China não permite que comitê de especialistas da OMS faça expedição em Wuhan


No Brasil o caso serviu para alimentar teorias da conspiração

André Lucas

A relação entre China e OMS não é das melhores atualmente. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o governo chinês vetou a ida de um comitê com especialistas para uma expedição no país, com o objetivo de entender como o vírus passou para seres humanos. 

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nesta terça-feira (5) que está “muito decepcionado” com a China porque o país ainda não autorizou a entrada de uma equipe de especialistas internacionais para analisar as origens do coronavírus. 

“Hoje soubemos que as autoridades chinesas ainda não finalizaram as permissões necessárias para a chegada da equipe na China. Tenho mantido contato com altas autoridades chinesas e, mais uma vez, deixei claro que a missão é uma prioridade para a OMS”, declarou Ghebreyesus.

O primeiro caso do novo corona vírus, foi detectado no dia 31 de dezembro de 2019 na cidade de cidade de Wuhan. O surto ocorreu pouco tempo depois em um mercado de comercialização de animais selvagens mortos para consumo humano.  Inicialmente todos os estudos apontavam que essa era a origem do vírus nos seres humanos. 

 Porém ao longo das pesquisas surgiram duvidas se realmente o vírus veio dos animais ou se o vírus já circulava antes, e o mercado funcionou apenas como um disseminador em massa do vírus, por conta da aglomeração que existe no local. 

As análises da origem da contaminação é importante para entender o vírus, e para prevenir não só de uma mutação do vírus mas também de uma  nova pandemia no futura, a partir dos dados coletados na análise os cientistas podem criar novas estratégias para agir em ocasiões futuras. 

Existe uma teoria nascida no Estado Unidos da América, de que o vírus contaminou um ser humano pela primeira vez em um laboratório em Wuhan. Um cientista teria se contaminado e espalhado o vírus na cidade. 

Em diversas ocasiões o governo Chinês já negou essa teoria, e acusou o Governo Estadunidense de inventar mentiras para acusar a China. O laboratório da cidade de Wuhan tambem nega a possibilidade disso ter acontecido. 

A repercussão do caso no Brasil alimentou teorias da conspiração

No Brasil o que não falta é teoria da conspiração. Na internet o assunto é muito debatido e pessoas tem certeza absoluta de que o vírus foi criado pela China. Aqui no País até o Presidente da República alimenta as teorias, além de chamar o vírus de chinês, ele já culpou o País asiático pelo vírus diversas vezes. 

Elba Ramalho é a cancelada da vez. Foto: divulgação

Mas o assunto da vez foi a cantora Elba Ramalho, que afirmou em um vídeo acreditar que o vírus foi criado na china para acabar com os cristãos.  

“Para muitas pessoas, é apenas uma pandemia, para nós, o Senhor sabe e eu sei, é muito mais coisa por trás dessa pandemia e que vem ainda com o intuito de nos destruir. Nós somos o incômodo, o calo dos comunistas. Somos nós cristãos, mas nós somos também a resistência e vamos permanecer fiéis, porque Deus vai nos proteger” 

Depois da péssima repercussão e criticas disparadas, a cantora pediu desculpa e afirmou ter sido mal interpretada. 

“Fui mal interpretada, existia um contexto de cunho espiritual, as pessoas não entenderam! Sinto muito! Um grande mal entendido! Minhas sinceras desculpas”.

OMS nega que seja contra políticas de isolamento


A Organização Mundial da Saúde (OMS) rejeitou insinuações por parte do governo de Jair Bolsonaro de que tenha apoiado a ideia de que políticas de isolamento não devam ser aplicadas.  Na segunda-feira, o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, usou sua coletiva de imprensa em Genebra para convocar os países a também lidar com os mais pobres. Bolsonaro usou a frase para justificar sua política de rejeição de medidas de isolamento.

Tedros, porém, não se referia a isso. Mas sim à necessidade de que instrumentos sejam criados para garantir o sustento dessas pessoas, por medidas sociais e transferência de recursos. Diante da polêmica gerada no Brasil e o temor de que o discurso de Tedros fosse manipulado, a OMS decidiu ir de maneira deliberada às redes sociais nesta terça-feira. Ainda que não cite expressamente o nome do brasileiro, a entidade decidiu esclarecer seu posicionamento em duas mensagens.

“Pessoas sem fonte de renda regular ou sem qualquer reserva financeira merecem políticas sociais que garantam a dignidade e permitam que elas cumpram as medidas de saúde pública para a Covid-19 recomendadas pelas autoridades nacionais de saúde e pela OMS”, disse o direto-geral da OMS.

“Eu cresci pobre e entendo essa realidade. Convoco os países a desenvolverem políticas que forneçam proteção econômica às pessoas que não possam receber ou trabalhar devido à pandemia da covid-19. Solidariedade”, completou.

Pela manhã, Bolsonaro tentou manipular as declarações do africano para justificar sua política. “Vocês viram o presidente da OMS ontem?”, perguntou. “O que ele disse, praticamente… Em especial, com os informais, têm que trabalhar. O que acontece? Nós temos dois problemas: o vírus e o desemprego. Não pode ser dissociados, temos que atacar juntos”, disse.

Tedros, porém, não falou em trabalho. Mas na garantia de renda, conforme ele mesmo escreveu hoje em suas redes sociais.

Nas redes sociais, Bolsonaro e seus filhos tem usado um trecho cortado da fala de Tedros para justificar seu posicionamento, deixando de fora outras partes em que o africano fala da importância do isolamento.

Essa não é a primeira vez que a OMS responde ao presidente brasileiro. Na semana passada, Tedros foi questionado pela coluna sobre a atitude de Bolsonaro de minimizar a doença. “As UTIs estão lotadas em muitos países”, alertou o africano, em resposta. “É uma doença muito séria”, insistiu.

Na OMS, uma parcela dos técnicos acredita que Bolsonaro poderia ser uma ameaça ao combate ao vírus, com posições que questionam a ciência e confundem os cidadãos.