Enem 2018: cartões já estão disponíveis


A hora da verdade para os estudantes está chegando. Os inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2018 já podem acessar os cartões de confirmação da inscrição. Para consultar o documento, é necessário acessar a página do participante, onde deve ser colocado o CPF e senha ou baixar em seu celular o aplicativo Enem 2018. A primeira etapa do exame será aplicada no domingo, dia 4 de novembro.

O cartão contém os dados do estudante, o endereço do local, a data e hora da aplicação da prova, além das informações sobre a língua estrangeira escolhida e recursos de acessibilidade, se tiverem sido solicitados. Caso tenha problema com as informações do cartão ou dificuldade de acesso ao documento, o estudante pode entrar em contato com o MEC pelo telefone 0800616161 ou pelo link Fale Conosco, no site do Enem.

Com a entrada em vigor do horário de verão no mesmo dia da primeira etapa do Exame, em 4 de novembro, o Ministério da Educação recomenda que os inscritos fiquem atentos aos horários de abertura e fechamento dos portões dos locais de prova em cada estado.

Confira os horários do fechamento dos portões

No Distrito Federal e nos estados do Espírito Santo, de Goiás, Minas Gerais, do Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e São Paulo, os portões abrem às 12h e fecham às 13h.

Nos estados de Alagoas, do Amapá, da Bahia, do Ceará, Maranhão, de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, da Paraíba, de Pernambuco, do Piauí, Rio Grande do Norte, de Sergipe, do Tocantins, os portões abrem às 11h e fecham às 12h.

No Amazonas, em Rondônia e Roraima, os portões abrem às 10h e fecham às 11h. No Acre, os portões abrem às 9h e fecham às 10h, no horário local.

Educador e escritor Hamilton Werneck


Tão necessária para a formação do cidadão quanto para a construção de uma nação forte e competitiva, a educação é uma das grandes vulnerabilidades do Brasil. Algumas das queixas de educadores e demais especialistas do setor são que faltam investimentos e uma dose de boa vontade por parte dos governantes para solucionar os problemas relacionados a esta. Mas, o que pode ser feito para mudar o panorama atual? O Blog Carvalho News decidiu ouvir o pedagogo e escritor Hamilton Werneck, autor dos livros “Se você finge que ensina, eu finjo que aprendo”, “Professor, acredite em si mesmo”, entre outros, que falou sobre os desafios que a educação brasileira precisa enfrentar o mais rápido possível, para que possamos evoluir. Boa leitura!

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Blog Carvalho News – Como você avalia a educação atual brasileira?

Hamilton Werneck – Nossa educação vive num estado de contradição. Ela avança e retrocede. Seguia para um lado de criatividade, mas com a Reforma do Ensino Médio a impressão que houve um retrocesso. A educação está voltando para uma visão tecnicista e ainda por cima com uma série de projetos que não tem sentido dentro do país. Como, por exemplo, o Projeto Escola Sem Partido. As pessoas parecem que não querem que a formação seja cidadã e faça o indivíduo pensar. Então não pode discutir, tem que aprender conteúdos como se não fossem absolutamente neutros… Não se pode discutir nada. Então isso aí é uma meta que forma um idiota, que não sirva para nada. Ele vai ser, quando muito se aprender, um monstrinho treinado.

CN – Qual sua opinião sobre as políticas públicas em educação na atualidade brasileira?

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Professor Hamilton Werneck Foto: Érica Castro

Werneck – Como a situação está no momento, elas atendem o mínimo necessário, mas não atende ao investimento mínimo necessário que é exigido para que o país atinja um nível de desenvolvimento. Nenhuma nação do mundo conseguiu um nível muito alto de desenvolvimento sem educação. O que faz a pessoa não jogar papel na rua, manter o lixo protegido, não manter recipientes com água que podem fazer proliferar mosquitos que transmitam doenças é uma questão de educação. O Brasil está adotando uma educação voltada para o quadro da repetição. E isso é simplesmente definir que nós estamos estagnando a população num nível de subdesenvolvimento.

CN – Quais os pontos positivos e os negativos nas avaliações massivas (Ideb, Prova Brasil, Enem e Enade)?

Werneck – Há um crescimento gradativo muito lento, mas há um crescimento da Educação Básica. Onde cresce mais e onde cresce menos? Cresce mais onde há dedicação, onde o município trabalha a formação de seus professores; onde o município procura dentro das suas circunstâncias fazer o melhor. Inclusive, desenvolvendo a capacidade do aluno pensar. Funciona pior onde não há condições de trabalho, o salário do profissional está atrasado, onde não há dedicação, onde o município não coloca a educação como um elemento básico e fundamental. A situação está pior no Ensino Médio, que acabou se tornando enciclopédico, com uma quantidade de assuntos muito grande e pouca possibilidade de escolha por parte da pessoa. Aí entra a reforma aprovada, que permite escolhas mas diminui em várias áreas do saber disciplinas básicas que ajudam a pensar, tentando escapar de ideologismos. São o caso de Sociologia, Filosofia e Artes que foram reduzidas no currículo.

