantas da Amazônia podem ser armas contra o Aedes aegypti


Pesquisadores da Universidade Federal do Amapá investigam o potencial de plantas da Amazônia no controle de mosquitos vetores no Brasil – em especial, o Aedes aegypti, transmissor da dengue, da febre chikungunya e do vírus Zika. O estudo analisa extratos vegetais e óleos essenciais das plantas e sintetiza as chamadas nanoemulsões – substâncias concentradas e que têm princípios ativos que podem, por exemplo, matar larvas de mosquito ou afastar picadas de inseto.

Segundo informações do professor do Departamento de Ciências Biológicas e da Saúde, Raimundo Nonato, informou que a equipe é composta por aproximadamente dez pessoas – três profissionais da biologia e sete da área de ciências farmacêuticas. A pesquisa, segundo ele, está em andamento há pelo menos 12 meses. Recentemente, um artigo sobre os avanços alcançados pelo grupo foi publicado na revista norte-americana Plus One.

Saiba mais: https://carvalhonews.com.br/o-virus-da-zika-no-mundo/

“Já temos mais de cinco substâncias que se mostraram extremamente eficientes na atividade larvicida e que são oriundas de plantas testadas”, disse Nonato. “A prioridade foi dada por causa da necessidade iminente de desenvolver substâncias que possam colaborar para o controle das larvas de forma ecologicamente mais correta, causando danos menores ao meio ambiente”, completou.

zika 2

Pelo avanço dos trabalhos, a previsão do pesquisador é de que, com mais um ano de estudo, a equipe consiga chegar à formulação final desses produtos. Em seguida, inicia-se o processo de pedido de patente e o registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Sendo otimista, mais dois anos, no máximo”.

“A Índia, o Paquistão e alguns grupos de pesquisadores nos Estados Unidos já têm estudos bastante avançados na produção de repelentes a partir de extratos naturais e óleos vegetais”, comentou Raimundo Nonato. “A produção, nesses casos, tende a ter um custo menor, mas não é algo simples de se fazer. Para que se produza um inseticida natural em grande escala, é necessário dominar técnicas de cultivo e um conhecimento paralelo da parte agronômica”.

 

Fonte: Agência Brasil