Falhas levaram à queda de helicóptero com Boechat


“Várias falhas de manutenção levaram à queda do helicóptero que vitimou o jornalista Ricardo Boechat, em fevereiro de 2019”. É o que afirma um relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da FAB. O acidente  também vitimou o piloto da aeronave Ronaldo Quattrucci.

De acordo com a Cenipa, as atitudes do piloto, que também era dono do helicóptero, contribuíram para a tragédia. O relatório aponta que Quattrucci não verificou o funcionamento dos instrumentos de bordo antes da decolagem e tomou decisões erradas durante o voo.

O relatório destaca, sobretudo, falhas no compressor da aeronave, que estava com peças vencidas. Desde 1988, não houve qualquer atualização ou troca completa do equipamento. O tubo de distribuição do óleo também não foi trocado conforme o calendário previsto.

Além disso, a investigação identificou o desgaste anormal de algumas peças. Por isso, houve sobrecarga da aeronave e o rompimento do eixo de ligação do rotor da cauda na hora da queda.

Contudo, o piloto obteve a aprovação técnica pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em agosto de 2017. Entretanto, tanto o profissional quanto o helicóptero não tinham autorização para realizar voos de táxi aéreo sob pagamento.

Avião da FAB podem ter transportado garimpeiros de Jacareacanga


O Ministério Público Federal (MPF) vai investigar o uso de avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para transportar supostos garimpeiros de Jacareacanga, no Pará, até Brasília para uma reunião com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Em documento enviado ao MPF, a própria FAB confirmou que concedeu, em seis de agosto, uma aeronave para levar pessoas até a capital, mas informou que se tratavam de lideranças indígenas.

Indígenas consultados pelo Ministério Público afirmaram, no entanto, que as pessoas transportadas eram defensores dos interesses de garimpeiros que atuavam com a exploração ilegal de minérios no interior da terra indígena Munduruku.
Segundo as apurações, Salles havia se encontrado com garimpeiros um dia antes durante visita ao sudoeste do Pará. A FAB informou que enviou as aeronaves por solicitação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), para apoiar uma operação de combate a crimes ambientais dentro das terras Munduruku e Sai Cinza. Porém, a operação não ocorreu.

Ainda de acordo com a resposta da FAB, a determinação para ceder um avião foi acompanhada de ordem para suspender temporariamente a Operação Verde Brasil 2 na região de Jacareacanga.

Para o MPF, a paralisação da operação e o transporte de garimpeiros até Brasília prejudicaram a fiscalização. “Ao transportar criminosos, pode ter se configurado o desvio de finalidade, já que a presença da FAB na região tinha o objetivo de apoiar operação contra os crimes ambientais”, afirma o órgão.