Ilhéus: primeira feira de adoção de animais filhotes será realizada no dia 6


O Instituto Planeta dos Bichos, em parceria com a Prefeitura de Ilhéus realiza, no próximo domingo (6), a primeira de adoção de animais filhotes de 2019. A ação vai acontecer entre 10h e 16h, na praça central do bairro Hernani Sá. No local será possível adotar, escolher exatamente o pet que desejar, bem como se informar sobre as necessidades gerais que o mesmo possa ter em seus primeiros meses.

Segundo a presidente da ONG, Maria da Conceição Barbosa (Ceiça), cerca de 20 filhotes de cães e alguns gatinhos estarão à disposição para adoção. “Todos os animais já estão vacinados e vermifugados, prontos para encontrar um novo lar. É preciso salientar que o pet não é um brinquedo, é um animal que tem sentimentos, precisa ser bem tratado e receber muito carinho”, orienta.

Donos responsáveis

Com dez anos de existência, o Instituto Planeta dos Bichos já cuidou de muitos animais na cidade. Pessoas que doam o seu tempo e esforços para combater o abancaesegatosdono e maus-tratos aos animais. Naturalmente, estes voluntários não podem ficar com todos os animais que encontram. Por isso, um de seus maiores esforços é justamente encontrar donos responsáveis para os bichinhos.

A adoção é gratuita e os interessados passarão por uma entrevista com voluntários da ONG. Para adotar, basta apresentar documento de identidade com foto e ser maior de idade. Precisa ter residência fixa, manter contato e receber visita da instituição, além de preencher um termo de compromisso. Os interessados em doar ração ou medicamentos, podem entrar em contato através dos números: 73 99119-2105 ou 99169-3405.

Estudo revela que só 2,5% da água da Mata Atlântica têm qualidade


Dos 240 pontos de coleta de água distribuídos em 184 rios, córregos e lagos de bacias hidrográficas da Mata Atlântica, apenas 2,5% têm qualidade boa. Os dados são do estudo “Observando os Rios 2017”, da Fundação SOS Mata Atlântica, sobre a qualidade da água nas bacias do bioma. Ele foi apresentado hoje (22) durante o seminário Águas do Brasil, que reuniu especialistas e representantes da sociedade civil no Ministério do Meio Ambiente para falar sobre os 20 anos da Lei das Águas.

Das águas analisadas, 70% estão em situação regular e 27,5% com qualidade ruim ou péssima. “Isso significa que 66 pontos monitorados estão impróprios para o abastecimento humano, lazer, pesca, produção de alimentos, além de não terem condições de abrigar vida aquática. Nenhum dos pontos analisados foi avaliado como ótimo”, diz o relatório.

A especialista em recursos hídricos da fundação, Malu Ribeiro, explicou que uma das causas da poluição é o despejo de esgoto doméstico. Para ela, as decisões tomadas acerca da gestão da água não podem mais falhar, pois a poluição e o desperdício agravam a escassez hídrica e os eventos climáticos adversos. “O que trazemos é a voz dos rios da Mata Atlântica, das regiões mais adensadas e mais economicamente ativas do país. Regiões que passaram a ter que reconhecer o que é escassez e crise hídrica, isso não fazia parte do imaginário da população da Mata Atlântica, uma mata úmida, que produz água”, disse.

Malu defende que os rios urbanos não sejam enquadrados na classe 4 da Resolução nº 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente, que são rios destinados à paisagem e navegação e que, para ela, acabam servindo para diluir esgotos, como é o caso dos rios Tietê e Pinheiros, em São Paulo. Em rios de outras classes, destinadas ao consumo humano, há um controle mais rigoroso na emissão de poluentes.

Segundo Malu, é possível “reviver” os rios urbanos e as bacias que abastecem as cidades, como ocorreu com o Rio Jundiaí, que nasce na Mata Atlântica. Após 30 anos de investimentos em coleta de resíduos urbanos e tratamento de esgoto feitos por um consórcio, o rio foi recuperado e passou da classe 4 para a 3, podendo ser usado para abastecer a população.

Para o presidente da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ), um dos desafios é fazer o cidadão voltar a descobrir que os rios são rios. “A própria caracterização, cercado de concreto e a cor da água, faz com que eles não vejam os rios como rios, mas como locais de despejos de geladeiras e sofás velhos”, argumentou. “O desafio é o reconhecimento dos rios como corpos hídricos a serem recuperados por nós.”

O levantamento da SOS Mata Atlântica foi realizado em 73 municípios de 11 estados da Mata Atlântica, além do Distrito Federal, entre março de 2016 e fevereiro de 2017. Os dados foram obtidos por meio de coletas e análises mensais de água realizadas por 194 grupos de voluntários do programa “Observando os Rios”.

O relatório de 2017 está disponível na página da Fundação SOS Mata Atlântica.

mataatlantica

São Paulo

No estado de São Paulo, apenas quatro dos 134 pontos avaliados pela Fundação SOS Mata Atlântica apresentam água com boa qualidade. Dos rios e corpos d’água monitorados, 51 (38%) apresentam qualidade ruim ou péssima e estão indisponíveis para qualquer uso. Apenas 3% dos pontos avaliados têm qualidade boa. O levantamento foi realizado em mais de 20 municípios entre março de 2016 e fevereiro de 2017, com base nas coletas e análises mensais de água. Nenhum dos pontos analisados foi avaliado como ótimo.

