Manifestações contra Bolsonaro se espalharam pelo Brasil


Marcelo Carvalho

Ato contou com a participação de lideranças de partidos como PT, PSOL, PC do B, Rede, PDT e PSDB, que discursaram. Entre as reivindicações o destaque ficou para o impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Talvez houve críticas a alta dos preços dos alimentos e dos combustíveis. Além das denúncias de de corrupção envolvendo a atuação do governo durante a pandemia de Covid-19.

No Rio de Janeiro, a concentração ocorreu na Cinelândia. Foto: divulgação

Bill de Blasio critica postura de Bolsonaro em Nova York


O prefeito de Nova York declarou “se o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, não quer se vacinar contra a Covid-19, que “não incomode vindo” à cidade americana”.

Marcelo Carvalho

Prefeito de Nova York, o democrata Bill de Blasio afirmou nesta segunda-feira (20) que, se o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, não quer se vacinar contra a Covid-19, que “não incomode vindo” à cidade americana.
 

A crítica foi feita em meio à viagem do presidente brasileiro aos Estados Unidos para participar da Assembleia-Geral da ONU, onde discursará nesta terça-feira (21). A cidade tentou exigir que chefes de Estado e representações diplomáticas só participem do evento se estiverem vacinados, mas a ONU tem dito que não pode exigir isso dos líderes mundiais.
 

Nova York exige comprovante de vacinação para entrar em centros de eventos e restaurantes –o que resultou na imagem do presidente brasileiro comendo uma pizza na calçada, por exemplo.
 

Nesta segunda, Bill de Blasio elevou o tom e citou Bolsonaro nominalmente. “Nós devemos mandar uma mensagem a todos os líderes mundiais, incluindo, mais notavelmente o presidente do Brasil, Bolsonaro. Quem quer vir precisa estar vacinado. Se você não quer se vacinar, não incomode vindo”, afirmou o prefeito americano.
 

A transmissão oficial da Prefeitura de Nova York ainda colocou uma foto de Bolsonaro com a legenda: “vacine-se”. “Todos devem estar seguros juntos, ou seja, todos devem estar vacinados. A ampla maioria do pessoal das ONU e a ampla maioria dos Estados-membros estão fazendo a coisa certa”, disse o prefeito.
 

De Blasio ressaltou que a cidade instalou um centro móvel de vacinação em frente à sede das Nações Unidas para imunizar os que participarem do evento. “Estamos felizes em vacinar todo mundo para manter esta cidade segura, para manter todo mundo que está envolvido seguro”, disse.
 

Nova York foi um dos locais mais afetados pela Covid-19 nos Estados Unidos, com 34 mil mortes. No pico da doença, em abril do ano passado, a cidade sozinha registrou dias com média de mais de 800 mortes. Com a vacinação em massa e restrições como a exigência de comprovante de vacinação, a cidade conseguiu sobreviver a outras ondas da doença que atingiram os Estados Unidos, inclusive a atual, com o avanço da variante delta, quando o país voltou a registrar mais de 2.000 mortes por dia.
 

Bill de Blasio já teve outros atritos públicos com Bolsonaro. Em 2019, quando o Museu de História Natural dos EUA se recusou a sediar um jantar em homenagem ao brasileiro, De Blasio elogiou a iniciativa e afirmou que o presidente é um “homem perigoso”.
 

Após troca pública de ofensas, o prefeito nova-iorquino afirmou que Bolsonaro “fugiu, nenhuma surpresa, valentões não aguentam um soco. Já vai tarde”.

Governadores propõem reunião com Bolsonaro para reduzir tensão entre poderes


Gestores preparam carta para os chefes da Câmara dos Deputados, do Senado e do STF

Thais Paim

Representantes de 24 estados e do Distrito Federal se reuniram na última segunda-feira (23) e decidiram solicitar uma audiência com o presidente Jair Bolsonaro na tentativa de diminuir a tensão entre poderes. 

