Especialistas afirmam que cenário do empreendedorismo feminino ainda exige prudência


Brasil tem avançado em emancipação social

Thais Paim

Mesmo com dados que apontam as mulheres sendo maioria no Brasil, representando 51,4% da população, ainda assim, o recorte do empreendedorismo é um pouco diferente: as mulheres representam apenas 25,4% dos empreendedores do país, de acordo com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

Apesar do cenário ainda não ser o ideal, foi registrado um crescimento de 40% no empreendedorismo feminino no ano de 2020, de acordo com dados disponibilizados pela Rede de Mulheres Empreendedoras. Negócios voltados para alimentação, beleza, estética e moda estão entre os investimentos escolhidos.

Desta forma, o Brasil alcançou o sétimo lugar no ranking “Proporção de Mulheres à Frente de Empreendimentos Iniciais”, divulgado pelo GEM (Global Entrepreneurship Monitor). O estudo analisou 49 países, considerando empreendimentos com menos de 42 meses de existência. 

Desafios no empreendedorismo feminino 

Wanessa Marques, Diretora Contábil da Learmachs, escritório internacional especializado em operações globais sediado no Brasil, Estados Unidos e Chile, acredita que está em curso no Brasil um processo de emancipação econômica e social por parte das mulheres. “Se antes as mulheres enfrentavam desafios e preconceitos empreendendo, ou só apareciam em sociedade por necessidades de terceiros, o cenário mudou”, aposta a executiva. 

A especialista cita a chamada “sociedade limitada” (Ltda.) como um modelo que, historicamente, envolveu as mulheres no âmbito empresarial.  Criado em 1919 no Brasil, e, dentre as suas regras, estava a obrigatoriedade da presença de dois sócios na direção da empresa. “Ao longo de mais de 100 anos, isso levou à ocorrência de um fenômeno bastante particular e próprio do Brasil: a criação de empresas por parte do marido, com sua esposa figurando como sócia, notadamente com uma participação inferior”, afirma.

Muitos anos depois, a lei continua a mesma, embora o empreendedorismo tenha evoluído, principalmente entre o público feminino. 

Para apoiar o público feminino que está começando a jornada empreendedora, a Learmachs disponibiliza uma consultoria específica, focando nos cenários operacionais em que as mulheres podem ser as únicas proprietárias da empresa. 

A especialista ainda explica: “A mulher empreendedora pode possuir sozinha, empresas como a empresa individual de responsabilidade limitada, a sociedade limitada unipessoal, e até mesmo a sociedade anônima. Basta conhecer esses formatos de empresas e escolher o melhor para o negócio.” 

De acordo com a Learmachs, e segundo dados oficiais da Receita Federal, o país possui mais de 45 milhões de CNPJs – e, destes, mais de 2/3 são sociedades limitadas. “Quase metade destas empresas são familiares, com o marido e a esposa figurando como sócios. E isso precisa mudar”, pontua.Fonte: Terra