Em tentativa de limpar a imagem, Pazuello vai para Manaus sem data para voltar


Enquanto o ministro recebe críticas até dos aliados do governo, a PGR faz denúncia ao STF sobre sua conduta

André Lucas

O ministro da saúde, Eduardo Pazuello, vem sofrendo muita  rejeição, e aliados já aconselham que ele abandone o cargo, em meio a tanta pressão, o ministro foi para Manaus, cidade que está sofrendo com alta de casos e falta de oxigênio. 

Os “conselheiros” que articularam essa viagem de Pazuello, segundo informações da Folha De São Paulo, o Planalto está tentando limpar o desgaste da imagem dele. 

Além disso, os pedidos de impeachment são baseados entre outros argumentos, na tese de que o governo federal não estar agindo para combater o vírus, e nem para resolver os problemas gerados pela covid, como as mais de 200 mil mortes no país, ou as pessoas que ficaram sem renda por causa da crise. O ministro da saúde ir pessoalmente até o local indica uma importância para o Planalto, o que teoricamente contradiz a tese do descaso do governo Bolsonaro. 

O ministério da saúde divulgou uma nota dizendo que o ministro não tem data para voltar, e ficará na cidade o quanto for necessário. 

A ala militar dentro do grupo de apoiadores do Bolsonaro são os que mais tem interesse na saída do ministro, para os militares o ministro mancha não só sua imagem, mas de toda as forças militares, o fato de ser um general do exército, faz dele um símbolo, se um general é ridicularizado, todo o exército é ridicularizado junto. 

Apesar de estar incomodado com a conduta de Eduardo Pazuello, o Presidente Bolsonaro, diz em suas entrevistas que que não pertence trocar o ministro.  O Planalto elaborou um plano para limpar a barra do ministro, se chama “Plano de reação ao desgaste”, o ministro da comunicação, Fábio Farias está comandando o plano, que inclui a divulgação de dados das medidas que o governo toma para combater a pandemia. 

Segundo divulgações do ministério da saúde, o Ministro enviou 132,5 mil doses de imunizantes da AstraZeneca ao estado do Amazonas, para integrar o plano de imunização. 

Na nota à imprensa, a pasta faz questão de salientar que a Saúde está cumprindo sua determinação de dar prioridade ao Amazonas na imunização.  A meta é imunizar 1,5 milhão de pessoas no estado até o final do ano, mas a expectativa do governo do Amazonas é que a meta seja cumprida ainda no primeiro trimestre”, ressaltou a nota emitida pela imprensa.  

Denúncia contra Pazuello

O procurador geral da Republica, Augusto Aras, fez um pedido ao STF para abrir inquérito contra o ministro da saúde, com a denúncia de descaso e irresponsabilidade em relação à crise na cidade de Manaus. U

ressalta ainda que uma eventual omissão seria passível de responsabilização cível, administrativa ou criminal.

“Mostra-se necessário o aprofundamento das investigações a fim de se obter elementos informativos robustos para a deflagração de eventual ação judicial”, disse. 

O documento salienta ainda que chama a atenção, entre as aparentes prioridades da pasta, a entrega de 120 mil unidades de hidroxicloroquina como tratamento ao coronavírus, “quase a mesma quantidade de testes” para detecção da doença. Aras explica que apesar do produto ter sido produzido pelas forças armadas, foi gasto dinheiro público para produzir, e sem eficácia, o dinheiro público foi gasto à toa. 

Pazuello discursa em rede nacional e afirma que o Brasil está pronto para começar a vacinar ainda esse mês


Ainda sem um plano de imunização apresentado, governo tenta passar confiança com discurso otimista

André Lucas

Em meio a corrida pela vacina, o Brasil ainda encontra muitas dificuldades para começar a imunização da população. Além da “guerra” em torno da vacina, por conta de polêmicas e politização do debate, ainda tem as dificuldades que o governo encontra para arrecadar seringas e agulhas. Esse novo obstáculo na guerra contra o Covid 19, atrás mais ainda a recuperação do país tanto no sentido econômico quanto no sentido sanitário. 

O Brasil é um dos países mais atrasados no processo de distribuição e aplicação da vacina. Atualmente mais de 12 milhões de doses foram usadas na imunização de 51 países. Ao todo 10 fabricantes diferentes produziram doses para esses países aplicarem a vacina em suas populações. 

Em meio a tanto atraso para a apresentação de um plano de imunização, e a incapacidade de aquisição de insumos para a produção de doses e aplicação da vacina, o que não falta são críticas ao governo. Especialistas, imprensa, OMS, Câmara dos deputados, “o povo do Twitter”, e principalmente a oposição, criticam a falta de estratégia no governo. 

Em meio a tantas críticas, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou na noite desta quarta-feira (6) que o Brasil está preparado e tem seringas suficientes para iniciar a vacinação contra a Covid-19 ainda em janeiro de forma simultânea em todo o país. 

O ministro também informou que vai publicar uma MP, referente a aquisição de vacinas e insumos, a MP determina que a coordenaria da vacinação vai ficar na responsabilidade do Ministério da Saúde. A MP também permite que o governo compre, distribua e aplique a vacina mesmo sem a aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). 

O ministro da saúde fez um pronunciamento em rede nacional na rádio e na Tv, na noite de ontem. 

“Hoje, o Ministério da Saúde está preparado e estruturado em termos financeiros, organizacionais e logísticos para executar o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19. O Brasil já tem disponíveis cerca de 60 milhões de seringas e agulhas nos estados e municípios. Ou seja, um número suficiente para iniciar a vacinação da população ainda neste mês de janeiro. Asseguro que todos os estados e municípios receberão a vacina de forma simultânea, igualitária e proporcional à sua população. Brasil imunizado! Somos uma só nação! No que depender do Ministério da Saúde e do Presidente da República a vacina será gratuita e não obrigatória. Importante enfatizar, quanto à Pfizer, que já disponibilizou suas vacinas em vários países, mesmo em quantidades muito reduzidas, que o Ministério da Saúde está trabalhando com os representantes da empresa para resolver as imposições que não encontram amparo na legislação brasileira, dentre elas: isenção total e permanente de responsabilização civil por efeitos colaterais advindos da vacinação; transferência do foro de julgamento de possíveis ações judiciais para fora do Brasil; e disponibilização permanente de ativos brasileiros no exterior para criação de um fundo caução para custear possíveis ações judiciais” 

Pazuello terminou seu discurso falando que o que depender do Ministério da Saúde a vacina será gratuita e não obrigatória. 

Posicionamento esse igual ao do presidente da república, Jair Bolsonaro, que já afirmou que não vai tomar a vacina. Ontem enquanto conversava com a apoiadores Bolsonaro falou sobre o assunto com seus apoiadores na porta do Planalto. 

“Uma pergunta aqui, com sinceridade: quem vai tomar vacina, levanta a mão? Todo mundo que eu pergunto, tive na praia, perguntei; aqui no cercadinho. Tem um grupo um pouco maior que visita a gente eu pergunto. Não faço campanha nem contra ou a favor. Vai ser voluntária e gratuita, para quem quiser toar. Agora o pessoal tá desconfiado” 

E o país segue com dúvidas de quando é como será o processo de vacinação no Brasil.