A informação foi confirmada pelo coordenador do fórum de governadores e governador do Piauí, Wellington Dias. Três dias antes do encontro, o presidente Jair Bolsonaro pediu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os governadores também informaram que preparam uma carta para os chefes dos Poderes, como da Câmara dos Deputados, do Senado e do STF, para que possam ser marcados encontros com o objetivo de diminuir a instabilidade política, além de avançar em pautas de interesse dos estados.

Explicação e posicionamento 

Após a reunião, Wellington Dias afirmou que os governadores defenderam uma posição única na defesa da democracia, do respeito à Constituição e à lei. Com isso, segundo Dias, a ideia é evitar que os investidores deixem o país.

“O objetivo é demonstrar a importância de o Brasil ter um ambiente de paz, um ambiente de serenidade, um ambiente em que possamos garantir nessa forma de valorização da democracia, da Constituição, da lei, mas, principalmente, criar um ambiente de confiança, que permita a atração de investimentos, a geração de emprego e renda”, disse Dias.

Os representantes também se manifestaram contra uma reforma tributária que gere perda de arrecadação aos estados, e pediram entendimentos para a criação de um consórcio para a gestão de projetos ligados à sustentabilidade do meio ambiente.

Participaram do evento 23 governadores e 2 vice-governadores de 24 estados e do Distrito Federal. Alguns representantes participaram do encontro presencialmente no Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal, mas a maioria optou pelo sistema de videoconferência.

Dos 27 governadores, somente dois não participaram: o do Tocantins, Mauro Carlesse (PSL) e o do Amazonas, Wilson Lima (PSC).

Fonte: G1 

Jair Bolsonaro envia mensagem no WhatsApp sobre “provável e necessário contragolpe”


Informações foram compartilhadas através de uma lista de transmissão

Thais Paim

No último sábado (14), o presidente Jair Bolsonaro encaminhou uma mensagem para uma lista de transmissão no WhatsApp em que fala sobre a necessidade de um “contragolpe” e convoca apoiadores para se manifestarem no dia 7 de setembro. 

Segundo informações, o objetivo  do ato seria para mostrar que ele e as Forças Armadas têm apoio para uma ruptura institucional.

A mensagem foi enviada pelo número pessoal do presidente para diferentes integrantes do governo e amigos. Apesar de não ter o selo de “Encaminhada” com que o WhatsApp marca as mensagens, o texto é assinado por um grupo de Facebook chamado “Ativistas direitas volver”. Na lista de transmissão, estão ministros de Estado, apoiadores e amigos do presidente.

O texto é voltado para as pessoas de direita e orienta sobre posicionamentos que cobram uma postura mais firme do presidente. 

“Atenção direitista sem noção, você mesmo que está falando merdas (sic) como ‘Vamos tomar o poder já que ninguém faz nada’, ‘Bolsonaro tá muito devagar’ ou ‘FFAA não fazem nada’. Faça o favor de ler com atenção o abaixo escrito, compreender as coisas como realmente são e assim passar a nos ajudar e não atrapalhar”, começa o texto, que apresenta na sequência uma série desses comentários.

No trecho mais forte da mensagem, defende-se que o “contingente” da manifestação em 7 de setembro deve ser “absurdamente gigante” para “comprovar e apoiar inclusive intencionalmente” que o presidente e as Forças Armadas têm o apoio necessário para dar um “bastante provável e necessário contragolpe”.

“Hoje, fazer um contragolpe é muito mais difícil e delicado do que naquela época, além do grave aparelhamento acima relatado, temos uma constituição comunista que tirou em grande parte os poderes do Presidente da República e foi por estes motivos que o Presidente Bolsonaro, no início de agosto, em vídeo gravado, pediu para que o povo brasileiro fosse mais uma vez às ruas, na Avenida Paulista, no dia sete de setembro, dar o último aviso, mas, desta vez, ele reforçou que o “contingente” deveria ser absurdamente gigante, ou seja, o tamanho desta manifestação deverá ser o maior já visto na história do país, a ponto de comprovar e apoiar, inclusive internacionalmente, para que dê a ele e às FFAA, para que, em caso de um bastante provável e necessário contragolpe que terão que implementar em breve, diante do grave avanço do golpe já em curso há tempos e que agora avança de forma muito mais agressiva, perpetrado pelo Poder Judiciário, esquerda e todo um aparato, inclusive internacional, de interesses escusos”.

