Crivela denunciado pelo Ministério Público Eleitoral


O Prefeito em exercício até Janeiro, pode perder seus direitos políticos e ficar inelegível por oito anos

André Lucas

Nessa quarta feira, dia 16 de dezembro, o ministério público eleitoral (MPE)  denunciou o Prefeito Marcelo Crivela e mais duas pessoas pelo caso dos guardiões de Crivela. O fato ficou conhecido numa reportagem da Globo na televisão que detalhou como o esquema funcionava. No decorrer do ano outras reportagens de outros meios de comunicação eram publicadas e o caso ia ganhando forma. O caso foi usado ate na eleição contra o prefeito que acabou perdendo para Eduardo Paes que assume no começo do ano que vem.

 Marcelo Crivella (Republicanos), a candidata à vice em sua chapa, Andrea Firmo, e Marcos Paulo de Oliveira Luciano, assessor especial da prefeitura do Rio, esses são os três denunciados e acusados de serem os líderes do grupo dos guardiões.

O órgão acusa os três de abuso de poder político, conduta vedada prevista na Lei Eleitoral e pede que eles sejam declarados inelegíveis por oito anos e paguem multa.

Os “ guardiões do Crivela” era um grande grupo formado por funcionários públicos que recebiam cerca de R$4 mil para ficar na frente de hospitais públicos, com o intuito de dificultar a produção de reportagens.

Os “guardiões do Crivella”, funcionários públicos que ficavam na frente de hospitais públicos, com o intuito de dificultar a produção de reportagens. Fotos: divulgação

Naquele momento a cidade do Rio de Janeiro vivia um momento critico de caos na saúde pública. Leitos lotados, filas, falta de aparelhos, hospitais de campanha de faixada (essa denúncia é contra o ex governador não o prefeito), entre outros problemas que a cidade vivia, em relação aos hospitais.

O prefeito via essas denúncias nas manchetes de jornais como uma grande inimiga. Em ano de eleições, ter esse tipo de denúncia na televisão e jornais seria um grande problema. Daí, Crivella decidiu impedir que essas denúncias continuassem, e assim nasce os “guardiões”.

Os funcionários públicos que recebiam para isso tinha o dever de impedir as gravações e entrevistas. Quando os repórteres começavam a trabalhar os guardiões gritavam, xingavam e tentavam expulsar os agentes da imprensa. Até um certo ponto o plano de Crivela dava certo, os vídeos das pessoas gritando e xingando com repórteres da Globo faziam muito sucesso entre apoiadores, além de incentivar que eles também fizessem isso. Porém quando a Rede Globo de televisão descobriu e noticiou a popularidade do prefeito despencou. Nas eleições candidato do PSL Luiz Lima atacou o Crivela dizendo que “dinheiro para os hospitais não tem, mais para gastar 4 mil com guardiões…”

Em apuração do jornal O Globo – O promotor Rogério Pacheco Alves declaro que durante este ano – mais intensamente na pandemia – funcionários públicos foram designados para impedir ou dificultar reclamações e a realização de reportagens sobre a situação precária da saúde municipal.

Na denúncia, o MPE aponta que Crivella participou de pelo menos um dos grupos e que teve “a oportunidade de tomar parte das conversas e acompanhar os relatórios publicados pelos funcionários”.. 

O MPE denunciou os envolvidos e pediu a suspensão dos direitos políticos de Crivela. O prefeito pode ficar ate oito anos inelegível, ou seja, sem poder concorrer a cargos públicos.  Qualquer atualização do caso, você encontra aqui no Carvalho News (CN).

Thais Oyama garante que Wassef ameaçou jornalista Lauro Jardim de sequestro


A jornalista Thais Oyama revelou que foi o advogado Frederick Wassef, agora ex-advogado de Flávio Bolsonaro, quem ameaçou de sequestro o jornalista Lauro Jardim, de O Globo. A declaração foi feita  em programa da rádio Jovem Pan. O episódio já havia sido revelado pelo ex-ministro Gustavo Bebbiano, mas sem nomear quem teria ameaçado o jornalista.

De acordo com Oyama, Wassef foi informado por dirigentes do diário conservador carioca que só deveria se comunicar com Jardim através de advogados. Segundo a jornalista, Wassef é “mercurial” e não gosta de ser contrariado. Wassef é amigo íntimo do presidente Jair Bolsonaro.

O ex-advogado da família Bolsonaro Frederick Wassef. Fotos: divulgação
O ex-advogado da família Bolsonaro Frederick Wassef. Fotos: divulgação

Uma empresa ligada à ex-mulher dele, Cristina Boner Leo, tem contratos de R$ 41,6 milhões com o governo federal, sendo R$ 12,5 milhões com o Ministério da Educação de Abraham Weintraub.

De acordo com Oyama (ver vídeo), Wassef fica extremamente incomodado quando se diz que ele foi ouvido como testemunha num processo contra uma suposta seita satânica do Paraná, que ele frequentou.

A seita foi investigada pelo sumiço de uma criança.

Afastado da defesa de Flávio, Wassef ainda não conseguiu explicar como Fabrício Queiroz foi parar na casa do advogado em Atibaia, apesar de ter dado várias entrevistas.

É possível que ele deixe de frequentar os Palácios da Alvorada e do Planalto — criando uma situação que pode transformá-lo em homem bomba para o clã Bolsonoro, se for desprezado e eventualmente acusado de algum crime.