Saiba mais sobre a endometriose


Alguém aí já ouviu falar da endometriose? Segundo o Ministério da Saúde, este mal afeta cerca de 10% da população feminina, inclusive as adolescentes. É possível descobrir a doença em meninas ainda novas, no começo da vida reprodutiva, mas o diagnóstico pode demorar até dez anos.

A dor é principal sintoma da doença. Durante o período menstrual, a mulher sente cólicas muito fortes, que não passam com o uso de analgésicos. Além disso, a dor também está presente nas relações sexuais, e há possibilidade de sangramentos na urina e nas fezes. Por afetar diversos órgãos da região pélvica, as inflamações podem danificar o sistema reprodutivo feminino.

Segundo o ginecologista e obstetra, Marcos Tcherniakovsky, as adolescentes com muitas queixas de cólicas são grandes candidatas a desenvolverem uma endometriose na vida adulta. “Vários casos que tratamos hoje vêm da adolescência. Alguns pais ficavam preocupados em deixar as filhas tomarem anticoncepcional muito novas. Mas isso acontece cada vez menos”, revela.

Mais informações sobre a doença

Endométrio escama

Toda vez que a mulher menstrua, o endométrio (camada de sangue que reveste o útero por dentro) escama e se solta. Partes desse endométrio escorrerem para outras áreas do corpo, como ovários, trompas, intestino. Isso ocorro com todas as mulheres

Inflamação nos tecidos

Em algumas mulheres, em vez desta parte do endométrio ser expelido pelo corpo, ele gruda nos tecidos de outros órgãos. O organismo reconhece essa parte do endométrio como um agente externo que precisa ser combatido. Isto causa uma infecção local

Dores e mais dores

Por ter tecidos de endométrio espalhados em várias partes do corpo, a mulher sente dores em várias áreas da região pélvica. No período de menstruação, essas partes de endométrio também podem sangrar

Diagnóstico

O primeiro sinal de alerta são as cólicas que deixam a mulher incapacitada de fazer suas atividades diárias, como estudar ou trabalhar. A paciente deve conversar com seu/sua ginecologista sobre as dores e pedir exames de imagem para identificar possíveis focos

Medicamentos

Não há medicamentos dedicados ao tratamento da endometriose, mas sim das dores e inflamações decorrentes da doença. O tratamento inicial é realizado com anti-inflamatórios, analgésicos e anticoncepcionais (para evitar que a mulher menstrue)

Cirurgia

A cirurgia tem como objetivo eliminar os focos de endometriose e deixar a doença sob controle

Brasil é o quarto maior produtor de resíduos


A quantidade de resíduos sólidos urbanos gerada no país em 2015 totalizou 79,9 milhões de toneladas, 1,7% a mais do que no ano anterior. No período, foi registrado também aumento de 0,8% na produção per capita de resíduos sólidos: de 1,06 quilo (kg) ao dia em 2014, para 1,07 kg ao dia em 2105. Os dados foram divulgados hoje (4) pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

“O resultado coloca o Brasil como o quarto maior gerador de resíduos sólidos no mundo, é muita coisa, e o que nós percebemos é uma rota ascendente, que tem vindo dessa forma na última década, e que ainda não demonstrou uma linha de reversão. É um dado preocupante”, disse o diretor presidente da Abrelpe, Carlos Roberto Vieira.

residuos

De acordo com o levantamento, houve uma leve melhora nos números sobre a destinação final dos resíduos sólidos. Em 2015, 58,7% do lixo produzido foi destinado para locais adequados, como aterros sanitários. Em 2014, esse índice foi 58,4%. No entanto, os dados mostram que cerca de 60% das cidades brasileiras ainda destinam seu lixo inadequadamente, ou seja, para lixões ou para os chamados aterros controlados.

“Uma das pistas que temos para explicar esse problema, essa nossa deficiência e porque temos levado tanto tempo para avançar, está no volume de recursos aplicados no setor de resíduos sólidos, que em 2015 foi de R$ 10 por habitante por mês para fazer frente a todos os serviços de limpeza urbana”, ressaltou Vieira.