Em outro trecho da mensagem encaminhada por Bolsonaro, lê-se que a manifestação do 7 de setembro, que vem sendo organizada por apoiadores de Bolsonaro, autorizaria o “nosso presidente Jair Bolsonaro juntamente com as nossas honrosas FFAA” a tomarem “as decisões cabíveis para que o Estado democrático de direito seja reestabelecido, o equilíbrio entre os poderes salvaguardado, o cumprimento da Constituição seja imperativo, o respeito à soberania nacional e do povo brasileiro sejam priorizados, a transparência das eleições seja cumprida e o resgate do STF hoje sequestrado por apátridas ocorra”.

Outro trecho da mensagem ressalta uma alegada aliança entre Bolsonaro e as Forças Armadas.

Fonte: Metrópoles 

Encontro de presidente com neta de ministro de Hitler provoca grande repercussão


Jair Bolsonaro posou para foto ao lado da líder da ultradireita alemã

Thais Paim

O encontro entre o presidente Jair Bolsonaro e a líder da ultradireita alemã, Beatrix von Storch, neta de Ludwig Schwerin von Krosigk, que foi ministro das Finanças de Adolf Hitler no regime nazista, tem provocado uma grande polêmica.

A reunião ocorreu na semana passada e, além de Bolsonaro, os deputados federais Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF) também estiveram com a parlamentar alemã.

Sobre a reunião

A parlamentar postou sua foto abraçada com Bolsonaro e Sven von Storch, marido da deputada. Além disso, acrescentou uma mensagem na qual afirma que seu partido quer “fortalecer suas conexões e defender nossos valores cristãos e conservadores em nível internacional”.

Reunião gerou muita polêmica. Foto: divulgação

O partido de Beatrix, o AfD, é conhecido pelo discurso radical anti-imigração e recentemente se alinhou ao discurso negacionista em relação à pandemia. Já a deputada alemã é uma representante da ala ultraconservadora e em 2014 ajudou a levar a legenda, inicialmente uma agremiação eurocética, a adotar posições de extrema direita.

Beatrix von Storch carrega em sua história uma ligação com o nazismo, já que  é neta de Johann Ludwig Schwerin von Krosigk, que serviu como ministro das Finanças de Hitler por mais de 12 anos. Ele foi julgado e condenado pelo Tribunal de Nuremberg.

Críticas ao encontro com nazista

Ainda na semana passada, o Museu do Holocausto, em Curitiba, se manifestou contra o encontro de Beatrix com autoridades brasileiras e afirmou que a AfD é “um partido de extrema direita com tendências racistas, sexistas, islamofóbicas, antissemitas, xenófobas e com um forte discurso anti-imigração”.

“É evidente a preocupação e a inquietude que esta aproximação entre tal figura parlamentar brasileira e Beatrix von Storch representam para os esforços de construção de uma memória coletiva do Holocausto no Brasil e para nossa própria democracia”, disse a organização em nota, referindo-se à deputada Bia Kicis.

O perfil Judeus pela Democracia repudiou o encontro de Bolsonaro com a neta do nazista. “Pela terceira vez em dias a vice-presidente do partido extrema-direita alemão aparece com governistas brasileiros: presidente da CCJ, filho do presidente e agora o presidente do Brasil. Posam sorrindo e citando semelhanças com o partido xenófobo alemão. Sem rodeios: nazistas”, tuitou.

Fonte: Rede Brasil Atual

Bolsonaro determina sigilo de cem anos sobre acesso dos filhos ao Planalto


Informação foi confirmada pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República

Thais Paim

A informação de que o governo impôs sigilo de cem anos sobre informações dos crachás de acesso ao Palácio do Planalto emitidos em nome de Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filhos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), tem repercutido na mídia.

