Itapé: oficina literária terá a participação do escritor Kalunga


A Escola Pingo de Gente promoverá uma oficina de Poesia e Musicalização Infantil, com a participação do poeta e escritor gaúcho, Carlos Heráclito Mello Neves, o Kalunga. Destinado a professores, estudantes e demais profissionais da Educação. O evento, que recebeu o nome de ‘Cantando e Recontando a Literatura Infantil’, será realizado, no dia 09 de junho, das 8h30min às 11h30 min, na Pingo, localizada à Rua Feliciano Santos nº 101 – Centro – Itapé.

As inscrições devem ser realizadas através do e-mail: [email protected]. O valor do ingresso é de R$25,00. Maiores informações podem ser obtidas através do Whatsapp:( 73) 98851-2429.

Escritora Cláudia Stocker


Os especialistas são praticamente unânimes ao afirmar que a leitura traz inúmeros benefícios à saúde dos seres humanos. Entre eles podemos destacar a ativação da memória e o alívio do estresse. Ler também nos possibilita adquirir novos conhecimentos. Na contra mão de tudo isso nos chega a informação de que uma parcela significativa de brasileiros não sabe ler. Por que em pleno século XXI isso ainda ocorre? O que pode ser feito para reverter esse panorama? A reportagem do Blog Carvalho News decidiu ouvir a escritora Cláudia Teresinha Stocker, autora do livro “O Incentivo à Leitura – Através da Arte de Contar Histórias”, que falou sobre a importância da figura dos responsáveis para despertar o interesse pela leitura nas crianças e adolescentes, bem como, sobre o Projeto #Eu Leio. Cláudia é formada em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade Tiradentes em Aracaju/Se. Pós-graduada em Gestão da Informação pela Universidade Federal de Sergipe e em Educação, Artes, Estética e Museus pela Faculdade Pio Décimo – Aracaju/Se. A escritora é Vice-Presidente da Associação Profissional dos Bibliotecários e Documentalistas de Sergipe – APBDSE. E, atualmente, está na direção da Biblioteca Pública Infantil em Aracaju onde desenvolve atividades de incentivo a leitura junto a comunidade.Ficou curioso (a)? Então aceite o nosso convite e leia essa entrevista.

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Cláudia Stocker Foto: divulgação

Blog Carvalho News – Por que o brasileiro não gosta de ler?

Cláudia Stocker – A Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil em sua 4.ª edição (2015) apontou que 44% da população brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro. Se em 2011 os leitores representavam 50% da população, em 2015 eles passaram a 56%, o que ainda é pouco. O índice de leitura indica que o brasileiro lê apenas 4,96 livros por ano. Portanto, a questão de gostar ou não de ler depende de muitos fatores. As pessoas não leem por falta de interesse, falta de tempo para se dedicar a leitura, alto preço dos livros no Brasil, falta de incentivo, seja em casa ou na escola, e até mesmo pelo não acesso ao livro.

CN – Qual importância das HQs na criação do hábito da leitura nas crianças?

Cláudia Stocker – Incentivar a leitura no público infantil tem sido um desafio diante de tantas opções de lazer e entretenimento nos dias atuais. Os HQ´s sempre atraíram a atenção de leitores e são usados como estratégia para incentivar a leitura em qualquer idade. Não há quem não se divirta ao ler quadrinhos. Os Famosos Tio Patinhas, Pato Donald e demais personagens da Disney, encantaram diversas gerações de leitores de Gibis. Depois veio a Turma da Monica, super-heróis e hoje em dia os Mangás japoneses. Incluir o Gibi como fonte literária para as crianças é muito importante por ser uma literatura de fácil entendimento e divertida e desta forma, a criança pode despertar o gosto pelos demais gêneros literários.

CN – O que a motivou a escrever O Incentivo à Leitura – Através da Arte de Contar Histórias?

Cláudia Stocker – O que me motivou a escrever foi a vivência com a temática, pois como eu estava trabalhando projetos de incentivo à leitura, sempre me deparava com questionamentos a respeito. O Incentivo a Leitura através da arte de contar histórias foi tema de meu TCC de Pós-graduação. O trabalho ficou muito bom e resolvi transformá-lo em livro para compartilhar com as pessoas a minha experiência, já que cito na obra os projetos desenvolvidos e bem-sucedidos no segmento da biblioteca infantil. A contação de histórias tem feito parte do meu fazer profissional a mais de 10 anos, por isto a motivação em escrever sobre o assunto.

 

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CN – Como pais e responsáveis podem despertar em jovens e crianças o gosto pela leitura?

Cláudia Stocker – É importantíssimo que a criança já tenha contato com a leitura desde o ventre materno, ou seja, contar histórias ou ler para o bebê ainda na barriga, já é um bom início. E como querer ter filhos leitores se em casa não se tem pais leitores? A criança tem nos pais um espelho e exemplo, portanto ver os pais lendo um livro, um jornal ou revista, já incentiva a criança a fazer o mesmo. Assim como ler em família, ter um momento para sentar com a criança e ler para ele, contar uma história, se divertir com a literatura.

CN – Como os professores e demais profissionais de educação podem auxiliar os estudantes a despertarem o gosto pela leitura?

