Número de fraudes em cartão de crédito cresce no país


É bom ficar bem atento! Entre janeiro e agosto deste ano, já foram detectados mais de 6,7 milhões de golpes envolvendo bancos ou cartão de crédito no ambiente mobile. Ao todo, são 3,6 fraudes por minuto. Este levantamento foi realizado pelo laboratório de cibersegurança da Psafe,

Ao todo, foram detectados 920 mil golpes na internet com o objetivo de roubar dados financeiros de consumidores para clonar cartões de crédito neste ano. Os meses de junho e julho tiveram os maiores registros, com 343,5 mil e 388 mil respectivamente. Os menores índices foram registrados em março (10 mil ataques) e abril (6,5 mil ataques). Neste ano, já foram identificadas 5,8 milhões tentativas de golpes a bancos.

O levantamento foi baseado na coleta de dados de detecções e bloqueios de ciberataques aos aparelhos dos mais de 20 milhões de usuários com o aplicativo de segurança dfndr, nos referidos períodos.

Fique atento

Para evitar fraudes, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) sugere que o usuário pesquise as opiniões dos clientes do estabelecimento antes de realizar transações em plataformas de venda on-line.

Além disso, o órgão aconselha os compradores a buscarem empresas que forneçam o endereço físico no site, CNPJ, e um telefone de atendimento ao consumidor; orienta ainda a desconfiar de ofertas muito generosas e a comparar produtos similares em outros fornecedores.

A Senacon oferece ainda a plataforma Consumidor.gov.br, que reúne reclamações e avaliações dos clientes. O sistema permite a interlocução direta entre consumidores e empresas para solução de conflitos de consumo pela internet. Segundo o ministério, 80% das reclamações registradas no sistema são solucionadas pelas empresas, que respondem às demandas dos consumidores em um prazo médio de sete dias.

Desafio Baleia Azul pode ter ligações com rede de pedofilia


O “desafio” Baleia Azul pode ser ainda mais letal do que imaginamos. De acordo com a delegada Fernanda Fernandes, da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática do Rio de Janeiro (DRCI) e uma das responsáveis pela investigação que culminou na operação Aquarius, realizada no dia 18 último, em nove estados do país para cumprir 24 mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária de trinta dias, os administradores das páginas que aliciam jovens para participar do jogo podem estar ligados a uma rede de pedofilia.

Um dos acusados de ser aliciador no esquema, identificado como Matheus Moura da Silva, de 23 anos, foi preso em casa, em Nova Iguaçu. No imóvel do suspeito, que seria curador do desafio (administrador da página que recruta os participantes), foram apreendidos celulares e computadores, que podem revelar novas vítimas e suspeitos de atuarem no grupo. Um adolescente acusado de pertencer ao esquema de aliciamento foi detido em São Paulo. Em seu depoimento, o acusado teria dito que existem pelo menos outros cinco criminosos agindo no Rio.

Mateus suspeito
Mateus seria um dos curadores do Baleia Azul Foto: divulgação

A polícia já teria pedido a prisão dos suspeitos, mas os nomes não foram divulgados e a informação sobre os mandados de prisão não foi confirmada pela corporação. Segundo a delegada Fernanda Fernandes, Matheus confessou ter aliciado pelo menos 30 vítimas, com idades entre 9 e 15 anos.

No entanto, a polícia afirma ter provas que 40 jovens participaram do desafio. “Há indícios de que os curadores pedem para as vítimas fotografarem suas partes íntimas para vender o material”, alertou Fernandes. De acordo com a investigação, uma menina chegou a desenhar, com objeto cortante, uma baleia, o símbolo do desafio, em suas partes íntimas.

O trabalho da DRCI começou no início do ano através de buscas feitas em redes sociais para localizar possíveis vítimas e aliciadores. De acordo com o inquérito, para ter acesso aos grupos, as vítimas pediam para entrar em páginas do Facebook relacionadas ao desafio Baleia Azul, e logo em seguida passavam por uma “entrevista” feita por um dos curadores. Os jovens só conseguiam acessar as páginas após fornecer dados pessoais e oferecer garantias de que não abandonariam o desafio sem concluir as 50 etapas.

A delegada alertou que as principais vítimas dos aliciadores são jovens que demonstram fragilidade emocional e que precisam de apoio psicológico. “Se a criança não sofria distúrbios, depois de entrar no jogo certamente vai passar a apresentar sinais de depressão”, afirmou Fernandes.

Cuidado com o Telefone.ninja


Mais um perigo ronda a internet. A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) alerta para uma nova fraude na Internet. O site telefone.ninja, compartilhado em redes redes sociais, rouba dados dos usuários e espalha vírus associando a seu IP de acesso aos dados pesquisados, o chamado phising.

O site possui uma interface simples e, ao ser feita a pesquisa por nome, apresenta parte do endereço e telefones associados a uma pessoa.

O-site-telefone.ninja-é-um-exemplo-de-monstro-criado-por-internautas

O phising, segundo agentes da DRCI, é uma forma de fraude eletrônica, caracterizada por tentativas de adquirir fotos, músicas e outros dados pessoais ao se fazer passar por uma pessoa confiável ou uma empresa enviando uma comunicação eletrônica oficial.