De acordo com documentos públicos enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no mês passado, a Presidência da República informou a existência dos cartões de acesso ao Planalto dos dois filhos do presidente.

 Com essas informações, a revista “Crusoé” solicitou, via Lei de Acesso à Informação (LAI), a “relação de filhos do Presidente da República que possuem ou possuíram cartões de identificação que dão ingresso às leitoras e vias de passagem do Palácio do Planalto e Anexos, acompanhada da respectiva data de emissão e de devolução do cartão de acesso entre 2003 e 2021”.

Jair Bolsonaro em mais uma polêmica. Foto: divulgação

Resposta e posicionamento do governo

A Secretaria-Geral da Presidência respondeu e determinou sigilo às informações. A secretaria alegou que as informações solicitadas dizem respeito “à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem dos familiares do Senhor Presidente da República, que são protegidas com restrição de acesso, nos termos do artigo 31 da Lei nº 12.527, de 2011″.

O dispositivo citado é o que impõe sigilo de cem anos para acesso público às informações: “as informações pessoais, a que se refere este artigo, relativas à intimidade, vida privada, honra e imagem terão seu acesso restrito, independentemente de classificação de sigilo e pelo prazo máximo de 100 (cem) anos a contar da sua data de produção, a agentes públicos legalmente autorizados e à pessoa a que elas se referirem”.

Nota

Em nota divulgada neste domingo (1º), a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República disse que a Lei de Acesso à Informação é quem “impõe o prazo máximo de 100 anos para restrição de acesso a informações pessoais de qualquer cidadão brasileiro”.

“A SECOM esclarece que a Lei prevê que o tratamento de informações pessoais deve ser feito de forma transparente e com respeito à intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas”, diz a Secom em nota.

Fonte: G1

Governo Bolsonaro gastou 1,8 Bilhões de reais em compra de alimentos


Oposição faz críticas e denuncia suspeita de desvio de dinheiro

André Lucas

PSOL pede que a Procuradoria Geral da República investigue gastos de 1,8 bilhões de reais com bebidas e comidas do Planalto. O deputado David Miranda, fez o pedido após perceber que os gastos eram exuberantes, principalmente durante uma pandemia.  

O parlamentar solicita que o órgão apure os fatos e responsabilize o presidente Jair Bolsonaro. Também assinam o documento as deputadas Sâmia Bomfim (PSOL-SP), Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Vivi Reis (PSOL-PA).  

O levantamento foi feito pelo jornal Metrópoles, que apurou os números no portal de compras do ministério da economia e divulgou na última semana.  

“Bolsonaro gastou mais de 1 bilhão 800 milhões de reais no mercado. Isso só em 2020. O Brasil não estava quebrado? Quantos cilindros de oxigênio esse valor compraria? Isso é lavagem? Superfaturamento?”, disse o deputado David Miranda ao jornal Folha de São Paulo. 

Ainda é importante ressaltar que os dados de gastos do Planalto não estão inclusos, os maiores montantes de gastos são da defesa e da educação. 

Mas além dos valores, os produtos também chamaram a atenção. Entre os itens adquiridos, estão mais de R$15 milhões com leite condensado e R$2,2 milhões gastos com goma de mascar.

A informação virou piada nas redes sociais já que o pão com leite condensado é uma das receitas preferidas do presidente Jair Bolsonaro. 

Políticos da oposição criticam os gastos altos em pleno ano de pandemia, o ex-deputado Ciro Gomes disse que entrará na justiça. “Entrarei na justiça para pedir explicações sobre os gastos absurdos do Bolsonaro! Mais de R$15 milhões em Leite Condensado e Chiclete com dinheiro público? Isso é corrupção!” 