Para o coordenador do projeto Observando os Rios da SOS Mata Atlântica, Gustavo Veronesi, o principal fator da qualidade ruim ou péssima das águas em São Paulo é a falta de saneamento ambiental. “Ainda temos muito esgoto caindo direta ou indiretamente nos nossos rios, e também a falta de preservação das margens dos rios, falta de cobertura florestal e das matas ciliares.”

Veronesi ainda destaca a importância de cuidar da bacia hidrográfica. “Não podemos jogar lixo em qualquer lugar, as empresas têm que ser responsáveis com seus rejeitos, a gente precisa de um grande pacto social”.

O coordenador explicou que o saneamento tem quatro pilares: o abastecimento de água potável para a população, a coleta e o tratamento de esgoto, a gestão dos resíduos sólidos e nas áreas urbanas, a drenagem da água de chuva. “Precisamos ainda atentar para a cobertura florestal, necessitamos de mais florestas, mais áreas reservadas que servem como filtros para os nossos rios e suas margens”, completou.

Comparativo 2016-2017

O estudo comparou os resultados do monitoramento de 112 pontos fixos de coletas. Para as análises comparativas foram consideradas as médias dos indicadores mensais do Ciclo 2016 (de março de 2015 a fevereiro de 2016) e do Ciclo 2017 (de março de 2016 a fevereiro de 2017).

Os indicadores apontam uma diminuição de pontos com qualidade ruim, passando de 45 (40,2%) para 41 (36,6%), mas um aumento de locais com água péssima, de um (0,9%) para dois (1,8%). O estudo também destaca um aumento na qualidade regular, passando de 63 (56,3%) para 65 (58%), e nos pontos com qualidade boa, de três (2,7%) para quatro (3,6%).

Ong garante: nove pessoas são mortas por policiais a cada dia


Todos os dias, ao menos nove pessoas morrem em decorrência de intervenção policial no Brasil. E ao menos um policial é morto, durante o expediente ou fora dele. Os números constam do 10º Anuário de Segurança Pública, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (ONG que reúne especialistas do setor) com base em dados de 2015. Esse relatório evidencia que, ao combater violência com violência, o Estado brasileiro tem colaborado com o aumento dos índices já recordistas de homicídios.

Isso porque, entre 2014 e 2015, apesar de ter havido uma pequena queda de 1,2% (de 59.086 para 58.383) no total de mortes violentas no país -considerada como sinal de estabilização do indicativo-, as vítimas da violência policial cresceram 6,3%, para 3.345. Já o número de policiais mortos diminuiu 3,9%: foram 393 mortos em 2015.

“Falta hoje uma política de Estado que combata a violência”, aponta a socióloga Samira Bueno, diretora executiva do fórum. “Os Estados precisam fazer o controle de armas, e as polícias Militar e Civil devem ter um sistema de metas de redução de homicídios compartilhado”.

Para Renato Sérgio de Lima, sociólogo e diretor-presidente da ONG, “o Brasil precisa discutir o modelo de uso da força de suas polícias”. “A razão de existência das polícias é o uso da força, mas tem de ser controlado e gradual.”

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Segundo a pesquisadora Tânia Pinc, major da reserva da Polícia Militar de São Paulo, “os discursos do Executivo e do Judiciário estimulam ações letais abusivas porque sugerem que o que se espera do policial é que mate o criminoso”. “É uma covardia porque quem assume essa morte depois é o soldado e sua família, e não essas instituições.”

Esta prática tem respaldo social: metade dos brasileiros concorda com a frase “bandido bom é bandido morto”.

Para o deputado estadual Álvaro Camilo (PSD), ex-comandante da PM paulista, no entanto, a explicação é outra: “O aumento de sensação de impunidade levou os infratores a serem mais audazes, o que aumenta o confronto com a polícia, logo, a letalidade”.

Policiais mortos

Policiais morrem três vezes mais em folga do que em serviço, segundo dados do anuário. De acordo com especialistas no tema, isso se deve a múltiplos fatores: os chamados bicos, o porte de arma e suposto envolvimento em atividades criminosas.

“Discutimos pouco essas mortes porque é um tabu falar daquilo que o policial está fazendo fora do serviço e qual é a responsabilidade do Estado nisso”, sugere Lima.
Ele se refere ao chamado bico, atividade ilegal exercida pelo policial em seu horário de folga, em geral no setor da segurança privada.

“Por terem salários inadequados, os policiais se lançam nesta atividade, diferente do seu ofício regular, quando raramente são surpreendidos ou emboscados”, explica o consultor José Vicente da Silva, coronel reformado da PM.

Para Pinc, outro fator decisivo neste dado se deve ao fato de policiais andarem armados mesmo quando estão de folga. “Isso é uma cultura. Mas, fora de serviço, ele é vulnerável como qualquer pessoa. E, se ele está armado, a tendência é reagir.”

Mortes violentas

As mortes violentas intencionais tiveram maior taxa de crescimento no Rio Grande do Norte: 39,1%. Foram 48,6 pessoas a cada 100 mil habitantes em 2015. A taxa só é menor que a de Sergipe (57,3) e Alagoas (50,8). Para Bueno, a explicação está na melhoria do registro de informações e na onda de violência que atingiu o RN, por exemplo -o Estado chegou a decretar calamidade pública.