Bolsonaro diz que “ Brasil está quebrado” e não pode fazer nada


A frase contraria o seu próprio ministro da economia, e afasta investimentos no país

André Lucas

Na manhã da última terça feira, dia 5, o Presidente da República Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil está quebrado e que ele não pode fazer nada. A fala repercutiu muito mal. Especialistas, oposição e internautas não gostaram nem um pouco do presidente ignorar suas responsabilidades e afirmar que não tinha como resolver o problema. 

O fato ocorreu na saída do palácio. Bolsonaro conversava com seus apoiadores e falava sobre a situação que o país se encontra. Além de citar o quadro econômico, Bolsonaro também colocou a culpa da pandemia na imprensa, afirmando que o covid 19 foi potencializado pela mídia. 

“Chefe, o Brasil está quebrado, e eu não consigo fazer nada. Eu queria mexer na tabela do Imposto de Renda, teve esse vírus, potencializado por essa mídia que nós temos. Essa mídia sem caráter. É um trabalho incessante de tentar desgastar para tirar a gente daqui e atender interesses escusos da mídia”, declarou Bolsonaro.

A fala do presidente contradiz a de seu próprio Ministro da Economia, que sempre usa de forma otimista a expressão” o Brasil está crescendo em V”, insinuando que o Brasil teve uma grande queda econômica durante a pandemia, porém acelera rapidamente. 

Após a declaração do presidente, seu filho , o deputado Eduardo Bolsonaro, adotou a mesma posição que o da equipe econômica, foi otimista e afirmou que o país se recuperará muito mais rapidamente. O deputado publicou em uma rede social: 

“Com o governo Jair Bolsonaro, o Brasil é um dos países que se recupera mais rapidamente do caos econômico gerado pela pandemia”, declarou o deputado.

Guedes tenta explicar

O ministro da Economia, Paulo Guedes, tentou defender o presidente das críticas, e explicar o que ele queria falar.  “Não há nenhuma divergência entre nós. Obviamente, o presidente se referiu à situação do setor público”, minimizou.

O que dizem os especialista

A economista Elena Landau, ouvida pelo jornal Folha de Pernambuco,  explica que Bolsonaro não poderia usar o termo quebrado, que soa de forma negativa, dando um sinal vermelho para o mercado financeiro e tirando a confiança do país, ela explica que  em um momento em que o Brasil passa por uma grande crise e precisa de investimento privado e estrangeiro, não é  bom colocar em duvida a confiança do país. 

“O que os credores internacionais, o que os credores do Tesouro vão imaginar quando o próprio presidente da República diz que o país quebrou? Isso significa que o país não tem capacidade de pagar aquilo que ele deve. É de uma irresponsabilidade muito grande, só cria uma situação de instabilidade nas áreas de juros e câmbio, além de ele fazer parecer que não tem responsabilidade sobre isso. Onde estão as privatizações que iam fazer, cadê as reformas, cadê o Orçamento de 2021?” .   

Outro economista ouvido pelo mesmo jornal foi o Raul Velloso, que criticou a forma como o conceito quebrado foi usado: 

nenhum país em emergência quebra. Mesmo fora da emergência, especialmente um país como o Brasil, que não depende de dólar para financiar sua dívida. A declaração dele de que o país está quebrado soa como se não houvesse nada que possa ser feito, o que não é verdade” 

Maia aproveita o momento para desgastar Bolsonaro

Num momento decisivo da corrida eleitoral, o Presidente da Câmara, Rodrigo mais aproveitou o momento para desgastar mais a imagem de Jair Bolsonaro, e consequentemente  de seu candidato Arthur Lira. Maia disse Ao Jornal UOL. 

“Agora a gente está vendo que o governo preferiu parar os trabalhos no Congresso e falar essa coisa mais absurda: com o poder que tem, com a responsabilidade que um presidente tem, dizer que nada pode ser feito. É muito grave”.  

Eduardo Bolsonaro é investigado por compras em espécie de apartamentos na zona sul carioca


É o terceiro processo que o STF abre contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro

André Lucas

A Procuradoria Geral da República está investigando o deputado federal Eduardo Bolsonaro por uma compra em de dois apartamentos na zona sul do Rio de Janeiro, a aquisição desses imóveis foi feita com pagamento em espécie entre 2011 e 2016 no valor de 150 mil reais .

O processo foi aberto pelo Procurador Geral Augusto Aras, que notificou o STF nessa sexta feira dia 17 de dezembro. No despacho enviado ao supremo o procurador diz que vai apurar se existe elementos para abrir uma investigação formal.