A deputada federal Joice Hasselmann calculou que o governo federal teria gastado 7,6 mil latas de leite condensado por dia no ano passado. “O Brasil já teve ladrões de todo tipo na presidência. Já teve ladrão de galinha, de triplex, de Petrobras…Mas não é que o que mais tá metendo a mão no nosso bolso ficará conhecido como “ladrão de leite condensado”?!

Guilherme Boulos, candidato a prefeito de São Paulo, também questionou os números e apontou para a possibilidade de esquema de corrupção. “Os números são gritantes e revelam um evidente esquema de corrupção. Mesmo com todos os privilégios, é impensável que o governo federal consuma 7.200 latas de leite condenado por dia”.   

Manuela D’Vila foi mais insinuante e ainda criticou a extinção do auxílio por falta de dinheiro, enquanto o presidente gasta dezenas de milhões com alimentos como leite condensado e chiclete, “Bolsonaro nega ao povo brasileiro o auxílio emergencial de R$ 600 enquanto gasta R$ 16,5 milhões com batata frita embalada, R$ 15,6 milhões com leite condensado, R$ 13,4 milhões com barra de cereal, R$ 12,4 milhões com ervilha em conserva e, acreditem, R$ 2,2 milhões com chiclete.” 

O Ministério da defesa explicou que os gastos são com as tropas de 370 mil pessoas que são alimentadas todos os dias em nota o órgão lembrou que de acordo com o Estatuto dos Militares, Lei nº 6.880/80, a alimentação é direito assegurado ao militar, assim como as refeições fornecidas aos funcionários em atividade. 

“… Assim, cumprem ações que requerem, em grande parte, atividades físicas ou jornadas de até 24 horas em escalas de serviço, demandando energia e propriedades nutricionais que devem ser atendidas para a manutenção da eficiência operacional e administrativa com a disponibilização de uma dieta adequada…” , diz a nota

O Impeachment de Bolsonaro ganha força


Carreatas de esquerda e direita em 15 capitais diferentes pedem o impedimento do presidente

André Lucas

Os pedidos de  impeachment do Presidente Jair Bolsonaro que começou  nas redes sociais, foi para as ruas do país inteiro, no último sábado, dia 23 de janeiro, manifestações de esquerda e direita  espalhadas em 15 capitais e diversas cidades brasileiras, aumentaram a pressão no congresso para votar o impedimento do Presidente da República.  

Por conta da pandemia, as manifestações foram diferentes das tradicionais marchas em vias principais, o ato aconteceu em carreatas, as pessoas colocavam bandeiras nas janelas dos carros e buzinavam. 

A algumas semana o impeachment ganha força e espaço na internet, a hashtag #ForaBolsonaro ficou entre os principais assuntos do país,  insatisfação com o atual governo só aumentou dos últimos seis meses para cá. 

Os grupos políticos Povo Sem Medo, Fórum Pelos Direitos e Liberdades Democráticas e o Acredito influenciaram as carreatas no sábado em Belém, Maceió, Salvador, João Pessoa, Teresina, Recife, Fortaleza, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília, Campo Grande, Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis, além de outras cidades ao redor do Brasil.  

O que chama muita atenção para as manifestações deste ano são os movimentos de lados completamente opostos irem às ruas juntos com o mesmo objetivo. O MBL por exemplo, que apoiou a campanha de Bolsonaro, participou do ato. 

 No domingo, dia 24 de janeiro, cerca de 300 pessoas invadiram a Praça dos três poderes e fizeram uma concentração no local. De máscara e respeitando o distanciamento social, os manifestantes usaram cartazes que faziam críticas à má conduta do governo federal no combate contra a pandemia. 

Os movimentos como o vem pra rua e MBL, fizeram manifestações em 2016 e derrubaram Dilma Rousseff, hoje repetem o ato e com o mesmo objetivo, só que dessa vez o alvo é outro. 

Com suas tradicionais camisas verdes e amarela, os militantes de direita denunciavam o despreparo e má vontade política para combater o coronavírus, o repúdio e desrespeito aos familiares das vítimas fatais ao minimizar a pandemia, a campanha em defesa de medicamentos sem comprovação científica como a cloroquina e o envolvimento de pessoas próximas em casos de corrupção, como o filho Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz.  

