Senadores querem anular decisão do STF sobre homofobia


Tudo indica que parte do Senado não ficou nada satisfeito com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de enquadrar a homofobia e a transfobia como racismo. Senadores se movimentam para tentar anular o julgamento. Parlamentares reagiram ao julgamento do STF, que avaliou omissão do Congresso por não ter aprovado até hoje uma lei sobre o tema.

Aliado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), o senador Marcos Rogério (DEM-RO) protocolou um projeto de decreto legislativo para derrubar os efeitos da decisão do STF. O argumento do parlamentar não é contra o mérito do julgamento, mas contra o papel de o Supremo “legislar” enquanto o Parlamento discute o tema.

A proposta foi encaminhada para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. Para que um decreto seja anulado pelo Congresso, um projeto como esse precisa passar pelo Senado e pela Câmara.

Um projeto que enquadra a discriminação por orientação sexual ou de identidade de gênero ao crime de racismo está pendente de votação na CCJ do Senado e, depois do colegiado, deverá seguir diretamente para a Câmara dos Deputados. O Senado chegou a encaminhar um parecer ao STF para informar a aprovação da proposta na CCJ. Outra votação, no entanto, deve ser feita no colegiado por emendas terem sido apresentadas.

Reunião da Otan tem a presença de “primeiro marido” gay


A reunião da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), realizada em Bruxelas, no último dia 25, apresentou algo que, em outras décadas, seria inimaginável. As esposas de líderes mundiais – incluindo Melania Trump (EUA), Brigitte Macron (França) e a rainha Mathilde (Bélgica) – se reuniram para uma foto em grupo e foram acompanhados pelo primeiro-cavalheiro luxemburguês Gauthier Destenay.

Destenay é o parceiro de Xavier Bettel, o primeiro-ministro do Luxemburgo. Os homens são casados desde 2015, ano em que foi aprovado o casamento gay no país.

Na primeira imagem, ele aparece com as primeiras-ministras da França e Turquia. Depois, todas as demais mulheres se reúnem para a grande foto oficial.

Destenay foi elogiado por pessoas de todo o mundo pela internet. Internautas compartilhavam a foto com a descrição: “Meu novo herói”. Foto: Yorick Jansens/ Belga/ AFP

 

primeiromarido

Quando a ignorância vence a solidariedade


O discurso de ódio fez uma mãe desistir do caminho mais eficiente para reencontrar a filha: a divulgação da informação e pedido de ajuda através dos meios de comunicação.

A menor de 15 anos desapareceu de casa no último dia 4. Desesperada, a família entrou em contato com o jornal e pediu ajuda. Imediatamente, o Extra publicou a notícia e os telefones para quem tivesse informações. A reação de parte dos internautas foi chocante: muitos leitores atacaram a menina pelo fato de ela ter uma namorada.

A mãe da garota fez um apelo:

“Boa tarde gente aqui é a mãe da adolescente,acho desnecessário os comentários de ofensa ela é uma menina de família criada na igreja,ela esta desorientada,ninguém sabe o que esta acontecendo sou uma mãe desesperada”.

Uma das leitoras do Extra sugeriu que o jornal suprimisse a informação de que a menina poderia estar com a namorada.

“Ana Clara Jabur Legal, Jornal Extra, expondo uma pessoa com menos de 18 anos pro Brasil inteiro com essa manchete em troca de um par de comentários criminosos que só disseminam ódio.”

É importante ressaltar: a leitora sustentou sua posição com argumentos e não com ofensas ou preconceito. Apenas discordou da linha editorial. O jornal, por sua vez, discordou da leitora. Entendeu que omitir a informação seria adotar o mesmo procedimento que está na raiz dos comentários que ofenderam a família, o preconceito. E mais: como a família sabe onde a suposta namorada mora, a informação poderia ser importante na localização. O jornal respondeu:

“Jornal Extra Oi, Ana Clara Jabur.  Tudo bem? Estamos expondo a foto e a história a pedido da família, para facilitar a busca. Nós noticiaríamos exatamente do mesmo jeito caso ela tivesse fugido com um namorado, ou com um amigo, ou com uma amiga, ou…. Enfim. Mas, infelizmente, não podemos conter o olhar homofóbico das pessoas.”

Muitos leitores apoiaram a postura da família em não ter vergonha ou preconceito em divulgar a informação. Mas no final da tarde, a mãe jogou a toalha. Assustada com os comentários agressivos a família pediu para tirar a reportagem que noticiava o desaparecimento do ar.

– Lamentamos ter que tirar a matéria do ar por causa de ataques de homofobia, por causa das agressões que estamos sofrendo – disse o padrasto.

O Extra, mais uma vez, atendeu ao pedido da família e retirou a matéria do ar.

Fonte: Jornal Extra