As reais causas do machismo estrutural


Julia Vitória

O machismo estrutural, o contexto histórico, que coloca as mulheres abaixo dos homens, a desigualdade hoje. Esses fatos fazem com que as mulheres tenham que lutar cada vez mais pelos seus direitos, e em muitos casos pela própria vida.

Os casos de violência contra mulher não são de hoje, contudo a pandemia deu o gatilho que faltava para os casos aumentarem. O ano mal começou e denúncias de violência já foram registradas. 

Para a especialista em direitos das mulheres Lia Zanotta Machado, existe um sexismo estrutural devido a desigualdade de gênero na questão social. A ideia que o gênero  feminino é inferior ao masculino está escrito em lei, sendo mais difícil desconstruir essa questão de que a mulher valha menos que o homem. A violência doméstica no Brasil é histórica, a pandemia também acabou por da uma segunda onda oar6a isso pois com o isolamento os familiares ficam mais juntos e pode acarretar mais brigas e o casos de agressões.

O poder pátrio faz com que os homens tenham um certo poder sobre as mulheres, pais com filhas, maridos com esposas. Antigamente se o marido desconfiasse que a mulher estivesse o traindo com outro alguém ele poderia agredi-la ou até mesmo matá -la. Mas as leis Maria da Penha e do feminicidio veio para da um basta nisso, geralmente as agressões começam de forma verbal ou psicológica, o indivíduo projeta na mulher  suas frustrações, algo que ele trás de fora como por exemplo o desemprego, culpando-a de qualquer coisa, o motivo da violência geralmente tem alguma causa frívola.

Os xingamentos constantes, a tentativa de tirar a dignidade da mulher, usar a culpa como desculpa, esses são gatilhos que devem ser observados, a agressão começa assim de uma forma que ninguém percebe, pode vim de um trabalhador que é calmo e gentil com todos, mas que com a esposa, bate e xinga, ou até um traficante que  acha que tem o mundo aos seus pés e pode tratar a mulher da forma que que ele quiser, a violência não está situada Somente em um meio social, ela pode estar dentro de casa ou na casa da vizinha, o fato é que tem que ficar atenta.

À desconstrução da memória social é algo difícil, mas que precisa acontecer, de fato a Lei Maria da Penha mudou o olhar sobre o famoso ditado ” em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”, hoje as pessoas denunciam ajudam e até mesmo muitas vezes tentam apartar a briga. Mas o conceito tem um âmbito muito maior, para que a violência acabe  e o direito da mulher prevaleça precisa de muito mais. Deve-se mudar as relações dentro de casa, e familiares, tirar dos estereótipo que a culpa é dela quando se sabe que na verdade não é. A violência contra mulher é crônica e abusiva, n época colonial existe um manual de concessões que diz que cabe o marido fazer a mulher obedecer o homem. Então a desigualdade está instaurada, na sociedade de forma histórica, religiosa e jurídica o que demora muito mais para poder ser desconstruída.

Mesmo com a questão enraizada, já se pode ver uma boa mudança, algumas pequenas vitórias como o homem não se deve bate e na mulher, outro avanço importante é as medidas protetivas, as leis e as delegacias especializadas em mulheres, contudo nas cidades do interior muitas vezes não se encontra essas medidas necessárias. 

Secretárias de Mulheres do Nordeste emitem nota sobre recentes casos de feminicídio


Na tarde desta segunda-feira (28/12), secretárias estaduais de Mulheres do Consórcio Nordeste emitiram nota de repúdio sobre os recentes feminicídio registrados no Brasil no período do Natal. A carta apresenta, ainda, solicitação ao Congresso Nacional na agilidade da aprovação de projetos voltados para o enfrentamento à violência de gênero. Confira: 

“Nós, gestoras de Políticas Públicas para Mulheres do Nordeste do Brasil conclamamos que o feminicídio em nosso país não seja banalizado. Conviver com a violência por razões de gênero é inadmissível. Os feminicídios durante o Natal da juíza Viviane do Amaral (RJ), morta a facadas pelo ex-marido; da cabelereira Anna Paula dos Santos (PE), morta a tiros pelo marido; de Thalia Ferraz (SC), morta a tiros pelo ex-marido na frente da família; e da trabalhadora doméstica Jenilde de Jesus Pinheiro (BA), morta a facadas pelo ex-namorado na frente das filhas, expressam a realidade do nosso país no que se refere à violência de gênero. É uma urgência pública que afeta a vida das mulheres quando não lhes tira a vida pela violência letal, o feminicídio.  

