Anvisa libera uso emergencial e Brasil já tem a primeira vacinada


Governo de São Paulo surpreende e vacina antes do dia 26 como estava previsto

André Lucas

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou, no último dia 17,  o uso emergencial das vacinas Coronavac do Instituto Butantã e a empresa chinesa Sinovac, e AstraZeneca da Fiocruz em parceria com a universidade de Oxford.  Durante a reunião, o momento de maior tensão foi a votação da Coronavac. A diretora,  Meiruze Freitas, condicionou a aprovação à assinatura de termo de compromisso e publicação em “Diário Oficial”. 

Uma edição extra do “Diário Oficial da União” com o termo de compromisso entre Anvisa e Butantan foi publicada por volta das 22h deste domingo. Ele é assinado pelo diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, pelo diretor do Butantan, Dimas Covas, e pelo corresponsável técnico do instituto, Cleber Augusto Gomes.

A Coronavac, vacina que é motivo de discussão já faz alguns meses, foi motivo para dividir opiniões no Brasil, religiosos e conservadores se recusam a aceitar a vacina chinesa, e muito nesse negacionismo é incentivado pelo Presidente Jair Bolsonaro, que já anunciou publicamente que não vai tomar a vacina da empresa Sinovac em parceria como instituto Butantan.  

As condições aplicadas para ceder o uso emergencial da vacina do Butantã aumentaram a desconfiança em relação à eficácia e segurança do medicamento, o que aumenta o número de pessoas determinadas a não tomar a vacina. 

Meiruze declarou seu voto da seguinte forma: 

“Quanto à vacina Coronavac, desenvolvida pelo instituto Butantan, voto pela aprovação temporária do seu uso emergencial condicionada a termo de compromisso e subsequente publicação de seu extrato no DOU. Quanto à vacina solicitada pela Fiocruz, voto pela aprovação temporária de seu uso emergencial referente a 2 milhões de doses”, Guiada pela ciência e pelos dados, a equipe concluiu que os benefícios conhecidos e potenciais dessas vacinas superam seus riscos. Os servidores vêm trabalhando com dedicação integral e senso de urgência”

O termo de compromisso prevendo o envio, até o dia 28 de fevereiro, dos resultados sobre a imunogenicidade da CoronaVac foi uma das exigências da relatora do processo para o uso emergencial. A imunogenicidade é a capacidade que uma vacina tem de estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos. 

Antônio Barra Torres Presidente da Anvisa, informou no final da reunião: 

“A imunidade com a vacinação leva algum tempo para se estabelecer. Portanto, mesmo vacinado, use máscara, mantenha o distanciamento social e higienize suas mãos. Essas vacinas estão certificadas pela Anvisa, foram analisadas por nós brasileiros por um tempo, o melhor e menor tempo possível. Confie na Anvisa, confie nas vacinas que a Anvisa certificar e quando ela estiver ao seu alcance vá e se vacine.”  

A primeira pessoa a ser vacinada no Brasil.  

A enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, foi a primeira brasileira a receber a vacina contra a Covid-19. A vacinação aconteceu neste domingo, 17, após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar o uso emergencial de duas vacinas: a CoronaVac, fabricada no Brasil pelo Instituto Butantã, e a vacina desenvolvida pela universidade Oxford e em parceria com o laboratório AstraZeneca. Ao lado do governador de São Paulo, João Doria, a profissional, que trabalha na linha de frente no Hospital Emílio Ribas, recebeu uma dose da vacina da CoronaVac no Hospital das Clínicas. “Estou sentindo muita emoção”, afirmou Mônica após receber a primeira dose.

Doria volta ao Brasil após noticia do vice estar contaminado, e governo de São Paulo não divulga nível de eficácia da coronavac


Vacinas como Pfizer e Moderna tem eficácia de 95% e 94,5%, respectivamente,  secretário afirmou ter mais de 50% porém não deu um número exato

André Lucas

O Governador de São Paulo estava de férias após o início do recesso, e viajou para o Estado Unidos na madrugada desta quarta feira. No dia seguinte foi surpreendido e teve que voltar as presas para o país, seu vice Rodrigo Garcia foi diagnosticado com corona vírus e foi afastado do cargo, Doria não terá férias esse ano.  O governador foi flagrado no aeroporto, em uma grande fila (aglomeração) para viajar à Miami. Horas depois de chegar ao EUA ele teve que voltar. Em suas redes sociais ele explicou: 

“Acabo de receber a notícia de que o vice-governador, Rodrigo Garcia, testou positivo para Covid-19. Por conta disso, estou cancelando minha licença e retorno ainda hoje para SP para seguir o trabalho à frente do Governo de SP. Desejo pronta recuperação ao Rodrigo Garcia”

Além da declaração no Twitter o governo do estado de São Paulo publicou uma nota falando sobreo caso:

“O governador de São Paulo João Doria licenciou-se por 10 dias depois de um ano de trabalho ininterrupto. Comprou com dinheiro próprio sua passagem e viajou para os Estados Unidos, em avião de carreira, onde chegou esta manhã. Lá, iria descansar com sua esposa e dar duas palestras sobre oportunidades de investimentos no Estado e o Plano de Retomada Econômica de São Paulo. Uma das conferências, no World Trade Center-Florida e a outra na Brazilian-Florida Chamber of Commerce, dias 28 e 29 de dezembro. Diante da notícia desta manhã de que o vice-governador Rodrigo Garcia havia se contaminado com a Covid-19, Doria imediatamente decidiu voltar a São Paulo, onde chega amanhã de manhã.”

  Sem recesso Doria estar em exercício, e já tinha compromisso marcado para essa quarta.

Nesse dia 23 de dezembro, quarta feira, o governador de São Paulo não cumpriu com promessa de anunciar os dados da vacina. Doria adiou mais uma vez a divulgação de dados, é a segunda vez que o governo de São Paulo adia a divulgação do dados. A justificativa para o adiamento da divulgação dos dados é a empresa Sinovac, desenvolvedora da vacina, pediu ao Instituto Butantan e aos parceiros em outros países que enviasse todos os dados da fase 3 antes que divulgasse. A intenção da empresa chinesa e juntar o resultado de todos o testes e apresentar dados unificados . 

“Eles entenderam o fato de nós  eficácia superior a isso (50%), porém diferente de outros países em que essa vacina está em uso, merece uma reavaliação. O fato disso acontecer transmite isonomia”, explicou o secretário estadual da Saúde de SP, Jean Gorinchteyn. 

O secretário não explicou se a eficácia da vacina no Brasil foi superior ou inferior aos outros países, nem deu o resultado só do Brasil, mas garantiu que a vacina estar na média requisitada e que espera avaliação da Anvisa. O governo ainda reafirmou que o plano de imunização ainda estar previsto para iniciar dia 25 de Janeiro, e disse que tudo depende da agilidade da Anvisa.

“Atingimos o limiar da eficácia, que permite o processo de solicitação de uso emergencial, seja aqui no Brasil ou na China. Temos um contrato com a Sinovac que especifica que o anúncio desse número precisa ser feito em conjunto”, disse o presidente do Butantan, Dimas Covas.