Vitória: profissionais de saúde não escondem alívio e emoção ao serem vacinados contra covid


Marcelo Carvalho

A campanha de vacinação contra a Covid avança na capital, com quase 800 pessoas já imunizadas, e traz alívio para os profissionais de saúde. A enfermeira Sheila Maria Parreira Alves, de 59 anos, há 11 atuando no Pronto-Atendimento (PA) da Praia do Suá, conta que a vacina veio como um presente para os profissionais de saúde.

“É muito gratificante porque estamos esperando por isso há bastante tempo. Com a vacina veio uma tranquilidade para continuar trabalhando na linha de frente da pandemia, além de sentimentos de alegria e gratidão por ela. Agora esperamos que a vacina se multiplique e chegue a todas as pessoas. Até lá, todos precisam continuar se cuidando, porque esse é o início de uma jornada bastante longa”, declarou.

Lucas Alexandre Lopes recebe sua vacina contra covid. Foto: ACM Vitória(ES)

Alegria pela conquista

O médico Lucas Alexandre Lopes Huguinim, que também atua no PA da Praia do Suá, disse que é até difícil definir os sentimentos. “É sensação de alegria, ansiedade, alívio e conquista. Trabalho em vários lugares, sempre à frente dessa pandemia, e graças a Deus não me contaminei, mas a preocupação era constante. Esse momento é uma conquista de muitos, porque o mundo inteiro buscou a ciência e as tecnologias e se voltou para encontrar uma vacina eficaz para que voltássemos a nos abraçar e a conviver”.
Vacinação

Desde a última terça-feira (19), a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) já imunizou 799 pessoas com a primeira dose da CoronaVac.

Ao longo desta última quarta-feira (20), as equipes realizaram a vacinação em idosos e profissionais de saúde de nove Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) e nos profissionais de saúde que estão atuando na linha de frente no combate ao coronavírus em hospitais e nos Pronto-Atendimentos (PAs) da capital.

Unidades ainda não vacinam contra a Covid-19. Nesta primeira etapa da vacinação, as equipes de saúde estão indo até o público-alvo da campanha, em hospitais e abrigos. Portanto, as unidades básicas de saúde ainda não estão imunizando contra a Covid-19.

Fonte: Assessoria de Comunicação Prefeitura de Vitória

Pazuello discursa em rede nacional e afirma que o Brasil está pronto para começar a vacinar ainda esse mês


Ainda sem um plano de imunização apresentado, governo tenta passar confiança com discurso otimista

André Lucas

Em meio a corrida pela vacina, o Brasil ainda encontra muitas dificuldades para começar a imunização da população. Além da “guerra” em torno da vacina, por conta de polêmicas e politização do debate, ainda tem as dificuldades que o governo encontra para arrecadar seringas e agulhas. Esse novo obstáculo na guerra contra o Covid 19, atrás mais ainda a recuperação do país tanto no sentido econômico quanto no sentido sanitário. 

O Brasil é um dos países mais atrasados no processo de distribuição e aplicação da vacina. Atualmente mais de 12 milhões de doses foram usadas na imunização de 51 países. Ao todo 10 fabricantes diferentes produziram doses para esses países aplicarem a vacina em suas populações. 

Em meio a tanto atraso para a apresentação de um plano de imunização, e a incapacidade de aquisição de insumos para a produção de doses e aplicação da vacina, o que não falta são críticas ao governo. Especialistas, imprensa, OMS, Câmara dos deputados, “o povo do Twitter”, e principalmente a oposição, criticam a falta de estratégia no governo. 

Em meio a tantas críticas, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou na noite desta quarta-feira (6) que o Brasil está preparado e tem seringas suficientes para iniciar a vacinação contra a Covid-19 ainda em janeiro de forma simultânea em todo o país. 

O ministro também informou que vai publicar uma MP, referente a aquisição de vacinas e insumos, a MP determina que a coordenaria da vacinação vai ficar na responsabilidade do Ministério da Saúde. A MP também permite que o governo compre, distribua e aplique a vacina mesmo sem a aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). 

O ministro da saúde fez um pronunciamento em rede nacional na rádio e na Tv, na noite de ontem. 

