Casos de intolerância religiosa preocupam os brasileiros


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Ser intolerante religioso é renegar outras culturas

Estátuas de Orixás quebradas na Prainha do Lago Paranoá (DF), templos de umbanda e candomblé destruídos no Mato Grosso, Mesquita muçulmana invadida e revirada em Brasília, pastores quebrando imagens de santos em São Paulo, estátua de São Sebastião no Rio de Janeiro pichada no dia de homenagem ao santo. Nos últimos anos, os casos de intolerância religiosa têm se tornado comuns. Essa situação é preocupante, pois evidencia o ódio e o desrespeito ao próximo.

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Geovana Ribeiro      Fotos: divulgação

O que leva uma pessoa a agir de forma tão extrema? Muitos podem ser os motivos. Entretanto, enfrentar o fanatismo religioso de alguns sem perder a paz interior é um grande exercício de diplomacia, equilíbrio e amor ao próximo.

Você já imaginou o mundo em que vivemos sem religião? Bem, os maiores pensadores da história defenderam a tese de que a ela é importante não somente para o entendimento metafísico, como também para a percepção social do ser humano.

Platão, por exemplo, acreditava que eliminá-la seria o mesmo que destruir todo e qualquer fundamento da sociedade humana. Já Albert Einstein afirmava que “a ciência sem a religião seria aleijada. E a mesma, sem a ciência, é cega”.

Na opinião do gerente, Moisés José do Nascimento, do Rio de Janeiro (RJ), o ser humano tem dentro de si a essência do Criador. Por esse motivo inventou varias religiões na sua busca inconsciente por Deus. “Neste processo se mistificou e se afastou da razão e da compreensão de que o amor ao próximo e a vida moral sem extremismos dogmáticos é o caminho mais certo para se chegar a Deus”, acredita o cristocentrico.

A professora Katherine Rocha Batista, de Itororó (BA), acredita que a religião é o sentido de existência do ser humano, pois estabelece uma conexão com Deus. “Ela nos encaminha para a prática do bem, da caridade e do amor ao próximo”, declara a católica praticante.

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Moisés Nascimento

Já a universitária Geovana Ribeiro, de Itapé (BA), afirma que é evangélica sem religiosidade.  Segundo ela, a religião tem a função de nos auxiliar a conviver melhor com os problemas emocionais, psíquicos, espirituais e até mesmo físicos.

O estudante Jeováh Souza, de Itapé (BA), acredita que a religião tem o poder de moldar e até mudar o caráter dos seres humanos. “Ela só não transforma a pessoa se esta não se deixa renovar”, garante o evangélico. Saiba mais: O amor ao próximo é a “arma” contra a intolerância

O amor ao próximo é a “arma” contra a intolerância


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As denúncias de discriminação religiosa são recebidas através do Disque 100 (Disque Direitos Humanos). Segundo informações da Secretaria Especial de Direitos Humanos, órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Cidadania, o número de ocorrências desse tipo aumentou 3.706% nos últimos cinco anos. As religiões africanas são, em grande parte, os principais alvos.

A estudante e evangélica Juliany Fernandes, do Rio de Janeiro (RJ), lamenta que fatos assim ocorram. “Há pessoas que não sabem respeitar a maneira como cada um é. Se você sabe que alguém faz algo errado deve alertar, mas não perturbar com o assunto toda a hora”, ensina. Na opinião de Juliany, há pessoas que se utilizam da religião pra criticar o próximo e o correto não é isso.

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Katherine Rocha

Katherine acredita que esses atritos entre as religiões ocorram em parte pela competitividade no campo financeiro. “Nós brasileiros ainda pecamos por não saber respeitar a liberdade do outro”, lamenta. A professora pede mais rigor das autoridades nas punições aos infratores. “A Constituição Federal prevê a liberdade de culto religioso. Então, para que essas infrações não voltem a ocorrer, é importante punir de forma rigorosa esses infratores”, exige.

Moisés destaca que o Brasil é um país extremamente religioso e desde sua colonização católica foi sectário e avesso a outros tipos de crenças. Ele acredita que com a liberdade de culto conquistada nos dias atuais, essa realidade não se modificou. “Se deixa de enxergar o ser humano por trás da ideia ou fanatismo religioso que o motiva, para se atacar ou ser intolerante com sua crença. Na verdade, esquecemos que Jesus foi revolucionário nesse aspecto e trocou a intolerância pelo amor e a discussão de ideias religiosas vazias por exemplos éticos morais”, ressalta.

O católico Agostinho Bezerra, Guto, de Brasília (DF), não percebe conflitos religiosos no Brasil. “Se esses problemas existem, as lideranças devem tomar as rédeas e passar o entendimento do respeito”. Guto alerta que Deus é o centro, e as formas de reverenciá-lo devem ser respeitadas. “Desde que não firam os bons costumes”.

A dona de casa, Amanda Santos, do Rio de Janeiro (RJ), já teve problemas relacionados à intolerância. “Minha família toda é de evangélicos e não aceitam que eu tenha adotado o espiritismo”, conta. Amanda declara que já foi umbandista durante anos, mas atualmente aderiu ao Kardecismo. “Sou vista como a ovelha negra e filha do “capeta” por eles, que já tentaram até me exorcizar, para espantar os demônios do meu corpo. Nem ligo para isso. Faço o evangelho do lar e sigo com a prática da caridade e do amor ao próximo”, revela. Amanda conta que a escolha pelo espiritismo se deve ao fato do mesmo ter dado a ela as respostas que tanto procurava. “Faz alguns anos que passei por uma grande tragédia e só obtive o conforto de que precisava para atender e aceitar aquela situação através da doutrina” garante.

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Guto Bezerra

Geovana acredita que as pessoas não estão respeitando o espaço e a opinião do outro. “Eles se utilizam de uma forma ignorante para expor essa não aceitação”, lamenta. Ela afirma que não vivencia problemas desse tipo. “Sempre tive muito respeito com as escolhas dos outros e exijo o mesmo em relação a mim”, alerta.

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Jeováh Souza

Jeováh aconselha que, mesmo não aceitando a religiosidade do outro, é necessário que haja respeito mutuo. “É necessário que as pessoas conheçam melhor a forma de adoração ou de cultuar de cada pessoa”, declara o baiano.

Respeito e tolerância são as palavras chaves para lidar com essa situação. Moises acredita que a aceitação das pessoas e as suas próprias verdades deve ser um bom principio cristão. “A minha própria verdade deve ser tão humilde e sensata expressão de um verdadeiro exemplo de vida que conquiste sem coerção”, finaliza.