“Caso, eventualmente, surjam indícios razoáveis de possíveis práticas delitivas por parte do requerido, que teve seu primeiro mandato como deputado federal iniciado em 1º de janeiro de 2015, será requerida a instauração de inquérito nesse Supremo Tribunal Federal”,

A reportagem do jornal o Globo investigou e divulgou o caso, foi a partir daí que um advogado entrou em contato com o STF (Supremo Tribunal Federal) e pediu que o deputado fosse investigado, pôs o pagamento em espécie sinalizava “ lavagem de dinheiro. O pedido foi acatado pela PGR e agora segue com as apurações.

Os documentos do cartório, que foram lidos por repórteres do jornal O Globo, que apontam a compra de foi imóveis em Botafogo, o mais recente em 2016. Os documentos segundo o jornal, mostra que no dia 29 de dezembro um  apartamento foi vendido no valor de 1 milhão de reais, o pagamento  adiantado 81 mil reais foi efetuado como “ sinal “ ( garantia ) e outros 100 mil goram pagos esse ano.   

A escritura chamou atenção por usar uma expressão diferente; moeda corrente contada e achada certa”. Especialista que foram entrevistados pelo jornal O Globo disseram que a expressão usada se refere a dinheiro e espécie. Outro dado apurado pelo jornal é que a outra parte que faltava para concluir o pagamento, 800 mil reais,  foi financiada pela caixa econômica federal. A reportagem ainda mostra que em 2011, antes de se tornar deputado federal, o Eduardo Bolsonaro, já tinha comprado um apartamento em dinheiro vivo. O deputado comprou um apartamento em Copacabana por 160 mil reais, pagou 110 mil na hora em cheque especial e os outros 50 mil foi pago em espécie.    

Além dessa nova denúncia o deputado tem outros processos em trâmite no STF.  Um relacionado a uma expressão forte e polêmica usada pelo filho de Bolsonaro, que fez com que o ministro do STF Celso De Melo fizesse um pedido a PGR para abrir processo de investigação contra o deputado, acusando ele de cometer crime contra a segurança nacional. O despacho dizia: 

“Trata-se de comunicação de delito (“notitia criminis”) encaminhada ao Supremo Tribunal Federal, em que se noticia a suposta prática, pelo Deputado Federal Eduardo Nantes Bolsonaro, do crime de incitação à subversão da ordem política ou social previsto na Lei de Segurança Nacional (Lei nº 7.170/83, art. 23, I), escreveu Celso de Mello em seu despacho.”

Em outra frente o deputado também estar sendo investigado por um inquérito aberto contra as fake news. O nome do deputado estar na lista de suspeito de envolvimento com  o disparo de noticias falsas que influenciaram as eleições de 2018.

Janaina Paschoal, uma voz dissonante no PSL


Para surpresa de uma parcela da população, a deputada Janaína Pascoal (PSL/SP) vem se posicionando contraria as diversas declarações desastrosas do presidente Jair Messias Bolsonaro. Em recente entrevista a BBC Brasil, a parlamentar garantiu que deseja conciliar e fortalecer o governo e “não destruir”. Segundo ela os comentários “mais polêmicos” de Bolsonaro “estão prejudicando e podem começar a gerar instabilidade”.

“O presidente vai ajudar muito a nação se deixar 1964 em 1964”, diz a deputada. “Ao fazer um comentário absolutamente fora de contexto e desnecessário, (Bolsonaro) acabou transformando o presidente da OAB num marco da democracia”, afirma, classificando Santa Cruz como alguém “muito controverso na própria advocacia” e que poderia não ter sido eleito caso as eleições da OAB fossem diretas.

A deputada também chama a atenção ao defender que os conteúdos divulgados pela Vaza Jato sejam apurados.  “Vamos punir a quadrilha pelas interceptações ilegais, mas eu quero saber o que tem lá. Defendo a liberdade de informação”.

Ela também defende investigação sobre o senador Flávio Bolsonaro pelo suposto uso de laranjas nas eleições. “Não dá para esses fatos virem à tona e ficaram absolutamente alheios a qualquer tipo de apuração”, afirma. “Quero saber o que eram aquelas movimentações, qual era o papel desse cidadão (Queiroz). Como quero saber qual é o papel dessa cidadã que trabalha ali no gabinete do André Ceciliano e porque o (Wilson) Witzel, que foi eleito no Rio de Janeiro com discurso antiesquerdista, anticorrupção, agora virou parceiro dele.”

Paschoal também é contrária a indicação de Eduardo Bolsonaro à Embaixada do Brasil em Washington. “Entendo que o Senado Federal deveria barrar a vontade do presidente”, declarou.