Intelectuais judeus acusam governo Bolsonaro de nazismo


Manifesto não é o primeiro direcionado ao presidente

Thais Paim

Apesar das polêmicas recentes, não é a primeira vez que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se envolve em críticas relacionadas ao seu posicionamento e afinidade com os ideais nazistas. O presidente foi alvo no mês de maio de mais um manifesto contrário ao governo dele.

Por meio de uma carta, assinada por 230 profissionais e intelectuais judeus, o presidente é apontado no texto com “fortes inclinações nazistas e fascistas’”. “É preciso chamar as coisas pelo nome”, afirma o documento.

Os termos usados e relacionados ao nazismo e ao holocausto em alusão ao governo de Bolsonaro – não referendados por entidades judaicas -, tem lugar nesse documento assinado pelos profissionais e intelectuais judeus por que, conforme a carta, “é chegada a hora de nós, intelectuais, livres-pensadores, judeus e judias progressistas, descendentes das maiores vítimas do regime nazista, nos posicionarmos, como atores sociais diante do debate público, sobre o atual momento nacional”.

O texto também destaca que “é perceptível que o governo encabeçado por Jair Bolsonaro tem fortes inclinações nazistas e fascistas”.

Confira a carta na íntegra:

“É preciso chamar as coisas pelo nome. É chegada a hora de nós, intelectuais, livres-pensadores, judeus e judias progressistas, descendentes das maiores vitimas do regime nazista, posicionarmos, como atores sociais diante do debate público sobre o atual momento nacional. É perceptível que o governo encabeçado por Jair Bolsonaro tem fortes inclinações nazistas e fascistas. É preciso chamar as coisas pelo nome. Perspectivas conspiratórias e antidemocráticas produzem, tal qual o fascismo e o nazismo, inimigos e aliados imaginários. Se não judeus, como o caso do Terceiro Reich, esquerdistas; se não ciganos, cientistas; se não comunistas, como na Itália fascista, feministas. A ideia de uma luta constante contra ameaças fantasmagóricas continua. Porém há mais. As reiteradas reportações racistas e nazistas do governo B olsonaro, o uso de símbolos fascistas e referência à extrema-direita não podem deixar dúvidas. O projeto de poder avança. Genocídio, destruição das estruturas democráticas do Estado e práticas eugênicas estão escancaradas. Cabe a nós brasileiros e brasileiras impedir que cheguemos a uma tragédia maior. O Fora Bolsonaro deve ser o chamado uníssono da hora. É o chamado contra o genocídio.”

Fonte: Estado de Minas