Filipino que violar quarentena por conta do coronavírus será fuzilado, garante Duterte


O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, autorizou as Forças Armadas e as autoridades policiais a matarem as pessoas que violarem a quarentena imposta pelo governo por conta da pandemia de Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. O anúncio foi feito durante um pronunciamento na televisão nesta quinta-feira, 2, pelo líder filipino, cujo perfil autoritário e contrário aos direitos humanos já foi atestado em outros episódios.

“Morto. No lugar de causar problemas, te enviaremos à tumba”, disse Duterte, que culpou grupos de esquerda por protestos realizados sem a permissão da polícia em Manilla, a capital do país, no qual os manifestantes pediam por ajuda do governo. “Minhas ordens para a polícia e os militares são que, se houver problemas e houver um momento em que suas vidas estiverem em perigo, atirem para matar”.

O país se encontra em estado de calamidade por conta da pandemia. Cidadãos mais pobres foram os mais prejudicados pelas regras de confinamento impostas pelo governo. Apesar de ter aprovado um programa para enviar dinheiro para essas pessoas, como vários países pelo mundo, inclusive o Brasil, estão fazendo, a proposta ainda não entrou em vigor. Por isso, os cidadãos vão às ruas protestar e pedir agilidade das autoridades e acabam por contrariar as regras de quarentena do país.

Duterte, presidente da Filipinas promete rigor extremo com quem violar quarentena Foto: divulgação
Duterte, presidente da Filipinas promete rigor extremo com quem violar quarentena Foto: divulgação

No pronunciamento, Duterte afirmou sobre a importância de que todo mundo coopere com as normas de confinamento para frear a propagação do vírus e evitar o colapso do sistema de saúde do país. “A situação está piorando. Por mais alertos para a seriedade do problema, todos devem escutar”, disse. As Filipinas tem 2.633 casos confirmados de Covid-19 e 107 mortes. Cerca de 50 milhões de pessoas estão em quarentena.

O projeto aprovado pelo Congresso visa distribuir cerca de quatro milhões de dólares para 18 milhões de famílias. O governo, porém, segura a entrada em vigor da proposta até elaborar “uma base de dados consolidada” sobre os beneficiários. Duterte também recebeu dos parlamentares novos poderes para lidar com a crise, como controle sobre hospitais privados e meios de transportes e de realocar partes do orçamento.

O presidente é conhecido por seu autoritarismo e falas que não teriam lugar em outros países pelo mundo. Duterte já assumiu ter realizado um assassinato, ter agredido sexualmente uma mulher e ter encorajado a morte de bispos católicos, além de prometer renunciar caso alguém fizesse uma “selfie” com Deus.

 

Ministério da Saúde prevê ampliar isolamento com fechamento de escolas


No último dia 28, o Ministério da Saúde distribuiu a secretários estaduais de saúde e gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) no país um plano de ação de quarentena que recomenda o fechamento de escolas e universidades no mês de abril, com a possibilidade de estender a medida para o mês de maio, como meio de combate à pandemia do coronavírus.

O documento foi elaborado pela equipe técnica da pasta, o documento tendo data de sexta-feira (27), sugere uma estratégia de transição para os meses de abril, maio e junho, como o distanciamento social para idosos e pessoas abaixo de 60 anos com doenças crônicas. Também defende que, nesse período, pessoas que apresentem os sintomas da doença fiquem isoladas em casa, assim como os demais moradores do local.

O plano incentiva ainda a adoção de reuniões virtuais, teletrabalho (home office) e extensão do horário para diminuir a quantidade de pessoas no mesmo espaço físico. Além disso, propõe o distanciamento social no ambiente de trabalho.

No período de três meses, ficaria proibida a realização de qualquer evento de aglomeração, como shows, cultos, jogos de futebol, cinema, teatro e casa noturna.

Para bares e restaurantes, o documento sugere reduzir em 50% a capacidade instalada e reforço das regras de prevenção, com o uso de álcool e intensificação da limpeza.

O documento defende a contratação de trabalhadores informais como promotores de saúde durante a crise de saúde no país.

O objetivo é que eles orientem as pessoas na rua, identifiquem idosos que estão fora do isolamento para enviá-los para casa e façam a limpeza de superfícies.