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Hamilton-Werneck- Foto: divulgação

CN – Falando sobre indicadores de uma Educação Básica de qualidade, quais as utopias e quais as realidades?

Werneck – Uma das utopias é procurarmos ter um ensino integral, para isso precisamos ter um espaço maior, professorado preparado para esse fim e disponibilidade de verba para sustentar essa despesa. É uma utopia que estava prevista com uma quantidade de percentual do PIB, a ser aplicado até 2024, quando o Plano Nacional de Educação completaria dez anos. Porém, com a reforma econômica que tivemos e as últimas Pecs aprovadas, tudo foi eliminado. Ou seja, a utopia fica mais na prática ela não conseguira ser efetivada. A outra questão, é que para ter um trabalho bom de educação, tem de haver um professor com capacidade de trabalhar bem com os alunos. Só que com uma certa idade o professor não aguenta mais trabalhar. E com a nossa perspectiva de aposentadoria e tempo de contribuição, sem considerar a educação como algo especial, nós teremos professores que depois de um determinado tempo não conseguirão ter bom desempenho diante de turmas grandes e isso é muito ruim para educação. Acho que quando pensaram na aposentadoria geral no Brasil, não lembraram que determinados trabalhos exigem muito esforço físico muito grande e que não consegue ser executado por uma pessoa depois de uma certa idade.

CN – Os órgãos de controle social em educação desempenham bem suas atribuições?

Werneck – Não. Eles não controlam a ponta do sistema. Não controlam a sala de aula, não sabem o que o professor esta fazendo em sala de aula. Se a aula é dada de modo que o aluno compreenda o assunto ou não. Há uma falha nas coordenações pedagógicas e nas supervisões. Supervisionam demais questões legais e de menos questões táticas didáticas e pedagógicas.

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CN – Quais as suas perspectivas em relação ao futuro da educação, para os próximos dez anos?

Werneck – Se manter o panorama atual, vejo uma dificuldade para termos tempo integral. Não vamos conseguir atender a emenda 20 da Constituição Federal de 1988, pois não haverá verba para isso. Significa que nós podemos perder uma geração que não terá tempo integral. Que ficará um tempo na escola e outro na rua, servindo a outras coisas escusas, que podem ser a prostituição infantil, drogas. Com o está o quadro, não vejo como aumentar de maneira significativa o salario do professor e suas condições de trabalho, tornando a carreira do magistério atraente. Não teremos professores capazes de ensinar e os alunos aprenderem. Vamos ter gente cansada, despreparada e desanimada.

CN – O que pode ser feito para mudar esse panorama?

Werneck – A mudança da visão política educacional que está altamente atrasada. Não se está pensando na formação do professor e na melhoria das condições do trabalho. Educação não é algo prioritário. Um país para se tornar uma potência precisa de cinco condições. O Brasil tem três, que são extensão territorial, água suficiente e matéria prima. Nos faltando uma boa saúde e boa educação. Se essa duas foram bem cuidadas podemos progredir. Qual o capitalismo queremos?  Caminhar na direção que irá nos tornar um país subdesenvolvido ou capitalismo semelhante ao da Austrália? Não temos que ter uma mão de obra barata por que não estuda. Temos que possuir uma mão de obra cara por ser bem preparada, que promova um grande ganho permitindo uma melhor distribuição de renda.

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Governo Temer quer reformar o ensino médio


O presidente Michel Temer assinou e vai encaminhar, ainda hoje (22), ao Congresso Nacional, Medida Provisória (MP) para reestruturação do ensino médio que, quando aplicada, possibilitará que o aluno escolha diferentes trilhas de formação e formação técnica. O governo também anunciou plano de ampliar a educação integral a partir de 2017.

A intenção é que o ensino médio tenha, ao longo de três anos, metade da carga horária de conteúdo obrigatório, definido pela Base Nacional Comum Curricular – ainda em discussão. O restante do tempo deve ser flexibilizado a partir dos interesses do próprio aluno e das especificidades de cada rede de ensino no Brasil. Os alunos poderão escolher seguir algumas trajetórias: linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas

As mudanças pretendem favorecer, também, a aplicação dos conhecimentos em diversas áreas – inclusive no dia a dia dos alunos e na realidade do Brasil e do mundo. Pelo Plano Nacional de Educação (PNE), até 2024, 50% dos matriculados cumprem jornada escolar em tempo integral de, no mínimo, sete horas por dia, somando 4,2 mil horas em todo o ensino médio.