Os agentes alertam que tais tipos de crimes são comuns em formas de links, imagens e MP3. Até a publicação desta reportagem, o site continuava no ar.

Baleia Azul: Polícia Civil segue rastros de quadrilha


Após instaurar inquérito para apurar o aliciamento de crianças e adolescentes para o jogo ‘Baleia Azul’ no Rio, a Polícia Civil começa a desvendar rastros da quadrilha que tenta convencer as vítimas a tirar a própria vida. Cruzamento de dados iniciado pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) em redes sociais já permitiu à especializada obter indícios preliminares sobre os criminosos que estão por trás da rede de incentivo ao suicídio.

A delegada responsável Fernanda Fernandes mantém as informações sobre os suspeitos em sigilo para não atrapalhar as investigações. Mas ela já sabe que o primeiro contato dos aliciadores com as vítimas — a maioria delas tem de 12 a 14 anos — ocorre como um convite inocente para um jogo desafiador, por meio de redes sociais, sobretudo o Facebook. Ludibriados pela promessa de experimentar uma simples aventura virtual, os menores não sabem que estão sendo caçados por uma associação criminosa.

Segundo a delegada, uma vez capturado, o jovem é submetido ao perigo de uma profunda pressão psicológica. A vítima é coagida a cometer atos de automutilação, como desenhar uma baleia com objeto cortante no braço, entre outros desafios muito perigosos. A tarefa final, seria atentar contra a própria vida.

“Há relatos de que há uma coação para as vítimas não desistirem do jogo. Os relatos são de pressão psicológica mesmo, de que se a vítima não se matar, ela vai ser morta de qualquer jeito, ou então eles ameaçam parentes próximos. Enfim, há toda uma coação para convencer a vítima a entrar e não sair”, explica a delegada.

baleia azul2

Dois casos suspeitos no Rio de Janeiro foram identificados pela DRCI e fazem parte do inquérito. A investigação foi aberta no estado após a mãe de um menino de 12 anos denunciar que o filho foi convidado a participar do jogo pelo Facebook. A delegada comprovou que o jovem não chegou a jogar.

Ela investiga agora uma informação que recebeu, e ainda não confirmou, de problemas com uma menina de 12 anos na semana passada. Fernanda Fernandes quer saber se a menina teria agido induzida pelo jogo.

Após aceitar participar pelo Facebook, menor é ‘orientado’ pelo WhatsApp

A delegada disse não ter informações sobre um aplicativo específico do jogo. As pistas levantadas até agora indicam que, após o convite para o “desafio”, os curadores (como se autointitulam os organizadores do esquema) passam as tarefas diariamente para as vítimas por meio das próprias redes sociais. “Se a pessoa aceita participar do jogo, sai do Facebook e vai para o WhatsApp. Durante essa conversa, o menor deve passar todos os dados que identifiquem e que o localizem, assim como dos familiares”.

No Facebook, há diversas comunidades sobre o ‘Baleia Azul’. Nelas, perfis com fotos de criança pedem orientações para participar. “Oi, como posso jogar?”, questionou um menino. Uma internauta alertou: “Se entrar no jogo, não pode mais sair”.

Em escolas e grupos de mães no Rio, o assunto já preocupa. “Estou horrorizada e conversei muito com minha filha. Fiz ela ler e expliquei. Meu Deus, o que estão fazendo com nossas crianças? Só muita conversa e acompanhar de perto o que fazem na internet”, disse Anie Kesseli, mãe de uma menina de 11 anos.

baleia azul

Pais devem aumentar diálogo e vigilância

Para o psiquiatra Jorge Jaber, da Associação Brasileira de Psiquiatria, os pais devem estabelecer diálogo aberto para entender o que se passa na vida do filho. “É importante que não tenham atitude persecutória. O jovem tende a rejeitar tom de briga”.

Mãe de uma menina de 10 anos, Kátia Monique de Oliveira, 37 anos, disse que já orientou a filha, que já compartilha informações do risco do jogo com colegas. “Estou com muito medo. Já ouvi falar de outros jogos perigosos para jovens”, disse.

Se há mudança comportamental, a recomendação é procurar um profissional de saúde. “Proibir o acesso às redes é muito difícil. Por isso, os pais precisam ficar atentos aos conteúdos que os filhos acessam”, recomenda a psicóloga Ana Café.

O Facebook diz que proíbe o cadastro de menores de 13 anos e, se os perfis forem denunciados, podem ser removidos. Desde junho, a rede social disponibiliza ferramenta que incentiva amigos a relatar publicações de caráter depressivo. O autor recebe notificação com orientações para procurar ajuda.

Quatro suicídios relacionados ao Baleia Azul são investigados no Brasil, em Mato Grosso, Goiás, Paraíba e Minas Gerais. Na Rússia, mais de 100 casos foram relatados desde 2015. A orientação da delegada aos pais é procurar a DRCI sem denunciar o perfil suspeito ao Facebook, para evitar que a página seja excluída, o que dificulta o rastreio da polícia.