Itabuna: Sesau conscientiza população sobre LER


Com o objetivo de identificar e auxiliar trabalhadores atingidos por estas doenças, a Prefeitura de Ilhéus, por meio do Núcleo Saúde do Trabalhador da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), realizou uma manhã de conscientização ativa e orientações de prevenção das doenças relacionadas ao esforço repetitivo no trabalho, nesta quinta- feira (28). A ação contou com a parceria da Faculdade Madre Thais, cujos alunos do curso de Fisioterapia realizaram atividades laborativas para detecção precoce das Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT).

De acordo com o diretor municipal da Vigilância da Saúde, Gleidson Santana. A Sesau montou uma estrutura na sua sede e recebeu profissionais de diversas áreas. “Idealizamos essas atividades para marcar o Dia D de combate à LER/DORT em Ilhéus, proporcionando atenção especial aos participantes, que encontraram aqui orientações de prevenção e serviços de massagem, entre outros”, acrescentou.

Segundo dados da Previdência Social, algumas das categorias profissionais mais atingidas são os bancários e trabalhadores dos setores de comércio e serviços, principalmente os caixas de supermercados e de bancos, metalúrgicos, jornalistas e todos aqueles que trabalham com esforços repetitivos. Alguns profissionais chegam a ignorar os sintomas da doença que é considerada silenciosa.

Escritora Cláudia Stocker


Os especialistas são praticamente unânimes ao afirmar que a leitura traz inúmeros benefícios à saúde dos seres humanos. Entre eles podemos destacar a ativação da memória e o alívio do estresse. Ler também nos possibilita adquirir novos conhecimentos. Na contra mão de tudo isso nos chega a informação de que uma parcela significativa de brasileiros não sabe ler. Por que em pleno século XXI isso ainda ocorre? O que pode ser feito para reverter esse panorama? A reportagem do Blog Carvalho News decidiu ouvir a escritora Cláudia Teresinha Stocker, autora do livro “O Incentivo à Leitura – Através da Arte de Contar Histórias”, que falou sobre a importância da figura dos responsáveis para despertar o interesse pela leitura nas crianças e adolescentes, bem como, sobre o Projeto #Eu Leio. Cláudia é formada em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade Tiradentes em Aracaju/Se. Pós-graduada em Gestão da Informação pela Universidade Federal de Sergipe e em Educação, Artes, Estética e Museus pela Faculdade Pio Décimo – Aracaju/Se. A escritora é Vice-Presidente da Associação Profissional dos Bibliotecários e Documentalistas de Sergipe – APBDSE. E, atualmente, está na direção da Biblioteca Pública Infantil em Aracaju onde desenvolve atividades de incentivo a leitura junto a comunidade.Ficou curioso (a)? Então aceite o nosso convite e leia essa entrevista.

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Cláudia Stocker Foto: divulgação

Blog Carvalho News – Por que o brasileiro não gosta de ler?

Cláudia Stocker – A Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil em sua 4.ª edição (2015) apontou que 44% da população brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro. Se em 2011 os leitores representavam 50% da população, em 2015 eles passaram a 56%, o que ainda é pouco. O índice de leitura indica que o brasileiro lê apenas 4,96 livros por ano. Portanto, a questão de gostar ou não de ler depende de muitos fatores. As pessoas não leem por falta de interesse, falta de tempo para se dedicar a leitura, alto preço dos livros no Brasil, falta de incentivo, seja em casa ou na escola, e até mesmo pelo não acesso ao livro.

CN – Qual importância das HQs na criação do hábito da leitura nas crianças?

Cláudia Stocker – Incentivar a leitura no público infantil tem sido um desafio diante de tantas opções de lazer e entretenimento nos dias atuais. Os HQ´s sempre atraíram a atenção de leitores e são usados como estratégia para incentivar a leitura em qualquer idade. Não há quem não se divirta ao ler quadrinhos. Os Famosos Tio Patinhas, Pato Donald e demais personagens da Disney, encantaram diversas gerações de leitores de Gibis. Depois veio a Turma da Monica, super-heróis e hoje em dia os Mangás japoneses. Incluir o Gibi como fonte literária para as crianças é muito importante por ser uma literatura de fácil entendimento e divertida e desta forma, a criança pode despertar o gosto pelos demais gêneros literários.

CN – O que a motivou a escrever O Incentivo à Leitura – Através da Arte de Contar Histórias?