De acordo com o ministro da Educação, Mendonça Filho, a pasta investirá R$ 1,5 bilhão para ofertar o ensino integral a 500 mil jovens até 2018. O tempo integral passará a ser fomentado a partir do ano que vem. “O tempo integral retira os jovens da vulnerabilidade nas grandes e médias cidades do Brasil e garante uma educação de qualidade”, disse.

Ao discursar durante o evento de assinatura da MP, o presidente Michel Temer garantiu que “não haverá redução das verbas para educação”. Segundo Temer, a reforma no ensino médio pretende fazer com que seja dado um “salto de qualidade na educação brasileira”.

Foto: divulgação
Foto: divulgação

A expectativa é de que essas mudanças comecem a ser aplicadas a partir de 2017, de acordo com a capacidade de cada rede de ensino. Conforme Mendonça, não há prazo de implementação para a reforma, mas a primeira turma deve ingressar no novo modelo em 2018.

A reforma do ensino médio passou a ser priorizada pelo governo após o Brasil não ter conseguido, por dois anos consecutivos, cumprir as metas estabelecidas. De acordo com dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mede a qualidade do ensino no país, o ensino médio é o que está em pior situação quando comparado às séries iniciais e finais da educação fundamental: a meta do ano era de 4,3, mas o índice ficou em 3,7.

Atualmente, o ensino médio tem 8 milhões de alunos, número que inclui estudantes das escolas publica e privada. Segundo o Ministério da Educação, enquanto a taxa de abandono do ensino fundamental foi de 1,9%, a do médio chegou a 6,8%. Já a reprovação do fundamental é de 8,2%, frente a 11,5% do médio.

Projeto de lei que tramitava na Câmara dos Deputados já previa algumas das mudanças no currículo do ensino médio. A edição de medida provisória foi criticada por grupos e entidades ligadas à educação, que defendem uma maior discussão das mudanças.

No discurso de anúncio medida, Mendonça Filho rebateu as críticas: “Quando se fala em educação, muitas ou algumas vozes se levantam para dizer: ‘que pressa é essa?’. Pressa de termos crianças e jovens relegados à educação pública de baixa qualidade, comprometendo seus futuros e suas vidas. Não podemos ser passivos e tolerantes diante de um quadro como esse”.

MEC cria comitê para discutir base curricular comum do ensino médio


O Ministério da Educação instituiu um comitê gestor da Base Nacional Comum Curricular e Reforma do Ensino Médio para acompanhar o processo de discussão da segunda versão preliminar do programa de conteúdos e saberes que servirão de base para os currículos das escolas de ensino médio públicas e privadas do país. A proposta final do documento será encaminhada ao Conselho Nacional de Educação. A portaria de criação do grupo foi publicada hoje (28) no Diário Oficial da União.

Até agosto, o comitê vai participar dos debates sobre o currículo base nos estados e no Distrito Federal. O grupo também vai convidar especialistas sobre temas específicos e sugerir alternativas para a reforma do ensino médio, propondo definições, orientações e diretrizes para a elaboração e implementação do programa.

O grupo também vai indicar especialistas para redigir o documento final e estabelecer orientações para a implantação gradativa das diretrizes pelas redes de ensino públicas e particulares. O texto seguirá para o Conselho Nacional de Educação e, depois, voltará ao MEC para ser homologado.

A secretária executiva do Ministério da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, vai presidir o comitê. O secretário de Educação Básica, Rossieli Soares, atuará como secretário executivo. Também compõem o colegiado os titulares das Secretarias do MEC; Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi); de Educação Profissional e Tecnológica (Setec); de Educação Superior (Sesu); de Articulação dos Sistemas de Ensino (Sase), e pelo presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

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Base Nacional Comum Curricular

A Base Nacional Comum Curricular está prevista no Plano Nacional de Educação e definirá o conjunto de conhecimentos e habilidades que os alunos devem adquirir e desenvolver em cada etapa de ensino e em cada ano de escolaridade. O documento vai orientar sistemas e redes de ensino a desenvolverem os próprios currículos.

A intenção é que os conteúdos definidos na base ocupem cerca de 60% da carga horária dos estudantes da educação básica. No restante do tempo, as redes de ensino poderão definir o que ofertar – desde conteúdos regionais e atividades extras à formação técnica, por exemplo.

A previsão inicial era de que o documento fosse aprovado em junho deste ano. Em audiência na Câmara dos Deputados, o ministro da Educação, Mendonça Filho, afirmou que as discussões sobre a Base Nacional Comum Curricular não estão paradas e que o prazo foi estendido a pedido do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), o que postergou o cronograma.

Ensino Médio

Segundo o Ministério da Educação, a portaria também  prevê, para o ensino médio, a proposta de uma nova formatação, que terá como diretriz a diversificação da oferta a fim de possibilitar aos jovens diferentes percursos acadêmicos e profissionalizantes de formação.