Mec capacitará professores para atender filhos de refugiados no Brasil


O objetivo é preparar e aprofundar os saberes dos professores a conhecer um pouco mais sobre a inclusão destes grupos e inseri-los ao novo ambiente escolar

William Gama

O Ministério da Educação (MEC) divulgou hoje (9), que promoverá um curso especializado para capacitar docentes a acolher estudantes refugiados de outros países.

O objetivo é preparar e aprofundar os saberes dos professores a conhecer um pouco mais sobre a inclusão destes grupos e inseri-los ao novo ambiente escolar.

A proposta é proporcionar ao novo educando, um atendimento mais humanizado, para que sejam reparadas as perdas emocionais sofridas durante o êxodo de seu país de origem e para que se sintam acolhidos a multiculturalidade brasileira. 

Lugar acolhedor para estudantes

A formação está dividida em dois módulos, com carga horária de 80 horas. O conteúdo didático da capacitação, aborda questões práticas, para que os docentes promovam o processo de ensino-aprendizagem desses alunos de forma integral.

Esse material vai proporcionar elementos de suporte para que esses educadores elaborem novos instrumentos que irão subsidiar a prática docente em sala de aula com essas crianças.

O projeto viabilizará assuntos relacionados aos aspectos educacionais, históricos, políticos e sociais dos alunos imigrantes, que irão oferecer um lugar mais acolhedor para os estudantes. 

Para acessar as aulas, o professor terá que entrar na plataforma ‘Ambiente Virtual de Aprendizagem’ do Ministério da Educação (Avamec). De acordo com o MEC, este curso está alinhado a Operação Acolhida, criado em março de 2018. É uma força tarefa, que foi criada na época para receber refugiados venezuelanos que se instalaram no país. Segundo informações da Agência Brasil, o secretário de Educação Básica do MEC Mauro Rabelo, o curso vai dar novo suporte as escolas e auxiliará professores e gestores “na tarefa de trabalhar o multiculturalismo, o que não é fácil”, afirmou o secretário. 

Segundo Bernardo Laferté, coordenador-geral do Comitê Geral para Refugiados que faz parte do Ministério da Justiça, a transversalidade faz parte desses processos migratórios, pois esse contexto está ligado diretamente a causas que envolvem crises políticas em seus países de origem.

CPF para imigrantes

Ele destaca que essas pessoas buscam uma nova oportunidade, e que precisam se sentirem acolhidas e amparadas. “a política migratória é uma política completamente transversal, que aborda todos os aspectos da vida, inclusive linguísticos”, mencionou. 

Os imigrantes ao ingressarem ao Brasil, eles são registrados no Cadastros de Pessoas Físicas (CPF), recebem carteira de trabalho e de vacina. Ainda segundo Bernardo Laferté, os filhos de refugiados e imigrantes serão considerados brasileiros e integrados 

á sociedade. “Se ele tiver um filho, a criança será brasileira, e precisará ser integrada à sociedade, até por uma questão de política de longo prazo, uma vez que as famílias trazem conhecimentos que o brasileiro não tem. Isso é muito rico. Por isso, não podemos ver como custo. Até porque elas se somaram ao nosso mercado produtivo”, declarou. 

O diretor Renato Brito, que está a frente da pasta de Formação Docente e Valorização de Profissionais da Educação, afirmou que existe 82,4 milhões de pessoas refugiadas em diversos países, em que grande parte, são crianças. “Atualmente, há mais de 57 mil pessoas no Brasil reconhecidas como refugiadas.

Infelizmente, as crianças refugiadas apresentam probabilidade 53% menor de estar na escola em comparação às crianças brasileiras”, frisou. O diretor ainda destacou que existem questões burocráticas que dificultam o acesso ao sistema escolar. Mas, o curso criado, vai proporcionar o acolhimento e inserir esses novos cidadãos a sociedade brasileira. 

William Gama é formado em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) e Mestrando em História (UNICAP). Gosta de produzir matérias de diferentes nichos em Mídias e Redes Sociais. Instagram: williamgama.j

Arigato gozaimasu Japão


Nissei, sansei, suchi, miojo, sachimi. Você já parou para pensar como somos influenciados pela cultura japonesa diariamente? Nosso país abriga a maior comunidade nipônica fora da “terra do sol nascente”: são mais de 1,6 milhão de japoneses e descendentes. Essas informações são da Central Intelligence Agency (CIA). Os japoneses começaram a deixar sua terra natal em busca de uma vida melhor para suas famílias. Grande parte desta imigração aconteceu a partir de 1868, com picos em 1912 e em 1946 no Pós-Segunda Guerra Mundial.

Foi em 18 de junho de 1908, que chegou ao Porto de Santos o “Kasato Maru”, navio que trouxe 165 famílias de japoneses. Porém, com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, ao lado dos aliados, declarando guerra aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), a imigração foi temporariamente interrompida no decorrer do conflito (1939-1945).

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Primeiros imigrantes japoneses do Brasil           Foto: acervo histórico

mariana oliveira
Historiadora Mariana Oliveira

De acordo com a historiadora, graduada pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Mariana Oliveira, no começo do século XX, o Brasil buscava mão de obra para as lavouras de café, enquanto o Japão passava por um crescimento demográfico e não possuía empregos suficientes. “Foi a união do útil ao agradável. As nações selaram um acordo imigratório denominado “Tratado de Amizade”, iniciando assim, a chegada maciça dos Japoneses ao Brasil”, explica a especialista.

A pesquisadora também revela, que durante os anos da guerra a imigração de japoneses para o Brasil foi proibida e vários atos do governo brasileiro os prejudicaram e a seus descendentes. A maioria dos japoneses trabalhou em plantações de café no interior de São Paulo e posteriormente no norte do Paraná, explicando o grande número de comunidades em Sampa. “Um bom exemplo é o bairro da Liberdade que reuni culinária, música, religião e festividades da cultura japonesa, unindo milhares nikkeis (cidadãos brasileiros com descendência japonesa), atraindo turistas do mundo inteiro”, lembra Mariana. Clique aqui e saiba mais sobre a influência japonesa no Brasil