Cláudia Stocker – O que me motivou a escrever foi a vivência com a temática, pois como eu estava trabalhando projetos de incentivo à leitura, sempre me deparava com questionamentos a respeito. O Incentivo a Leitura através da arte de contar histórias foi tema de meu TCC de Pós-graduação. O trabalho ficou muito bom e resolvi transformá-lo em livro para compartilhar com as pessoas a minha experiência, já que cito na obra os projetos desenvolvidos e bem-sucedidos no segmento da biblioteca infantil. A contação de histórias tem feito parte do meu fazer profissional a mais de 10 anos, por isto a motivação em escrever sobre o assunto.

 

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CN – Como pais e responsáveis podem despertar em jovens e crianças o gosto pela leitura?

Cláudia Stocker – É importantíssimo que a criança já tenha contato com a leitura desde o ventre materno, ou seja, contar histórias ou ler para o bebê ainda na barriga, já é um bom início. E como querer ter filhos leitores se em casa não se tem pais leitores? A criança tem nos pais um espelho e exemplo, portanto ver os pais lendo um livro, um jornal ou revista, já incentiva a criança a fazer o mesmo. Assim como ler em família, ter um momento para sentar com a criança e ler para ele, contar uma história, se divertir com a literatura.

CN – Como os professores e demais profissionais de educação podem auxiliar os estudantes a despertarem o gosto pela leitura?

Cláudia Stocker – A iniciação se dá em casa, em família, mas continua na escola. Só que a leitura na escola deve ser prazerosa e não obrigatória e imposta. Sou contra esta palavra de “Leitura Obrigatória”, os livros que a escola escolhe para serem lidos no decorrer do ano. Nada que seja obrigado é prazeroso, portanto, a leitura deve ser de livre escolha para que se crie o hábito e o gosto. Ou se não, estaremos afastando os estudantes da leitura. Eles já precisam ler os livros didáticos para aprender as matérias. Se impormos os livros literários também…o que esperar? Cada pessoa tem seu gosto e estilo literário e isso deveria ser respeitado nas escolas.

CN – Existe alguma forma de tornar o ambiente de uma biblioteca mais convidativo?

Cláudia Stocker – A biblioteca de hoje não é vista mais como um lugar de extremo silêncio onde só se estuda e pesquisa. A Biblioteca hoje é um espaço multicultural que dialoga com as diversas linguagens: música, dança, artes, teatro, etc… Deve ser um espaço atrativo e dinâmico onde as pessoas se encontram e compartilham informações e conhecimentos. Portanto oferecer a comunidade diversos serviços e atrações que vão além da pesquisa e estudo (saraus, contações de histórias, oficinas temáticas, cursos, palestras, exposições, entre outros), pode atrair mais usuários.

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Projeto #Eu Leio Foto: divulgação

CN – Fale-nos sobre o Projeto #Eu Leio.

Cláudia Stocker – O Projeto #EuLeio! é um projeto iniciado em Sergipe em parceria com a Rede Ler e Compartilhar (Maceió), programa de circulação de acervos, formação de leitores e orientação para mediação literária por meio de ações colaborativas de circulação de acervos que pretende levar centenas de títulos infanto-juvenis para escolas públicas. Em Sergipe O projeto #EULEIO!, teve acervos doados pela Rede Ler e Compartilhar, e em abril iniciou sua circulação em 6 escolas públicas por meio de sacolas literárias (com 35 livros) que ficarão por 6 meses nas escolas para leitura dos alunos. Depois as sacolas serão trocadas e assim, os alunos terão uma grande variedade de títulos para lerem.

O projeto que tem a escritora Claudia Lins (Maceió) como coordenadora geral, aposta no poder dos livros e da mediação literária orientada como um potencial ilimitado para a transformação social e o acesso à cidadania, desta forma, acredita-se que é possível formar uma grande teia de incentivo à leitura em nosso imenso Brasil, unindo pessoas físicas e empresas em torno de um objetivo: criar ou dinamizar espaços e projetos de leitura beneficiando pessoas e instituições que desejem promover a cultura literária em suas comunidades. Aqui em Sergipe o projeto está sob minha coordenação através da Biblioteca Pública Infantil.

CN – Deseja acrescentar algo?

Cláudia Stocker – Finalizo com a seguinte frase: Leia um bom livro e seja feliz, delicie-se na imortalidade da literatura, viva de páginas, frases e esperanças. Leia mais, um mundo de imaginação espera por você!