“Hoje, o Ministério da Saúde está preparado e estruturado em termos financeiros, organizacionais e logísticos para executar o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19. O Brasil já tem disponíveis cerca de 60 milhões de seringas e agulhas nos estados e municípios. Ou seja, um número suficiente para iniciar a vacinação da população ainda neste mês de janeiro. Asseguro que todos os estados e municípios receberão a vacina de forma simultânea, igualitária e proporcional à sua população. Brasil imunizado! Somos uma só nação! No que depender do Ministério da Saúde e do Presidente da República a vacina será gratuita e não obrigatória. Importante enfatizar, quanto à Pfizer, que já disponibilizou suas vacinas em vários países, mesmo em quantidades muito reduzidas, que o Ministério da Saúde está trabalhando com os representantes da empresa para resolver as imposições que não encontram amparo na legislação brasileira, dentre elas: isenção total e permanente de responsabilização civil por efeitos colaterais advindos da vacinação; transferência do foro de julgamento de possíveis ações judiciais para fora do Brasil; e disponibilização permanente de ativos brasileiros no exterior para criação de um fundo caução para custear possíveis ações judiciais” 

Pazuello terminou seu discurso falando que o que depender do Ministério da Saúde a vacina será gratuita e não obrigatória. 

Posicionamento esse igual ao do presidente da república, Jair Bolsonaro, que já afirmou que não vai tomar a vacina. Ontem enquanto conversava com a apoiadores Bolsonaro falou sobre o assunto com seus apoiadores na porta do Planalto. 

“Uma pergunta aqui, com sinceridade: quem vai tomar vacina, levanta a mão? Todo mundo que eu pergunto, tive na praia, perguntei; aqui no cercadinho. Tem um grupo um pouco maior que visita a gente eu pergunto. Não faço campanha nem contra ou a favor. Vai ser voluntária e gratuita, para quem quiser toar. Agora o pessoal tá desconfiado” 

E o país segue com dúvidas de quando é como será o processo de vacinação no Brasil.

Coronavírus: ações sobre obrigatoriedade da vacina começam a ser julgadas nesta quarta


Debate visa determinar se pessoas que não receberem as doses podem sofrer punições

Com a possibilidade da vacinação se tornando mais próxima, diversas polêmicas surgiram recente e um ponto de grande debate é sobre a determinação ou não de punições para pessoas que decidirem não se vacinar. O Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar, nesta quarta-feira (16), duas ações que discutem essa temática. 

O objetivo é determinar se haverá ou não a obrigatoriedade da vacinação contra a Covid-19. Ou seja, se alguém pode ser punido ou ter acesso negado a serviços, por exemplo, por não receber as doses.

O plenário virtual do Supremo pautou o julgamento, com previsão de início na última sexta (11). Mas após uma decisão do presidente do STF, Luiz Fux, o tema foi levado ao plenário físico, onde o julgamento tem ocorrido por videoconferência.

O relator das ações é o ministro Ricardo Lewandowski. No domingo (13), o magistrado determinou que o Ministério da Saúde apresentasse as datas de início e término do plano de vacinação do governo.

O Governo Federal respondeu nesta terça-feira (15) e afirmou que a vacinação começa cinco dias após o aval da Anvisa e o recebimento das primeiras doses, mas não determinou datas. Ao todo, a previsão é de que a vacinação se estenda por 16 meses, sendo os quatro primeiros meses voltados à imunização dos grupos prioritários.

O pedido de informações de Lewandowski foi feito no âmbito de duas ações específicas sobre o plano de vacinação. Apesar de estar previsto que o julgamento delas seria essa semana, acabou sendo adiado depois que a Advocacia-Geral da União entregar ao Supremo uma prévia do plano na sexta (11).

Esta é a última semana de julgamentos na Corte antes do recesso do Judiciário, que tem início na segunda (20). Depois, apenas decisões urgentes são proferidas pelo presidente do STF.

Entenda sobre as ações 

Uma delas propõe que seja da competência de prefeitos e governadores decidir sobre uma eventual vacinação obrigatória e outras medidas profiláticas no combate à pandemia do novo coronavírus. 

O PDT entrou com a ação após declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro, de que a vacinação contra a covid-19 não será obrigatória no país. O argumento seria de que vacinação obrigatória já está prevista na lei que disciplina as medidas excepcionais de enfrentamento da pandemia, sancionada em fevereiro. 

Já a outra ação, solicita a suspensão do trecho da mesma lei que dá poder a autoridades públicas de determinar a vacinação compulsória da população. O PTB afirma que a própria lei prevê que as medidas “somente poderão ser determinadas com base em evidências científicas e em análises sobre as informações estratégicas em saúde e deverão ser limitadas no tempo e no espaço ao mínimo indispensável à promoção e à preservação da saúde pública”.