Os serviços de coleta mantiveram o alto índice observado nacionalmente nos anos anteriores, de 90,8%. No entanto, ainda persistem as diferenças regionais: no Sudeste, 97,4% do lixo produzido é coletado; em seguida vêm as regiões Sul (94,3%); Centro-Oeste (93,7%); Norte (80,6%); e Nordeste (78,5%).

Pesquisadores da USP comprovam que vírus Zika causa má formação em fetos


Um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) comprovou, experimentalmente, a capacidade do vírus Zika de atravessar a placenta e infectar bebês no útero da mãe. O trabalho, publicado hoje (11) na revista Nature, também mostrou como a infecção afeta a formação do sistema nervoso central dos embriões.

“Esse é o primeiro modelo experimental comprovado que mostra que o vírus é capaz de passar a barreira placentária, atingir o feto, ser albergado no sistema nervoso e, a partir de então, todas as outras repercussões foram observadas”, enfatizou o professor do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, Jean Pierre Schatzmann Peron.

Para os experimentos foram usados camundongos e os chamados minicérebros, modelos do órgão humano elaborados a partir de culturas de células-tronco. Com os animais foi possível observar o comportamento do Zika em relação à, gestante e o filho. A partir dos minicérebros, a ação sobre as células que vão formar o sistema nervoso e até contra neurônios maduros.

Entre as conclusões, foi identificado que, ao infectar o embrião, o vírus Zika tem preferência por atacar as células que formam o cérebro e o sistema nervoso. Essa ação, que mata as células antes que os tecidos se desenvolvam, causa más formações nesses órgãos, como a microcefalia.

A variedade que circula no Brasil causou muito mais danos do que o tipo africano, que havia sido estudado anteriormente. “Nós observamos que o vírus que está circulando aqui é muito mais agressivo do que a cepa isolada em 1947 na África”, enfatizou a professora doutora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP Patricia Cristina Baleeiro Beltrão Braga sobre os efeitos nos fetos ainda no útero.

Foto Gidelzo Silva
Foto Gidelzo Silva
Segundo a pesquisadora Patricia Baleeiro Beltrão Braga, o vírus Zika que está circulando no Brasil é muito mais agressivo do que o isolado em 1947 na ÁfricaRovena Rosa/Agência Brasil

Apesar de a microcefalia ser o efeito mais difundido da infecção em bebês ainda não nascidos, Patrícia destaca que o vírus também ataca outros órgãos, afetando o desenvolvimento de diversas partes do corpo: “O que nós temos visto é que existe uma síndrome congênita da infecção pelo Zika vírus”.

O coordenador da Rede Zika Vírus e professor do Departamento de Microbiologia da USP, Paolo Zanotto, exemplifica: “Tem crianças crescem com má formação de membros, tem sobreposição de dedos no pé e nas mãos”. Segundo Zanotto, estão sendo acompanhados diversos casos de crianças que tiveram alterações no desenvolvimento devido ao zika, inclusive, problemas de má formação no cérebro mais discretos do que a microcefalia, que pode ser observada pelo tamanho do crânio.

A extensão dos danos aos embriões está ligada, de acordo com os pesquisadores, ao estágio da gestação em que houve a infecção. Quanto mais cedo houver o ataque pelo vírus, mais drásticos são os efeitos sobre a criança.

Vacina

Os resultados dos experimentos com camundongos mostraram, entretanto, que uma linhagem de animais tem resistência aos efeitos do vírus sobre os fetos. “O que a gente especula é que a resposta imune que ele tem seja suficiente para conter o vírus e, pelo menos, impedir que a replicação viral aconteça em níveis muito elevados, e impedir que ele passe a placenta”, explica Peron.

Essa descoberta abre espaço, segundo o cientista, para pesquisas que permitam a elaboração de uma vacina contra o vírus.