A luta contra a corrupção era uma das principais bandeiras dos grupos de direita que apoiavam o governo atual.  um dos argumentos para defender a derrubada de Dilma, e para sustentar o “antipetismo”, vital para a Vitória do candidato de direita. 

Com o envolvimento do filho Flávio em “rachadinha” com Fabrício Queiroz, o outro filho Carlos  envolvido com funcionários fantasmas, e os 89 mil na conta bancária da esposa (tudo investigado pelo MP), o presidente vê sua imagem manchada pela corrupção. 

Os pedidos de impeachment no congresso

Ao todo já existem 61 pedidos de impeachment protocolados, esperando apenas que o presidente da Câmara coloque a pauta para ser votada entre os parlamentares. Semana que vem, dia 1° de fevereiro, é o dia das eleições na Câmara dos deputados federais, que podem ser definitivas para decidir se o Impedimento vai para a pauta ou não. 

Arthur Lira é o candidato do Presidente da República para ficar na cadeira, caso ganhe é provável que não permita que a matéria entre em pauta, e salve o atual presidente de perder o cargo. Do outro lado Baleia Rossi já prometeu que caso vença as eleições na Câmara, vai analisar os pedidos com “equilíbrio”, e ainda criticou seu oponente, “ será que ele vai engavetar os pedidos sem cumprir o seu papel ? “.  

Enquanto o impedimento não progride, a Hashtag #ForaBolsonaro continua em alta, a pressão no congresso aumenta, e segundo muitas pesquisas feita neste fim de semana como por exemplo Atlas e Datafolha, mostram que cerca de 47,5% do povo é a favor. 

Atritos com Índia e China atrapalham importação da vacina.


MRE e diplomatas estão trabalhando para resolver os impasses

André Lucas

Um grande esforço está sendo feito no Itamaraty para “resolver” os atritos criados pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, com os líderes da China e Índia, em relação à vacina e aos insumos. 

Embaixadores que acompanham de perto as negociações dizem que o Brasil errou demais na comunicação. A análise no MRE ( Ministério das Relações Exteriores) concluiu que o governo brasileiro fez muito anúncio sem estar com o produto. 

 Apesar de o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, ser considerado da chamada ala ideológica do governo, ele tenta estabelecer uma parceria entre os países para que a vacina possa chegar ao Brasil nos “ próximos dias”. 

Apesar do esforço de Araújo, os dois embaixadores de cada um dos países estão sendo considerados os principais representantes do país nas conversas sobre o impasse. 

Vacina indiana

No caso da Índia, o diplomata André Aranha Corrêa do Lago tem chegado a um entendimento e afirmou às autoridades brasileiras que acredita no fim do impasse, ou seja na entrega das duas milhões de doses das vacinas já adquiridas pelo Brasil. A instrução do diplomata é não anunciar nada enquanto não estiver com a vacina para não repetir o mesmo erro. 

Na China o problema é mais complexo, além dos esforços internos e comerciais, ainda existe um trabalho para melhorar a relação entre o governo de Pequim e o governo de Jair Bolsonaro.  

Diplomacia brasileira entra em ação

O embaixador do Brasil em Pequim, Paulo Estivallet de Mesquita, conversa com os líderes chineses para quebrar o bloqueio das importações dos IFAs (Ingrediente Farmacêutico ativo) que serão usados para a fabricação das vacinas contra o Covid 19. 

Diplomatas dizem que as turbulência são por causa do Bolsonaro e sua conduta ofensiva contra os chineses, e também por seus apoiadores, principalmente da área ideológica que já acusaram a China de ser culpada pelo covid 19, e também insinuou que a China faria uma vacina insegura propositalmente. 

O que os diplomatas fazem é tentar separar a postura do Governo Federal e as relações entre Diplomatas que atuam na negociação. Evitando assim que o Governo de Pequim direcione ofensivas aos representantes brasileiros por frases erradas do Presidente. 