Solicitamos ao Congresso Nacional que agilize a aprovação de projetos relacionados ao enfrentamento à violência contra as mulheres, a exemplo do 4133/20, entre outros, visando uma proteção mais efetiva às mulheres.  

Conclamamos ao Governo Federal a destinação de recursos emergenciais para os estados visando iniciativas voltadas para a sensibilização contra a cultura machista nas escolas e nas comunidades e para o fortalecimento da Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres na qual estão incluídos os serviços de atendimento às mulheres em situação de violência, a exemplo dos Centros de Referência de Atendimento às Mulheres e da Casa da Mulher Brasileira.  

Os governos estaduais necessitam que o programa Mulher Viver sem Violência seja reativado, entre outros a serem implementados com destaque para a geração de renda e emprego para as mulheres, voltados para a autonomia econômica e social que contribuem decisivamente para que as mulheres possam romper o ciclo da violência doméstica.  

Os recursos federais para as políticas públicas para as mulheres têm sido retraídos ao longo dos anos, ao passo que a violência contra as mulheres têm aumentado. Conclamamos a sociedade a dar as mãos para enfrentar à violência contra as mulheres. O enfrentamento à violência de gênero deve unir governos e sociedade e é uma ação suprapartidária e interinstitucional.  

As mulheres têm direito a viver sem violência.  

28 de dezembro de 2020  

Julieta Palmeira, secretária de Estado de Políticas para as Mulheres da Bahia;  

Silvia Maria Cordeiro, secretária de Estado da Mulher de Pernambuco;  

Nayra Monteiro, secretária de Estado da Mulher do Maranhão; 

Zenaide Lustosa, coordenadora Estadual de Políticas para as Mulheres do Piauí; 

Eveline Almeida de Souza Macedo, secretária de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos do Rio Grande do Norte;  

Lídia de Moura Cronemberger, secretária de Estado da Mulher e da Diversidade Humana da Paraíba; 

Maria José da Silva, secretária da Mulher e Direitos Humanos de Alagoas;  Lucivanda Nunes Rodrigues, secretária de Estado da Inclusão e Assistência Social”

Homem espanca ex e a mata a facadas após prisão por Lei Maria da Penha


Preso na última terça-feira, 25, em Barra Bonita, no interior de São Paulo, o desempregado Carlos Alexandre Messias, de 24 anos, confessou ter matado a ex-mulher, Dayane Gianetty, de 27, porque ela o havia denunciado à polícia por agressões anteriores.Messias já havia agredido várias vezes a mulher e foi preso quando tentava matá-la, na Rodovia Raposo Tavares, em Ipauçu. As denúncias, com base na Lei Maria da Penha, fizeram com que ele ficasse quatro meses na prisão. Assim que foi libertado, Messias decidiu se vingar.

Messias já havia agredido várias vezes a mulher e foi preso quando tentava matá-la, na Rodovia Raposo Tavares, em Ipauçu. As denúncias, com base na Lei Maria da Penha, fizeram com que ele ficasse quatro meses na prisão. Assim que foi libertado, Messias decidiu se vingar.

No mesmo dia, ele foi atrás da mulher e a agrediu na frente dos dois filhos, mas parentes dela intervieram em defesa dela. A Justiça deu medida protetiva impedindo que o agressor se aproximasse a menos de 500 metros da ex-mulher.

Assassinato. Com medo das ameaças de morte, Dayane deixou o emprego de frentista e se mudou de casa com os dois filhos. De nada adiantou a medida protetiva dada pela Justiça. No dia 21 de março, Messias foi atrás da vítima e a localizou caminhando à margem do lago de um parque municipal.

foto da vitima
Dayane Gianette, reprodução do Facebook

Ele a obrigou a entrar no carro e dirigiu até um canavial, na rodovia que liga Ipauçu a Bernardino de Campos. Dayane foi espancada até desmaiar e depois foi morta a golpes de faca. Ele ainda passou com o carro sobre o corpo. Antes de fugir, o homem ligou para o pai, disse o que tinha feito e indicou onde estava o corpo da vítima.

A Justiça decretou a prisão temporária do suspeito – ele era procurado. Messias foi localizado pela Polícia Militar escondido na casa de uma tia. A Polícia Civil o autuou por feminicídio, crime praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino. O autor do crime foi levado para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru.