Empatia e fim da intolerância em instituições


Júlia Vitória

Há vinte anos um atentado contra o terreiro de candomblé Ilê Axé Abassá de Ogum, localizado nas imediações da Lagoa do Abaeté, em Salvador na Bahia, por causa da intolerância religiosa provocou um ataque cardíaco na ialorixá Gildásia dos Santos, conhecida como Mãe Gilda de Ogum que acabou falecendo em decorrência deste ato.

No dia 21 de janeiro, dois meses depois do ataque a idosa de 65 anos teve um ataque cardíaco fulminante e não resistiu. Essa data foi estabelecida como Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, que foi instaurada em 2007, mais de dez anos depois da data ser instituída os ataques a pessoas de diferentes religiões de matrizes africanas ainda continuam.

Pura Intolerância

O professor de história e babalorixá do Ilê Asè Omo Odé Láíláí, Vagner de Jesus Santos de 39 anos, afirma que a intolerância religiosa contra as pessoas de matrizes africanas é algo diário. Ele também compara a intolerância religiosa ao racismo, que está enraizado na sociedade. “É bem sutil que quase não se percebe mas se olhar atentamente, pode se perceber que sofre de intolerância”, garante.

Santos declara que isso nasce apenas de um olhar, que quando veem com algum adereço que representa a religião ou vestido de branco, querem mostrar como prêmio, ou converter.

Para o babalorixá o grande motivo da intolerância e a falta de conhecimento que em grande parte vem dos líderes religiosos. Ele acredita que para não obterem o conhecimento eles fazem o discurso de ódio muita das vezes baseado em achismos. Ele também completa que o conhecimento e a informação são as melhores ferramentas para o combate à Intolerância.

Antissemitismo é a aversão aos semitas, ou seja, contra judeus. Ele se sustenta principalmente com estereótipos e preconceitos que mesmo sem fundamentos vai se fixando em culturas diferentes, espalhando efeitos maléficos como o discurso de ódio e até a hostilidade e violência. 

Para a diretora voluntária da Associação Cultural Israelita de Brasília (ACIB), Kelita Cohen de 43 anos quase todo o preconceito que o judeu recebe no Brasil é de viés positivo, ela explica que essa visão pode ser preconceituosa pelo sentindo de ser um conceito formado, como falar, por exemplo, que todo judeu é rico e próspero, mesmo assim com esse viés positivo também vem o negativo que fala que são avarentos e frio e calculistas.

Uma barreira chamada preconceito

O preconceito também faz com que uma barreira seja criada impedindo  a pessoa judia de ter uma relação com pessoas não judias. Ela também ressalta o ápice da intolerância quando os judeus foram levados para os campos de concentração na segunda guerra mundial.

Segundo o monge Sato Ademar Kyotoshi, 78, regente do Templo Shin Budista de Brasília no Brasil não tem intolerância e sim ignorância, ele fala que o budismo expandiu os passes ocidentais, Estados Unidos, Europa e África. Ele fala que o budismo aceitou as universalização dos valores humanos e as tradições locais mantendo a não violência, a paz social e o bem estar emocional e espiritual, o monge relembra quando tinha sete anos e os meninos de sua rua corriam atrás dele falando para voltar para sua terra ele fala ainda que a intolerância com as pessoas amarelas continuou por toda a infância contundido foi se apaziguado com o fim da ignorância. Para o fim da violência é preciso esclarecimento, fala o monge.

A solução

Adilson Mariz de Morais de  55 anos, é presidente da Comunhão Espírita e relata que com o educador dentro da evangelização espírita já ouviu diferentes situações de intolerância religiosa, ele fala que os alunos relataram uma prevenção contrariedade por ser espírita nas escolas que frequentavam e a maioria deles passou por isso em escolas particulares.

Ele acredita que quando você só olha o seu ponto de vista, seja da religião ou qualquer outro assunto, está inclinado a ter um posicionamento parcial, e que isso leva a ignorância e extremismo. Ele também defende o conhecimento como o principal instrumento de Combate à Intolerância. O presidente também relata já para se tornar um espírita é preciso estudar e que a doutrina espírita foca na filosofia, na ciência e na religião, e que deve se buscar o esclarecimento que sentem pelas mídias sociais. 

A data é um convite para que as religiões tenham uma convivência fraterna e pacífica, um incentivo a reflexão sobre as tradições e crenças e sobre o quanto cada uma pode colaborar para um mundo melhor.

Para o professor de filosofia da religião da Universidade de Brasília (UnB) Agnaldo Cuoco Portugal a religião é uma realidade muito diversa tanto no contexto histórico quanto no atual é uma busca comum que se manifesta de diferentes maneiras. Para o especialista as religiões por muito tempo, foram relacionadas com os termos geográficos elas se estabeleceram em diferentes territórios.

As religiões não tinham problema historicamente por se restringir a um território, a dificuldade começa com as guerras em nome da religião e a partir daí surge a associação entre política e religião os primeiros pontos de intolerância religiosa acontecem no século 17 A relação entre grupos políticos e religiosos querendo o poder.

Para o professor hoje a intolerância religiosa no Brasil acontece porque alguns grupos religiosos veem a religião como mercadoria e que eles veem outras como uma ameaça a isto. Para em a solução é que o estado proteja os grupos que sofrem de violência além de de apuração de responsabilidade aqueles que cometem a intolerância, ele também afirma que precisa aumentar o espaço de convivência religiosa e que o ensino religioso pode ajudar essa convivência positiva e ampliar o conhecimento do outro.