Cláudia Stocker – A iniciação se dá em casa, em família, mas continua na escola. Só que a leitura na escola deve ser prazerosa e não obrigatória e imposta. Sou contra esta palavra de “Leitura Obrigatória”, os livros que a escola escolhe para serem lidos no decorrer do ano. Nada que seja obrigado é prazeroso, portanto, a leitura deve ser de livre escolha para que se crie o hábito e o gosto. Ou se não, estaremos afastando os estudantes da leitura. Eles já precisam ler os livros didáticos para aprender as matérias. Se impormos os livros literários também…o que esperar? Cada pessoa tem seu gosto e estilo literário e isso deveria ser respeitado nas escolas.

CN – Existe alguma forma de tornar o ambiente de uma biblioteca mais convidativo?

Cláudia Stocker – A biblioteca de hoje não é vista mais como um lugar de extremo silêncio onde só se estuda e pesquisa. A Biblioteca hoje é um espaço multicultural que dialoga com as diversas linguagens: música, dança, artes, teatro, etc… Deve ser um espaço atrativo e dinâmico onde as pessoas se encontram e compartilham informações e conhecimentos. Portanto oferecer a comunidade diversos serviços e atrações que vão além da pesquisa e estudo (saraus, contações de histórias, oficinas temáticas, cursos, palestras, exposições, entre outros), pode atrair mais usuários.

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Projeto #Eu Leio Foto: divulgação

CN – Fale-nos sobre o Projeto #Eu Leio.

Cláudia Stocker – O Projeto #EuLeio! é um projeto iniciado em Sergipe em parceria com a Rede Ler e Compartilhar (Maceió), programa de circulação de acervos, formação de leitores e orientação para mediação literária por meio de ações colaborativas de circulação de acervos que pretende levar centenas de títulos infanto-juvenis para escolas públicas. Em Sergipe O projeto #EULEIO!, teve acervos doados pela Rede Ler e Compartilhar, e em abril iniciou sua circulação em 6 escolas públicas por meio de sacolas literárias (com 35 livros) que ficarão por 6 meses nas escolas para leitura dos alunos. Depois as sacolas serão trocadas e assim, os alunos terão uma grande variedade de títulos para lerem.

O projeto que tem a escritora Claudia Lins (Maceió) como coordenadora geral, aposta no poder dos livros e da mediação literária orientada como um potencial ilimitado para a transformação social e o acesso à cidadania, desta forma, acredita-se que é possível formar uma grande teia de incentivo à leitura em nosso imenso Brasil, unindo pessoas físicas e empresas em torno de um objetivo: criar ou dinamizar espaços e projetos de leitura beneficiando pessoas e instituições que desejem promover a cultura literária em suas comunidades. Aqui em Sergipe o projeto está sob minha coordenação através da Biblioteca Pública Infantil.

CN – Deseja acrescentar algo?

Cláudia Stocker – Finalizo com a seguinte frase: Leia um bom livro e seja feliz, delicie-se na imortalidade da literatura, viva de páginas, frases e esperanças. Leia mais, um mundo de imaginação espera por você!

 

A volta do Capitão 7


A revista Alfa – A Primeira Ordem, história em quadrinhos que reunirá um time de super-heróis brasileiros na mesma aventura ganhou um reforço de peso para o elenco de personagens participantes da saga. Trata-se de ninguém menos que o Capitão 7, o primeiro super-herói brasileiro, criado em 1954 e considerado a versão tupiniquim do Superman.

O Capitão 7 foi interpretado pelo cantor de rádio e campeão de boxe Ayres de Campos, que personificou o herói no programa de TV As Aventuras do Capitão 7, exibido pela Rede Record (de onde o herói tirou o 7 de seu nome, numa alusão ao número do canal, em São Paulo).  Posteriormente, virou uma revista em quadrinhos, em 1959, que durou mais de 50 edições.Capitão_7 Jaime Cortez

O herói também virou marca de uma fábrica de fantasias infantis na década de 1960, após o término do seriado. Com o tempo, o Capitão 7 perdeu sua popularidade, mas nunca caiu em total esquecimento. Com a morte de seu criador em 2003, os direitos do personagem foram licenciados raríssimas vezes – a última delas foi em 2006, para a revista Triplik, publicação oficial das marcas de roupas infantis Lilica Ripilica e Tigor T. Tigre, escrita e desenhada por Danyael Lopes.

Dez anos depois, o Capitão 7 retorna como convidado da revista Alfa, A Primeira Ordem. Segundo Elenildo Lopes, o idealizador do projeto, a participação do Capitão 7 é fruto de negociações com os herdeiros de Ayres Campos. “Sempre foi um sonho reunir oficialmente os super-heróis clássicos com os dessa nova geração e agora ele se torna realidade.” comemora Lopes.

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A HQ é uma reformulação de um projeto antigo chamado apenas A Ordem, que esteve no site Catarse em 2014 para captação de recursos, mas não conseguiu o montante desejado. A ideia foi reformulada e volta com um novo nome: Alfa – A Primeira Ordem. A trama reúne os maiores e mais clássicos super-heróis brasileiros atuando em conjunto numa saga cósmica, diferente de Protocolo: A Ordem, lançada em 2016, onde os heróis se reuniram para conter uma invasão espacial. Porém, os eventos serão uma sequência desta história.

O projeto Alfa entrará no Catarse em breve e a previsão de lançamento é para o segundo semestre de 2017. A presença de Capitão 7 na história, com certeza será um fator que despertará o interesse dos leitores, pois o personagem é um dos mais importantes da mitologia de super-heróis brasileiros – talvez o mais importante, já que é o pioneiro – e faz parte da história da televisão e da infância de muita gente.