Nesta terça-feira, dia 19 de Janeiro, a OMC (Organização Mundial do Comércio, o representante da Índia foi claro e disse que estamos todos vivendo um grande pesadelo, o mundo estar em um impasse, Não tem vacina suficiente para todo mundo. 

O Brasil comprou sua vacina da Oxford/AstraZeneca. Mas o produto é fabricado na Índia. O problema é que, com um governo nacionalista, Nova Déli dificultou a exportação dos imunizantes para permitir que sua campanha de vacinação fosse iniciada. 

Além disso, os Indianos anunciaram que vão distribuir a Vacina Primeiramente para seus aliados e vizinhos na região, uma jogada geopolítica muito bem planejada. 

Nova Déli ainda colocou dúvidas sobre a capacidade do mecanismo da OMS (Organização Mundial da Saúde) de distribuir vacinas para poder ser uma solução.  

O projeto de democratizar vacinas conta com uma forte rejeição por parte dos países ricos, detentores das patentes. 

O Brasil, desde o começo do projeto, foi o único país em desenvolvimento a declarar abertamente que era contra a proposta, abandonando anos de liderança internacional para garantir o acesso a remédios aos países mais pobres. 

Há 20 anos, foi a ação internacional do Brasil que levou a OMC a estabelecer regras para permitir um maior acesso a remédios. Naquele momento, a luta era para enfrentar a aids.

STF emite nota desmentindo Bolsonaro


No texto o supremo esclarece que não proibiu nenhuma medida do governo federal contra a covid 19

André Lucas

O STF informou, na última segunda-feira, que é mentira que é mentira que o supremo tenha vetado as ações de Bolsonaro contra a covid 19. 

Em nota, o STF informa que “não é verdadeira a afirmação que circula em redes sociais” nesse sentido. Apoiadores do governo, além do próprio presidente Jair Bolsonaro, vêm fazendo afirmações do tipo para rebater cobranças sobre a atuação da União no combate à pandemia. 

Desde que o STF analisou ações que discutiam a competência de estados e municípios para tomar providências para combater a Covid-19, no ano passado, o presidente Bolsonaro tem dito que foi impedido pelo tribunal de tomar ações mais efetivas contra a pandemia. A alegação também tem sido veiculada por parlamentares bolsonaristas e apoiadores do presidente.

Na última semana, quando a crise do oxigênio em Manaus se acentuou, o presidente voltou a usar o argumento. Em uma entrevista à Rádio Jovem Pan, voltou a dizer que as decisões do STF o impedem de tomar outras providências contra a pandemia. 

Na entrevista o presidente da República Jair Bolsonaro, diz que o aumento de casos em Manaus tem relações com a temperatura na região, e que apesar do STF o governo estar focado em atuar na recuperação do sistema de saúde da região, e estar enviando cilindro de oxigênio.  

Na rede bandeirante o presidente deu entrevista ao Datena na última sexta feira dia 15 de janeiro, o presidente disse , “Vou repetir aqui: que moral tem João Doria e Rodrigo Maia em falar em impeachment se eu fui impedido pelo STF de fazer qualquer ação contra a pandemia?”  

O discurso do presidente reverberou na sua base. Diante da discussão sobre o colapso de saúde em Manaus na semana passada, bolsonaristas passaram a eximir o presidente de culpa sob o argumento de que o Supremo o proibiu de agir contra a doença.

O STF, porém, afirma que esse discurso não é verdadeiro. Na nota, a corte menciona “afirmação que circula nas redes sociais” sobre o tema. 

A decisão descrita por Bolsonaro como medida que proíbe o governo federal de agir, na verdade apenas permite que estados e municípios possam tomar decisões de forma autônoma, na luta contra o covid 19. 

Na prática isso não interfere em nada nas decisões vindas do Planalto, que continua tendo sua autoridade intacta como um dos três poderes fundamentais para a existência da república e democracia.